MPF e PF desarticulam quadrilha que negociava decisões judiciais.

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Hoje pela manhã, por volta das 05h50, vi agentes da Polícia Federal, uns cinco ou seis, no escritório de advocacia Welithon & Darlange, localizado na Avenida João da Escóssia, bairro Doze Anos. Não havia viaturas nas imediações, sugerindo assim que eles estavam em veículo não caracterizado.

Horas depois as primeiras informações começaram a chegar. Trata-se da Operação Alcmeon, referência a um personagem da mitologia grega relacionado à traição e quebra de confiança. A operação conta com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Norte e apura a atuação de uma quadrilha perante a Justiça em fatos que já teriam sido identificados, dentre os quais operações policiais, apelações criminais, ações rescisórias e revisão criminal. “Os principais clientes eram políticos, inclusive envolvidos na operação Pecado Capital, dentre outras”, diz a PF em nota.

As ações ocorrem nas cidades de Natal, Mossoró e Recife, onde são cumpridas 23 ordens judiciais por cerca de 70 agentes da PF. Do total de mandados, dois são de prisão preventiva, oito de condução coercitiva e 13 de busca e apreensão.

Advogados e um ex-desembargador fariam parte do esquema criminoso. Há indícios de que eles negociariam votos em sentenças criminais para a libertação de presos ou liberação de bens apreendidos em ações penais. Em um caso específico, segundo a PF, a pena de um ex-prefeito, que era de 28 anos de reclusão foi reduzida para dois anos e oito meses, e substituída por restritiva de direito.

Crimes de exploração de prestígio em vários processos em trâmite no tribunal, inclusive processos relacionados à Operação Lava-Jato, também teriam ocorrido. A PF desvendou a ação da quadrilha por meio de acordo de colaboração premiada em que um empresário relatou pelo menos duas situações em que teria obtido os benefícios do grupo depois de ter sua prisão decretada e seus bens apreendidos durante uma operação policial deflagrada em Pernambuco.

Para a realização da fraude eram cobrados, antecipadamente, uma média de R$ 350 mil. Segundo a investigação, um defensor ligado ao grupo chegou a reter os documentos de veículos de um dos delatores para garantir o pagamento futuro da propina. Crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, de uso de documentos particulares ideologicamente falsos e lavagem de dinheiro também são apurados na investigação.

No Recife foi cumprido um mandado de condução coercitiva em desfavor de um servidor público estadual, de 58 anos, residente em Boa Viagem. A Polícia Federal cumpriu a ordem judicial por volta de 6h da manhã e a condução foi feita de forma tranquila. Na PF o servidor prestou esclarecimentos sobre os fatos e foi indiciado pelo crime de corrupção ativa, previsto no artigo 317 do código penal. Após o servidor ter sido ouvido, foi liberado e responderá ao inquérito em liberdade.

Em Mossoró, foram cumpridas diligências no escritório Welithon & Darlage, bem como na casa de um advogado (nome não revelado), localizada no Conjunto Ulrick Graff.

OBS. Com informações do blog e do Diário de Pernambuco.

2 Comentários

  1. Essas negociações do Judiciário com criminosos é muito antiga, pena que os bandidos do Judiciário quando são pegos não são punidos, muito pelo contrário são é premiados com gordas aposentadorias.

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