Racionalidades – 17ª edição.

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ERRE-N SEM LEI – Na última quarta-feira (15), uma troca de tiros entre policiais militares e bandidos culminou com a morte de Luiz Benes (foto), 16 anos, filho de Benes Leocádio, ex-prefeito de Lajes (RN). O ocorrido, que também deixou um bandido morto, ocorreu no bairro de Tirol, em Natal (RN).

Por se tratar de um jovem na flor da idade, filho de um político conhecido, o caso ganhou grande repercussão, inclusive na imprensa nacional, com destaque para matéria no Jornal Hoje de ontem.

Em nota, a secretária Estadual de Segurança Pública, Sheilla Freitas, disse que os potiguares vivem em guerra, uma guerra sem tréguas, mas que ao final a polícia vencerá. Disse ainda que diariamente milhares de policiais saem às ruas para combater o crime. Num dado trecho ela vaticina: “Com toda a dor de quem é mãe, mulher e policial, quero aqui dizer que vamos lutar com todas as nossas forças, erguer nossas muralhas e aumentar ainda mais a nossa energia”.

Não vou dizer aqui que chegamos num ponto de insegurança total, vez que tal ponto já foi alcançado há alguns anos. Ultimamente, ser vítima de um crime ou não é questão de sorte, apenas. O estado faz tempo que perdeu a luta para a bandidagem.

Neste momento de renovação dos nossos representantes, proporcionada pelas eleições que se avizinham, os eleitores têm a oportunidade de escolher um político que apresente soluções para diminuir a violência que toma conta do país, um político que aponte quais medidas o estado tomará para proteger seus cidadãos.

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COMPETÊNCIA – Continuando a nota acima, vale lembrar que Segurança Pública é função do estado, que pagamos altos tributos para ter direito, entre outras coisas, à segurança. Armar a população, transformando o país num faroeste, não é solução, muito pelo contrário, é incapacidade de solucionar o problema, é um “resolva entre vocês”.

Além do mais, nem todos têm condições de usar uma arma, especialmente crianças, idosos, enfermos, mulheres em situação de vulnerabilidade etc. Por isso que a tarefa de defender a sociedade deve ser estatal, da polícia. Ao cidadão cabe pagar seus tributos e esperar que as forças estatais o protejam.

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ERRO MÉDICO – Muita gente tem medo de andar de avião, mas poucos têm medo de serem internados. Saiba que deveria ser o inverso. A probabilidade de morrer num acidente aéreo é de uma em 10 milhões, já a probabilidade de morrer por erro médico é de uma em 300, ou seja, andar de avião é 33 mil vezes mais seguro do que ser internado.

Em 2015, 434 mil brasileiros perderam a vida em decorrência de erros médicos, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É a maior causa de óbitos no país, seguida de problemas cardiovasculares, que matou 339 mil pessoas no mesmo ano de referência.

Os motivos apontados para elevado número de mortes são os mais diversos, desde a proliferação de cursos de Medicina a partir de 2013, até a falta de estrutura dos hospitais, passando pelas rotinas exaustivas dos profissionais, bem como a falta de um exame profissional, nos moldes do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil.

Quanto à proliferação de cursos, o Governo Federal tomou uma decisão paliativa: suspendeu a abertura de novos cursos de Medicina até 2023. O estrago, contudo, já foi feito. Por ano, são formados 30 mil novos médicos, muitos destes sem a mínima condição para exercer a profissão.

Quanto aos pacientes, a Associação Brasileira de Apoio às Vítimas de Erro Médico (Abravem) recomenda que não devemos ver os médicos como infalíveis, que precisamos a todo instante indaga-los do tratamento sugerido, bem como consultar outro profissional se por alguma razão não sentir segurança no diagnóstico.

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CASO MARIELE – O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro estipulou multa de R$ 100 mil para o Facebook caso a rede social não exclua 38 postagens caluniosas envolvendo Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em março. Na maioria das postagens há a informação, inverídica, de que a ex-vereadora era ligada a traficantes. O MBL – sempre ele – está por trás de quase todas essas postagens.

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COMEÇOU – A campanha eleitoral propriamente dita começou ontem. Os movimentos iniciais foram tímidos. Particularmente não senti nas ruas esse início de campanha. Como o dinheiro disponível não é muito, os candidatos estão pisando no freio, esperando o momento certo para colocarem o bloco na rua.

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MOSSORÓ SEM OPÇÕES – O eleitor de Mossoró, ao menos o racional, terá dificuldades para escolher em quem votar. De um lado, temos aqueles candidatos filhotes das oligarquias, que estão no poder desde sempre e que não tem nada para mostrar; do outro, candidatos bem intencionados, mas com chances remotas de vitória, justamente por não pertencerem às oligarquias.

A política não mudou nada após a Operação Lava-Jato, como imaginavam alguns. Está a mesma fedentina de sempre.

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DESTEMIDA – Comecei ontem a leitura de Herege, da escritora Ayaan Hirsi Ali. Ainda não avancei muito, li apenas umas 60 páginas (o livro tem 270). A primeira impressão, contudo, é que a escritora é corajosa no grau 10. Ele defende que o Islamismo deve ser reformulado com urgência, que não devemos dissociar os grupos terroristas da religião em si, como o ocidente faz. Em dado trecho ela escreve: “Os muçulmanos precisam tomar a decisão consciente de confrontar, debater e por fim rejeitar os elementos violentos de sua religião”.

É uma leitura interessante para quem quer entender o mundo islâmico.

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OBRA DE GENTE GRANDE – Por falar em leitura, recebi pelo portador Francivan Amorim o livro “Perdão”, escrito pelo areia-branquense Francisco da Costa Rodrigues (foto). Li-o em duas sentadas, como dizem, com pausa apenas para dormir (no dia seguinte, antes do desjejum eu já havia encerrado a leitura).

A obra conta a história de um homicídio ocorrido em Areia Branca no ano de 1954, cometido pelo autor do livro, que num ato impensado, para proteger um irmão, matou um homem, tudo em fração de segundos.

Passados aproximadamente 60 anos, ele escreveu o livro para dizer o que lhe aconteceu nos dias seguintes ao evento fatal, sobretudo o período no cárcere, bem como pedir perdão aos familiares ainda vivos da vítima.

A história é recheada de fatos e nomes de pessoas que viveram em Mossoró e Areia Branca nos anos 50/60. O autor do crime – e do livro – ficou preso na Cadeia Pública de Mossoró, onde hoje funciona o Museu Municipal Lauro da Escóssia. As melhores páginas são as que ele conta como era a rotina na prisão, tudo com riqueza de detalhes, como se os fatos tivessem ocorrido ontem.

Há momentos fortes, como a que ele detalha sua primeira noite de Natal na prisão, bem como o adeus a uma mulher de vida livre por quem se apaixonou (na época, alguns presos eram liberados para frequentar o Alto do Louvor).

O livro também rememora a política daquela época.

Parabenizo o autor pela atitude – de pedir perdão – e por ter produzido uma obra tão fascinante.

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PEGOU PESADO – Em São Luiz do Paraitinga (SP), a juíza indeferiu um pedido de indenização feito em razão de xingamentos que o autor sofreu no Facebook. No recurso de apelação o advogado/vítima usou contra a juíza as mesmas palavras ofensivas das quais foi vítima. Chamou assim a magistrada de anta, retardada, imbecil, arrombada, burra do caralho, idiota, babaca e então findou a mandando para a puta que pariu. Abaixo, dois trechos:

Porém, essa puta ignorante, que está no cargo de juíza da Comarca São Luiz do Paraitinga, alega simplesmente o oposto, sem qualquer fundamento a priori, tirando do próprio rabo entendimento antijurídico dissonante.

O que esta toupeira com cara de prego entende como demonstração de sentimentos ruins, se ela mesma nega o direito ao depoimento pessoal!? Que juíza burra do caralho!

O advogado foi suspenso de suas atividades pela OAB.

Para ler a peça na íntegra clique aqui.

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À TOA – O IBGE divulgou ontem os números do desemprego no Brasil. Aqui no Rio Grande do Norte são 201 mil desempregados, o que representa 13,1% da força de trabalho. Eis outro problema que merece atenção especial dos nossos futuros representantes.

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IMPERDÍVEL – A banda escocesa Franz Ferdinand, que há tempos venho dizendo ser uma das melhores da atualidade, se apresentará em Natal no próximo dia 13 de outubro, dentro do festival MADA. Já no primeiro disco, de 2004, eles emplacaram cinco músicas nas listas de mais tocadas em todo o mundo. O quinteto toca um pop-rock contagiante. Fiquei impressionado quando soube que eles se apresentarão aqui tão perto. Oportunidade rara de ver uma das melhores bandas da atualidade.

Veja aqui o clipe de Walk Away.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).

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