Racionalidades – 20ª edição.

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INDEPENDÊNCIA OU MORTE – Nesta data, em 1822, o príncipe regente Dom Pedro I declarou a independência do Brasil em relação a Portugal, que só a reconheceu três anos depois, e ainda assim a contragosto. Até mesmo no Brasil algumas províncias se negaram a aceitar a independência, foi o caso da Bahia, Maranhão e Piauí, entre outras.

Na realidade, vê-se hoje que os livros que estudamos nos contaram uma história bem diferente da que realmente aconteceu, a começar pelo conhecido quadro de Pedro Américo, pintado 76 anos depois do evento, onde o príncipe aparece montado num belo cavalo, cercado por vários oficiais bem vestidos, às margens do Riacho do Ipiranga. Não foi bem deste modo.

Já há vários livros que contam a história real, entre eles o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch; e 1822, de Laurentino Gomes. Boas leituras para este feriadão.

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CHEIRANDO A LEITE – De todo modo, somos um país jovem, com apenas 196 anos de independência, o que representa um mero traço na história mundial. A maioria dos países europeus, por exemplo, são milenares.

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HISTÓRIA EM CHAMAS – Na semana o país lamentou o incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que contava com mais de 20 milhões de itens em seu acervo, incluindo o crânio de Luzia, o fóssil mais antigo descoberto nas américas.

Como sói em todas as vezes que ocorre uma tragédia no Brasil, mal as chamas cessaram e já começou o festival de apontar culpados, como se os demais equipamentos públicos no Brasil funcionassem todos conforme o script.

A bagunça e o desrespeito às normas são comuns neste Florão da América, não seria diferente com o museu incendiado. Tenho certeza que a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro também não funciona rigorosamente dentro do que determina a lei, e nem recebe os recursos que os diretores queriam.

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SEGURO – Nossa sorte é que o quadro Abaporu, pintado em 1929 pela modernista Tarsila do Amaral, considerado nossa maior riqueza artística, está no Museu de Arte Latino-Americana, em Buenos Aires, Argentina.

Os argentinos valorizam mais a cultura do que o brasileiro, que no geral só pensa em preservar o patrimônio financeiro pessoal.

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PESQUISA – O Jornal Nacional divulgou na quarta-feira (05) à noite a segunda rodada de pesquisas do IBOPE, o instituto de maior credibilidade popular quando se trata de pesquisas eleitorais. Os números não diferem muito dos trazidos na primeira pesquisa. Dos primeiros colocados, o único que saiu da margem de erro foi Ciro Gomes (PDT), que passou de 9% para 12% das intenções de voto, numa pesquisa onde a margem de erro é de 2%.

Vale frisar que a pesquisa não reflete a influência da propaganda eleitoral, pois o levantamento foi feito apenas um dia após iniciada a campanha no rádio e na TV.

A percentagem que mais oscilou entre uma pesquisa e outra foi a rejeição à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que saltou de 37% para 44%.

O ex-prefeito Fernando Haddad, que ainda não foi oficialmente declarado como candidato do PT, aparece com 6% na simulação de primeiro turno e tecnicamente empatado com Jair Bolsonaro na simulação de segundo turno: 37% (Jair) a 36% (Haddad).

Quanto à simulação de segundo turno trazida no parágrafo anterior, é bom destacar que Haddad ainda não é conhecido pela grande massa. Tal mostra que Jair Bolsonaro (PSL) empata até com um desconhecido, o que confirma sua rejeição. Para a metade dos entrevistados, entre o capitão e outro qualquer, eles optam pelo outro qualquer.

Nas simulações de segundo turno com os demais candidatos, Bolsonaro perde para todos por grande margem.

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ESTRATÉGIA – Entre os petistas, já existe certa tensão em relação à estratégia adotada pelo partido de manter a candidatura do ex-presidente Lula da Silva até as últimas consequências. Todo mundo sabe que os tribunais superiores jamais permitirão que Lula seja candidato. Muitos defendem que já chegou a hora de o partido assumir de vez a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT), permitindo assim a este participar de debates, ter a agenda divulgada na imprensa e de se apresentar para a população na propaganda eleitoral.

Enquanto há indefinição, o eleitorado vai escolhendo seus candidatos. Vejo nas redes sociais uma migração dos petistas para as candidaturas de Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (REDE).

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QUE MUDANÇA! – Na sexta-feira passada, no julgamento das impugnações ao registro de candidatura do ex-presidente Lula, o ministro Edson Fachin foi o único a defender o deferimento do registro, atendendo assim o que foi determinado pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Cinco dias depois, na qualidade de relator de um recurso que envolvia essa questão, o ministro mudou de ideia. Entendeu desta vez que o registro deve ser indeferido. Quanta volatilidade!

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CAMPANHA NO ERRE-N – As pesquisas divulgadas no Rio Grande do Norte mostram as candidaturas de Carlos Eduardo (PDT) e Robinson Faria (PSD) estagnadas, com 15% e 8%, respectivamente. A candidata Fátima Bezerra (PT) é a única que conseguiu evoluir, passando de 28%, nas primeiras pesquisas, para 33%, na mais recente.

Fátima Bezerra não pode, todavia, comemorar vitória. Caso haja segundo turno a história será outra. Basta lembrarmos as últimas eleições estaduais.

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SAL GROSSO – Em novembro de 2007 foi deflagrada em Mossoró a Operação Sal Grosso, que investigava casos de corrupção na Câmara Municipal de Mossoró, especialmente fraudes em empréstimos. Depois de muitas idas e vindas, um recurso (apelação criminal) envolvendo o processo será julgado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte na próxima quinta-feira, dia 13 de setembro.

Dos acusados, dois exercem cargos de vereador: Izabel Montenegro (MDB) e Manoel Bezerra (PRTB).

Ao conversar sob a condição de anonimato com um integrante do Ministério Público, ele me revelou que as penas aplicadas aos envolvidos deverão ser brandas, e que, inclusive, há chance de várias absolvições.

Em relação à perda dos mandatos dos vereadores citados, o próprio Ministério Público, em parecer junto ao Tribunal de Justiça, defendeu que tal só ocorra após esgotados todos os recursos. Assim, não há possibilidade de afastamento imediato dos vereadores, mesmo em caso de condenação. Na própria sentença de primeiro grau foi determinado que a perda do cargo só se dará quando a decisão transitar em julgado.

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ATENTADO – Nada, absolutamente nada, justifica o atentado ao candidato Jair Bolsonaro (PSL). Não se sabe ao certo o que aconteceu e quais as motivações do agressor. Comentar o episódio neste momento, fazendo juízo de valor, é um erro. Até agora ninguém sabe de nada. De todo modo, em hipótese alguma ele deveria ter sido esfaqueado. Já é o segundo ato de violência na atual campanha, o primeiro foi o atentado a tiros sofrido pela caravana do PT. Que Deus interceda e traga a paz aos corações de todos.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).

1 comentário

  1. A “intenção de voto” para o Senado de um Estado pertinho daqui é 60% redondos para o candidato Nulo.

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