Racionalidades – 21ª edição.

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BOLA DE FENO – No último fim de semana muitos mossoroenses aproveitaram o feriadão na vizinha cidade de Tibau. Mais uma vez os visitantes puderam constatar como a cidade-praia só funciona mesmo no período do veraneio. Fora o Centro, não há pontos comerciais sortidos em nenhum outro lugar. Quem fica nas praias das Emanuelas, Gado Bravo e Pernambuquinho, por exemplo, têm que se deslocar vários quilômetros para comprar refrigerantes, bebidas em geral e itens de mercearia. Aqueles pontos comerciais entre a avenida principal e a praia de Pernambuquinho foram todos desativados.

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MEDO – Além disso, a sensação de insegurança aumenta quando os moradores andam ruas e ruas e só avistam imóveis vazios. Sentem-se à mercê dos bandidos.

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DESPEDÍCIO DE MAR – Um investimento na cidade, sobretudo no setor turístico, poderia alterar esse quadro, o que permitiria aos moradores de Mossoró aproveitarem mais o belo mar que fica a apenas 42 km de distância, com acesso por via duplicada.

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ADVOGADO DE ADÉLIO DESCARTA INTERESSE POLÍTICO DE CONTRATANTE – Na última quarta-feira (12), o advogado Fernando Magalhães, que defende os interesses de Adélio Bispo, agressor do candidato Jair Bolsonaro (PSL), disse a rádio Band News FM que uma cláusula contratual o impede de revelar quem está arcando com o pagamento de seus honorários. Disse ainda que foi um erro ter dito algumas informações sobre o contratante (que pertencia a uma igreja etc).

O advogado reforçou, contudo, que seu contratante não tem atuação política. “Eu Jamais trabalharia neste caso se descobrisse que se tratava de um atentado motivado por interesses políticos”, vaticinou. Ele também informou que, inicialmente, foi contratado apenas para acompanhar a fase inicial das investigações (inquérito), e nestes casos o valor que sua banca cobra não é tão alto assim.

Por fim, sem dizer explicitamente que estava sendo ameaçado, o advogado explicou que a rotina de sua família mudou, que todos agora estão andando com seguranças e em carros blindados. Clamou então à população que entendam o trabalho dele, que todos os acusados têm direito constitucional à defesa.

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ESQUECIMENTO – Na última terça-feira (11), completou 17 anos do atentado às Torres Gêmeas, nos EUA, que matou quase três mil pessoas, e que mais de 1.100 dessas vítimas ainda continuam sem identificação.

Nos anos seguintes ao atentado a data sempre era marcada por matérias, documentários, filmes etc., além de conversas de rua lembrando o fato. Neste ano, entretanto, não vi quase nada sobre o atentado. Aos poucos vai se limitando aos livros de história.

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PARA POUCOS – Começou a funcionar no Brasil o Le Cordon Bleu, a mais tradicional escola de culinária do mundo, com 123 anos de história e unidades em 20 países. A filial brasileira está funcionando na Vila Madalena, bairro nobre de São Paulo (SP).

O curso completo de gastronomia e confeitaria dura nove meses e custa a bagatela de R$ 141.600,00. E aí, vai encarar?

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EDUCAÇÃO – O método atual de ensino público, com um professor, quadro e alunos em filas começou na Prússia, nos anos 1830. Apesar de todo o avanço tecnológico que ocorreu nos últimos 188 anos, o método continua sendo o mais usado no mundo.

Algumas escolas, contudo, vêm adotando novos modelos e formatos de ensino, o que inclui aprendizagem por projetos, intersecção entre as disciplinas e intensa tecnologia, como robótica e programação. Essas escolas preparam os alunos para o mercado atual, que exige liderança, senso empreendedor, habilidades digitais, senso analítico, consciência global etc.

Tais escolas, contudo, só estão acessíveis a quem tem condições de pagar mensalidades de até R$ 8.000,00. Assim, as portas do mercado estarão mais abertas para aqueles que tiveram condições de pagar por um ensino fundamental particular, mais compatível com a realidade presente e futura.

O ensino público, salvo raras exceções, continua atrasado. Como então possibilitar aos alunos da rede pública que eles também consigam uma colocação no mercado?

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INCONFORMISMO – Dia desses, conversando com o advogado Kléber Silveira, este disse uma expressão curta, mas que reflete perfeitamente a situação atual do país: “O Brasil vive uma crise de democracia”. Em seguida concluiu seu vaticínio: “Ninguém aceita perder”.

Perfeito. É justamente este o retrato atual do Brasil. Curiosamente, dias depois da minha conversa com ele, o comandante do Exército, General Eduardo Villas-Bôas, disse que a legitimidade do próximo governo poderá ser questionada. Tal afirmação ratificou o que me disse o amigo Kléber Silveira.

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O DESDOBRO – O candidato Jair Bolsonaro (PSL) vem dizendo com certa regularidade que o sistema de urnas eletrônicas no Brasil não é confiável. Esse discurso não é à toa. Anotem.

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PESQUISA – Divulgada ontem, a pesquisa do instituto Vox Populi foi a única que associou o candidato Fernando Haddad ao ex-presidente Lula da Silva. No formulário da pesquisa estimulada constava a informação de que Haddad era o candidato de Lula, o que foi omitido pelos demais institutos. Os números mostraram Haddad na frente, com 22% das intenções de votos, seguido de Jair Bolsonaro (18%), Ciro Gomes (10%) e Marina Silva (5%).

O instituto também quis saber a impressão das pessoas em relação ao ataque sofrido pelo candidato Bolsonaro. 64% acreditam que foi um ato isolado cometido por alguém com problemas mentais. 35% acham que foi um ato planejado e com fins políticos.

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POSCAST – O jornalista Rodrigo Vizeu, que já faz um sucesso enorme com o podcast “Presidente da Semana”, iniciou um novo projeto na segunda-feira. Trata-se do podcast diário “Eleição na Chapa”, onde ele comenta as principais notícias políticas do dia anterior com seus colegas da Folha de S. Paulo. Os áudios duram, em média, nove minutos. Dá pra ouvir no caminho do trabalho, para começar o dia bem informado. Eles são inseridos logo cedo no site da Folha e também no aplicativo Sportify.

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MEDO DA JUSTIÇA – A chamada Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) mudou bastante as regras dos processos na Justiça do Trabalho, o que acabou por inibir o ajuizamento de muitas ações. Pelas regras atuais, só convém ao empregado ajuizar uma ação trabalhista se tiver provas robustas do que alega, pois, em caso contrário, terá que pagar o advogado do patrão e outras despesas processuais. O risco que corre é alto.

Tal é refletido nos dados fornecidos pelo próprio Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em novembro de 2017 foram ajuizadas 289 426 ações; já em abril último foram 152 761. Ou seja, o número de novas ações caiu quase pela metade.

Quando dos debates envolvendo a reforma, seus defensores alegavam que essas regras mais rígidas trariam, como consequência, mais empregos. Não foi o que aconteceu. Passados 10 meses, a taxa de desemprego só fez subir. Os ônus vieram, mas os bônus não.

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VOTOS A FAVOR – Aproveitando o ensejo, nada custa lembrar os deputados federais que votaram a favor da reforma trabalhista: Beto Rosado (PP), Fábio Faria (PSD), Felipe Maia (DEM) e Rogério Marinho (PSDB). Este último, inclusive, foi o relator do projeto e um dos maiores defensores.

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FUTEBOL – Na quarta-feira foram realizados os dois jogos de ida das semifinais da Taça do Brasil. No primeiro, o Flamengo, jogando no Maracanã, não conseguiu furar a defesa do Corinthians. A partida não saiu do 0 x 0. Na outra semifinal o Palmeiras perdeu em casa para o Cruzeiro por 0 x 1, o que dificulta bastante sua vida para o jogo de volta.

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SENSO DE DONO – O sonho de ter o próprio negócio é bastante comum entre empregados. Pensando nisso, algumas corporações estão incentivando em seus funcionários o “sentimento de dono”. Eles possuem maior liberdade para tomar decisões e um acesso mais fácil aos superiores. Com isso se sentem mais prestigiados e então optam por ficar no atual emprego. A Ambev e o Google são dois exemplos de corporações que adotam o “senso de dono” como máquina propulsora de talentos.

No seu caso, seu patrão te dá liberdade para o desenvolvimento de projetos bons para a empresa?

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INTERNET – A cada minuto, 38 milhões de mensagens de WhatsApp são enviadas; 3,7 milhões de buscas são feitas no Google; 187 milhões de e-mails são enviados e 375 mil aplicativos são baixados. Os dados são da empresa americana Cumulus Media.

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CHAMOU AOS CARRETEIS – Fernando Bandeira de Mello, conselheiro nacional do Ministério Público, quer que os promotores responsáveis pelas acusações em desfavor dos candidatos Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, protocoladas nas últimas semanas, se expliquem. O conselheiro quer saber o porquê de as acusações, referentes a fatos anteriores a 2013, terem sido protocoladas apenas agora, no período eleitoral. No documento ele sapeca:

“Um promotor não pode deixar de ajuizar uma ação (…), mas também não pode reativar um inquérito que dormiu por meses ou praticar atos em atropelo apenas com o objetivo de ganhar os holofotes durante o período eleitoral”.

Eita do puxão de orelha.

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OMISSÃO NÃO – Sempre ouvi pessoas dizerem que não gostam de tornar públicas suas opiniões, que possuem contas em redes sociais apenas para observar o que os outros postam, que raramente escrevem algo, e quando o fazem são postagens sem nenhum teor polêmico, como frases bíblicas, filosóficas etc.

Cometem um grande erro.

O que muda uma nação é a voz do seu povo. Claro que não devemos ficar nas redes sociais agredindo este ou aquele, mas devemos sim mostrar nossa indignação em relação aquilo que achamos errado. O silêncio é cúmplice, permite ao malfeitor ocupar os espaços em que você deveria atuar.

Ficar omisso é politicamente incorreto. O descontentamento deve ser difundido. Não temas magoar amigos que pensam diferente. Se a argumentação não for agressiva, ele tem obrigação de aceitar. O nome disso é democracia.

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LIVE – O jornalista Bruno Barreto tem usado o Facebook para comentar os principais assuntos do dia. Suas lives começam às 19h30 e se estendem até às 20h. De quando em vez alguém é convidado a participar. Esta semana, por exemplo, vi uma live com o jornalista Carlos Santos. Vale muito à pena assistir.

Bruno Barreto sempre acompanhando as tendências do jornalismo.

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STF – Ontem, fim da tarde, o ministro Dias Toffoli, de 50 anos, assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão mais importante do Judiciário brasileiro. A esperança é que, ao menos administrativamente, faça uma boa gestão. Quando teve oportunidade de comandar, ele sempre se saiu muito bem.

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PÉ-DE-MOLEQUE – A origem desse doce remonta ao Século XVI, época do ciclo de açúcar no Brasil. Naquela época, a palavra moleque era utilizada para designar pessoa mulata, e não garoto, como hoje. De cor escura, foi batizada de pé-de-moleque, que na época significava – repito – pé-de-mulato.

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FRASE“Por um filho, quem sabe, eu não sofreria tanto” (Nilo Peçanha, ex-presidente do Brasil, em carta enviada ao pai, relatando a morte de Beijo, seu cão).

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PARÓDIA – A Universal Music ajuizou uma ação pedindo danos morais e materiais pelo uso indevido de um trecho da música “Garota de Ipanema” numa campanha publicitária. A 3ª turma do STJ negou o pedido. Os ministros entenderam que a paródia não depreciou a canção, e que por isso não cabe indenização.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).

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