Racionalidades – 42ª edição.

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UM PRESIDENTE LOUCO – Quem deveria assumir a presidência do Brasil em 15 de novembro de 1918 era Rodrigues Alves, primeiro presidente reeleito de nossa história. Acometido de gripe espanhola, não pode fazê-lo. A tarefa coube então ao vice, o mineiro Delfim Moreira.

Rodrigues Alves faleceu em 16 de janeiro de 1919, o que acarretou a realização de novas eleições, ocorridas em 13 de abril, tendo como vitorioso o paraibano Epitácio Pessoa, que só assumiria em 15 de novembro daquele ano. Assim, Delfim Moreira comandou o país por um ano, de 15 de novembro de 1918 a 15 de novembro de 1919.

Neste curto período, o presidente deu sinais inequívocos de que sofria de distúrbios mentais. Não são poucos os episódios de insanidade promovidos pelo ex-presidente.

Certa vez ele convocou em caráter de urgência os batedores e todo o aparato presidencial. Todos a postos, o presidente ordenou que o levassem a uma loja de roupas, pois precisava comprar um “colarinho dobrado”. E assim foi feito.

Rui Barbosa – que concorreu três vezes ao cargo de presidente e perdeu em todas – chegou a dizer: “Que estranho país é o Brasil, onde até um louco pode ser presidente da República e eu não posso”.

Até hoje, Delfim Moreira é (ou era) apontado como o único presidente louco da história do país.

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VIOLÊNCIA DIMINUIU NO CARNAVAL – Dados apresentados pela Polícia Militar atestam que o carnaval de 2019 foi o menos violento dos últimos quatro anos. Este ano foram registrados 27 homicídios, contra 40 do ano passado. Em 2017 foram 51.

O número de arrombamentos de residências caiu de 23, em 2018, para 10, em 2019.

O governo estadual investiu R$ 3 milhões em diárias operacionais.

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QUEDA NA EXPECTATIVA – A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a previsão de crescimento do Brasil para 2019. O relatório de novembro passado previa um crescimento de 2,1%, já o relatório atual prevê um crescimento de 1,9%.

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DIRETO COM OS APOIADORES – O presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez ontem sua primeira live no Facebook após assumir o comando do país. Segundo ele próprio anunciou, fará uma live por semana, sempre às 18h30 das quintas-feiras. A intenção é conversar diretamente com seus seguidores.

Na live de ontem, que durou cerca de 20 minutos, ele falou de dois assuntos de “suma importância” para o Brasil: 1) a exigência de curso de prevenção a assédio sexual para um cargo técnico no Banco do Brasil, o qual criticou; e 2) a cartilha de vacinação entregue nos postos de saúde de Brasília, que, segundo ele, tem conteúdo impróprio para crianças, mas não disse que conteúdo era esse.

Foi muito elogiado pelos seus apoiadores.

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ATENDIMENTO – Bem sabe o comerciante/empresário que investe em bom atendimento. O resultado, apesar de ser a médio e a longo prazo, é bem melhor do que promoções. Em Mossoró, uma loja de material elétrico consegue ser líder de mercado por causa da excelência no atendimento. Todo mundo fala bem do local, apesar das poucas promoções. Se a publicidade for ótima e o atendimento péssimo, o cliente só vai uma vez.

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AS CONCESSÕES – No Brasil, quase a totalidade das emissoras de rádio e tevê pertencem a políticos, os quais as conseguem em negociatas e acordos muitas vezes espúrios. A maioria destas concessões remonta à época da ditadura militar. Os militares cassaram as concessões das tevês e rádios independentes e liberaram concessões para quem prometia fidelidade ao regime. Foi assim que surgiu a tevê de Roberto Marinho e foi cassada a concessão da TV Excelsior.

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CONCESSÕES DE RÁDIO – O governo de José Sarney (1985-1989) foi o campeão em liberação de concessões. Para conseguir manter-se no poder por cinco anos, o ex-presidente mancomunou-se com seu Ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, e, juntos, distribuíram 1.091 concessões de rádio e tevê para “comprarem” deputados. Até hoje estes meios de comunicação da época do Sarney fazem proselitismo político ao invés de veicularem programação de qualidade.

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VAI-E-VEM NO QUE FAZ MAL E FAZ BEM – O documentário Muito Além do Peso, disponível no YouTube e no Netflix, vai de encontro a tudo que aprendemos sobre a relação entre alimentos e doenças. Ele condena veementemente o consumo de carnes – de todos os tipos -, ovos e laticínios. No quesito carnes, inclusive, defende que a de frango é a mais ofensiva, seguida da de peixe. Em dado trecho diz que consumir um ovo por dia faz tanto mal do que fumar cinco cigarros no mesmo período.

Ao tratar especificamente da diabetes, defende que o grande vilão da doença não é o açúcar, mas a carne, especialmente a processada.

Repito, o documentário vai de encontro a tudo aquilo que aprendemos no que se refere a alimentação saudável. Fica difícil saber o que fazer, diante de tantos estudos díspares.

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TAPA-BURACOS PERENE – No município de Mossoró, assim como nas demais cidades do Estado, o serviço de tapa-buracos só é acionado quando as vias de tráfego já estão totalmente danificadas, o que é um equívoco. Havendo dano total à via, o serviço que deve ser feito é o de recapeamento. O serviço de tapa-buracos propriamente dito não existe em nossa cidade nem no estado. Ele se caracteriza por uma vigilância constante, diária e ininterrupta das vias, as quais seriam recuperadas sempre que aparecesse algum obstáculo que impedisse o fluxo normal de veículos (buracos, rachaduras, desníveis etc).

A administração municipal deveria manter uma equipe de servidores de plantão para recuperar as vias assim que elas apresentassem alguma imperfeição. Tal procedimento evitaria os vultosos gastos com empresas terceirizadas, feitos anualmente.

Assim como existem equipes para recolher garranchos, entulhos e lixo, haveria uma para recuperar ruas e avenidas, a qual poderia ser acionada por um telefone. A existência de um serviço constante de tapa-buracos traria benefícios para a administração municipal – que reduziria e diluiria despesas – e para os motoristas, que não passariam pelo vexame de não poderem dirigir no período chuvoso, ante as centenas de buracos que são alargados pela força da água.

Tudo que escrevi acima serve também para a administração estadual, que praticamente deixa as rodovias abandonadas. Algumas delas já apresentam alguns buracos, os quais poderiam ser tapados com poucas horas de trabalho, mas se estes forem deixados lá, não há dúvida de que outros surgirão e que neste período de chuvas eles passarão a ter dimensões lunares. É preciso um trabalho constante para evitar operações emergenciais e bastante dispendiosas.

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SÁTIRA – Neste carnaval, entre um pulo e outro, consegui ler o livro O Vidiota, do autor polonês naturalizado norte-americano Jerzy Kosinski, um presente do vizinho praiano Jacques Vidal.

Nesta obra, publicada em 1970, o autor satiriza a sociedade americana, refém da televisão, desprovida de cultura, que se encanta apenas com meras frases de efeito.

Fico a imaginar o que este autor, já falecido, acharia dos dias de hoje, onde a televisão é “fichinha” diante de outros métodos de alienação bem mais eficientes.

O livro foi adaptado para o cinema em 1979, ganhando o título de “Muito Além do Jardim”. Ainda não o assisti. O que posso dizer é que o livro é muito bom, aquela leitura que prende. Como não é volumoso, são apenas 103 páginas, é possível ler “numa sentada”, como dizem.

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HISTÓRIA – Nos anos 40, a União Democrática Nacional (UDN), partido extremamente reacionário, fazia forte oposição a Getúlio Vargas. A sujeição absoluta ao capital estrangeiro era um dos pilares do partido. Tanto é que em 1946, seu presidente, o senador Otávio Mangabeira, em pleno Senado Federal, beijou a mão do general norte-americano Eisenhower.

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OUVIR AS BASES – Quem acredita nessa historinha de que líderes políticos levam em consideração a opinião das bases? Isso é conversa pra boi dormir. Na realidade, os líderes reúnem a cúpula do partido, tomam as decisões e depois partem para “ouvir as bases”, apenas “ouvir”.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).

1 comentário

  1. Erasmo (Tio Colorau), a redução da criminalidade no RN deve se ao fato do acordo do Governo do RN com as quadrilhas dos criminosos existentes aqui no RN, e não investimentos na segurança, pois o nosso governo ainda não disse a que veio.

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