Racionalidades – 58ª edição.

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O VÍDEO DE BETO ROSADO – O maior destaque na imprensa local na última semana foi um vídeo postado pelo deputado federal Beto Rosado (PP) em suas redes sociais onde ele trata da indústria salineira local. Antes de tratar do teor do vídeo, é necessário fazer um pequeno histórico.

Em 2011, o governo Dilma Rousseff (PT) publicou uma medida que desestimulava a entrada do sal chileno em nosso país, tornando o mercado plenamente favorável ao sal local, que praticamente ficou sem concorrência. Os salineiros andaram em céu de brigadeiro até 2018, quando o governo Temer (MDB) suspendeu essa medida por um ano.

Os empresários acreditaram que o atual presidente, Jair Bolsonaro (PSL), iria revogar a suspensão assinada por Temer, mas ele fez exatamente o inverso, a prorrogou, em decreto assinado no dia 12 de julho.

Desta forma, as taxações etc ao sal chileno aplicadas no governo Dilma estão suspensas, o que torna o sal chileno muito barato, prejudicando assim a indústria salineira local.

Em entrevista a órgãos de imprensa locais, o diretor executivo do Sindicato de Moagem e Refino do Sal do RN (Simorsal), Renato Fernandes, demonstrou preocupação com a medida, que afetará uma indústria que emprega mais de 10 mil pessoas. Disse ainda que procurará – tecnicamente – convencer o governo a mudar sua decisão.

O diretor-executivo do Simorsal fez questão de frisar nas entrevistas o apoio que o setor vem recebendo da deputada estadual Isolda Dantas, da deputada federal Natália Bonavides e do senador Jean-Paul Prates, todos do PT.

Pois bem, vamos voltar ao vídeo postado pelo deputado federal Beto Rosado (PP). Nele, o parlamentar – contrariando o discurso geral – disse que a indústria salineira não está sofrendo, que tem condições de concorrer com o sal chileno, que estão criando uma celeuma que não existe, que a indústria está tranquila, e que foram os governos de esquerda que tentaram destruir o comércio de sal local. Os fatos mostram exatamente o contrário de tudo isso.

O vídeo do deputado Beto Rosado (PP) foi considerado um desserviço pelo diretor-executivo da Simorsal. Ora, todo mundo tentando mostrar ao governo federal as dificuldades que a indústria salineira enfrenta em razão da concorrência com o sal chileno, aí vem Beto Rosado (PP) e posta um vídeo dizendo que a indústria do sal está de vento em popa.

Esse vídeo pode muito bem ser utilizado pelo governo federal para contra argumentar diante dos defensores da revogação da medida.

Ninguém entendeu o porquê de o deputado federal Beto Rosado (PP), que reconhecidamente sempre defendeu a indústria salineira, ter publicado um vídeo cheio de informações – no mínimo – equivocadas.

Para ver o vídeo clique aqui.

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ADUTORA APODI-MOSSORÓ – Esta semana tive a oportunidade de conversar com um servidor da Caern que acompanha a construção da adutora Apodi-Mossoró. Ele me relatou os obstáculos para que a obra saia do papel. De prima, disse que a água que atravessará a adutora não virá da barragem de Santa Cruz, mas sim de quatro poços profundos construídos no sítio Carrasco, em Apodi, isso porque o prefeito da cidade, à época do início das obras, agiu para impedir que a agua fosse tirada da barragem Santa Cruz, do que ele tem certa razão.

Com a construção dos quatro poços profundos, esse primeiro problema foi contornado. O segundo problema envolve desentendimentos entre a Ecocil, empresa responsável pelas obras, e o governo do Estado, o que findou por paralisar os serviços. Muito provavelmente será aberta outra licitação para a conclusão da adutora.

O terceiro problema tem a ver com a prefeitura de Mossoró, que ainda não declarou de utilidade pública a área que será utilizada para colocar os últimos tubos e equipamentos da adutora. Esse decreto é um documento essencial para que a Caern possa iniciar o processo de desapropriação.

Esses são apenas os maiores problemas, há outros, como a negativa da Itapetinga Agro Industrial em ceder meros 225 m² de um terra não usada e improdutiva para que a Caern coloque um equipamento chamado Tau, essencial para o funcionamento da adutora.

Em suma, é muito difícil essa obra ser concluída, infelizmente.

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FEIJOADA BENEFICENTE – No início dos anos 90 foi instalada na Rua João Pedro da Costa, bairro Nova Betânia, a Paróquia de São Paulo Apóstolo, oriunda do Movimento Cursilho de Cristandade, que funcionava no mesmo local. A criação formal ocorreu em 25 de janeiro de 2009, com a assinatura do Decreto nº 02/2009, pelo bispo diocesano Dom Mariano Manzana.

Desde os seus primórdios a paróquia vem crescendo através da ajuda de membros da comunidade. Assim, para avançar mais uma etapa em seu crescimento, desta feita para reforma do altar e troca do sistema de som, os responsáveis pela paróquia estão organizando uma feijoada, a ser realizada na Chácara do Seu Ari, na Rua Dona Lindinha Falcão, a mesma do West Flat.

O bilhete custa R$ 10, com direito a feijoada, refrigerante e sorteio de prêmios. O evento será no próximo domingo (04), a partir das 11h30.

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JACTÂNCIA – Uma das maiores virtudes do ser humano é a humildade. De forma contrária, a imodéstia e a vaidade exacerbada representam o que de pior existe nestes seres que Deus criou no sexto dia. A soberba, mal sabem, arruína vidas e afasta amigos, além de afugentar o “aperto de mão de um possível aliado”. Invariavelmente, o mais arrogante dos homens descobrirá – um dia – que a necessidade é maior do que a pose.

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FUNÇÃO – Alguém precisa avisar aos vereadores de Mossoró qual a verdadeira função de um legislador municipal. Alguns deles, sobretudo os que dizem amém à prefeitura, costumam cobrar melhorias apenas nos serviços de competência do governo estadual, como se os serviços municipais nas áreas de saúde e educação, por exemplo, estivessem às mil maravilhas.

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MOSCA SEM ASAS – O cidadão às vezes mostra revolta com a falta de segurança nas ruas, com a precariedade do sistema de saúde pública e com a baixa qualidade do ensino público, mas, como diz a música do Skank, essa indignação pode ser comparada a uma mosca sem asas, “que não ultrapassa a janela de nossas casas”. É uma revolta que se resume a filas de bancos, ligações para programas de rádios e conversas de botequim. São poucos os que fazem algo de concreto para fiscalizar a aplicação do dinheiro público.

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CAUSO – Apesar da seriedade do tema corrupção, há algumas situações hilariantes. Certa feita, um político oposicionista da cidade de Governador Dix-sept Rosado saiu às ruas dizendo que o prefeito da época havia embolsado um cheque recebido do governo federal para construir uma obra pública. O caso foi levado às barras do Judiciário. Na audiência, o autor da suposta calúnia se defendeu dizendo que o verbo embolsar significava “colocar no bolso”, e que o prefeito fez isso quando recebeu o cheque. “O gerente do banco é minha testemunha”, disse. E assim, alicerçado na literalidade do termo, o processo foi arquivado.

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POLÍTICA EM MOSSORÓ – Sobe, desce, estica, encolhe, engorda, emagrece, vai, vem, grita, silencia, anda, para, pede, manda, aceita, esbraveja, discursa, assanha, penteia, implora, exige, assume, apoia, discorda, esquece, lembra, guarda, queima e comunga. Mudam-se os atos (e lados), mas os atores são sempre os mesmos. O público, abobalhado, mantém-se fiel ao espetáculo.

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AME EM SILÊNCIO – A paixão, quando mal tratada, pode se transformar num suplício de vida. Quem não tem um amigo ou amiga vivendo uma paixão? As pessoas ficam irracionais, só falam de seu amor, não raciocinam, não sentem que estão incomodando, pensam que todos querem saber de suas aventuras e chiliques. Será que não podemos controlar os efeitos da paixão (vez que a paixão em si é incontrolável)? Não podemos conversar com outras pessoas sem citar o nome do(a) parceiro(a)?

E aquela pessoa que é abandonada por quem se está apaixonada? Arre! Insuportável. Chega-nos cheias de porquês. Será que não agi corretamente? Fui muito pegajoso(a)? Meu amor ainda voltará? Será que ainda me queres? Quanta perturbação!

Curta sua paixão. Pronto. Não precisamos ficar ouvindo derretimentos alheios para pessoas alheias. Por que essa de “te amo e vou gritar para todo mundo ouvir”? Fique no “te amo calado, como quem ouve uma sinfonia”. É melhor para todos.

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VELHACA – Nesses dias, uma senhora chegou pra mim e comentou sobre uma ação de cobrança em que ela figura como devedora. Disse-me que somente não pagou e nem pagará a dívida em razão do “desaforo” da credora. “Ela foi me cobrar lá no colégio onde trabalho. Aquela bicha é muito desaforada mesmo. Tá aqui que eu pago”, disse. Esse povo inventa cada uma para não quitar seus débitos.

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FRASE“A única maneira de conservar a saúde é comer o que não se quer, beber o que não se gosta e fazer aquilo que se preferiria não fazer.” (Mark Twain)

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ANIVERSÁRIO – Dedico o post de hoje ao servidor público federal aposentado Wilson Rosado Guimarães, que amanhã alcançará os 75 anos de vida. Ele é filho de Francisquinho Rosado, ex-prefeito de Governador Dix-sept Rosado, e descendente da senhora Herculana Rosado, cuja prole deu origem aos chamados “Rosados de Governador”. É um homem que traz muita história em seu DNA, pai do meu dileto amigo Alexandre Guimarães, que nutre pelo seu genitor um carinho imensurável, o que causa a admiração de todos. Que a data seja festejada com a pompa que merece. Parabéns.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).

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