INTERNET, TRAIÇOEIRA.

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Abaixo, o artigo “Internet, Traiçoeira”, escrito pelo insuspeito jornalista Rubens Lemos Filho. Mais um belo texto que condena a covardia do anonimato. Segue:

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A inteligência genuína foi bem mais eficiente que as armas de fogo de calibres desiguais contra a Ditadura. O Estado de São Paulo, que apoiou por ideologia a queda de João Goulart e notou depois ter ajudado no parto de um monstro, substituía textos censurados por versos de Camões, mensagens cifradas, horóscopos diagonais.

Os órgãos de imprensa quando a tortura fez a cuíca roncar nos porões em afogamentos e paus-de-arara, brandiram espadas e usaram até o humor para enfrentar os seus algozes. Escalavam jornalistas geniais, de formação letrada e faro noticioso, algo sepultado nos dias atuais em raríssimos casos.

Saber escrever é tão importante quanto botar voçê, assim, com cedilha, em tempo real. Chefetes elogiam quem põe a informação logo, mesmo que ninguém entenda, quando deveria ser o correto, que competente é quem é ligeiro e fagueiro com as palavras, como um craque das antigas fazia com a pelota.

Ainda com censores de inteligência de topeira, os jornais conseguiam furar o cerco. Na malandragem, até seduziam os interventores do regime, lhe davam porres, voltavam às redações, publicavam os textos originais e o bedel que se entendesse com os seus superiores.

Nunca, nem no chumbo, o anonimato. Nunca, não. Havia, nos codinomes que os jovens sonhadores usavam para driblar sem a menor malandragem de Garrincha ou Julinho Botelho, o aparelho repressor feroz como uma horda de urutus oficialmente humanos.

Mino Carta fez milagre na Veja. Ricardo Kotscho criou a expressão mordomia. Clóvis Rossi escreveu belíssimas páginas na Folha de São Paulo. José Hamilton Ribeiro produziu reportagens que até hoje emocionam como drama de ação cinematográfica em páginas empoeiradas. Homens de verdade.

Quando o mundo vai se modernizando, o que se pensa é que as índoles seguem proporção idêntica. Engano, seu dinossauro. A mídia digital condena os homens que resistem ao prazer de abrir um jornal, ler cada página, sentir o cheiro de tinta e chumbo à condição de reles beneficiários de favores.

Os donos são os que dominam o linguajar complicado que pode vir como vier, em tempo algum fará quem é do ramo esquecer o que é uma informação ou uma escrita qualificada. Quando quem compra um carro novo entra nele e sai passeando, eu imagino (não sei ligar um carro, novo ou velho e sair passeando), não vai tolerar qualquer defeito.

Quem navega na internet espera a perfeição aperfeiçoada a cada milésimo de centésimo de centelha de um átimo. Tudo dentro da precisão, da concisão e da ética. Vieram os sites dos jornais, depois os blogs, o, Orkut, o twitter, o facebook, o badoo, o google, a Wikipédia, os hackers, os experts, os nerds, os fucks. Nada em português como farofa, sardinha, pipoca, Pelé, lingüiça, cerveja, mulata, cabrocha ou Cartola.

A web está pior do que a ditadura, numa análise fria e imparcial. Respeito quem tem um blog e assina, põe a cara, diz o que quer e encara as conseqüências. Tem coragem quem assim age.

A internet, infelizmente, é cortina macabra para quem aparece à sua frente, senta com você, lhe telefona, lhe chama de amigo, confessa admiração por seu trabalho e, na calada da noite, cria um blog apócrifo para achincalhar a honra de quem quer que lhe tenha contrariado o interesse pessoal ou menos nobre.

Não deixa de ser inovadora a versão moderna do dedo-duro. Dos autores e autores de cartas e telefonemas covardes para acabar casamentos, destruir reputações, tomar empregos. Meu pai, por exemplo, foi entregue no aperto de torniquete do Golpe por um parente criado como um irmão.

Apanhou 44 dias seguidos, arrancaram-lhe (todas) as suas unhas e voltou robusto como um tísico. O delator morreu tempos depois. Se dormiu enquanto viveu, irrelevante saber. Aconteceu em 1973, faz tempo. Imagine se abrissem um comentário para ele num blog sem rosto nem caligrafia assumidos. Mas foi anonimato. Às antigas. A covardia é que é contemporânea.

Autor: Rubens Lemos Filho.

NOTA DO TIO – Usar do artifício do anonimato para criar blog apócrifo e atacar desafetos é coisa para homens que não são homens. Pessoas covardes, humanos desprezíveis, que encontram no anonimato a coragem que não possuem. Pessoas assim não têm amigos, vivem sozinhas maquinando o mal. São seres repugnantes, atolados em frustrações, mal amados, fracassados na vida etc.

Uma pessoa entupida de rancor e ódio não pode ser feliz. O bom da vida é sorrir, se encontrar com os amigos, passear com o filho, relaxar com a mente em paz. Triste a vida de quem amanhece e anoitece pensando em fazer o mal, de quem vive só e que se nega até ao contato com a família.

E como canta a música do Falamansa: “Faça o bem / Que ele volta pra você também”.

Fisicamente sou pesadão, mas minha alma é leve como pluma. E vamos que vamos, sempre sorrindo pra vida…

Sigam-me os bons…

14 Comentários

  1. Meu caro Erasmo, o texto do jornalista Rubens Lemos é um verdadeiro colírio pra quem lê. Preciso, conciso e, sobretudo, ético, como ele próprio menciona… Bem ao gosto do webleitor.

  2. E aí “omi”, passou a tontura???
    Vamos ao “Maraca” hoje???!!!

  3. Amigo Diegão, pelo andar da carruagem acho que passarei o período de Momo num leito de hospital. Há uns dez dias sinto uma tontura crônica, e cada dia ela aumenta. Já estou preocupado. Acho que hoje procurarei o “veterinário”. rsrsrs.

  4. O texto diz tudo, não precisa por nem tirar. Seu comentário, idem.
    Agora, se para uns serve de reflexão, para outros, com certeza, nem tanto. Há os que defendem “coisas” indefensáveis.
    Fiquei “abestalhado” ao ler a coluna de um jornalista, num jornal desta “província”. Para ele “Paulo Doido” não disse mentiras, não caluniou ninguém, não extorquiu ninguém, não desrespeitou ninguém e só escreveu verdades, ou seja, na visão deste jornalista tudo natural. Ele só esqueceu um pequeníssimo e simples detalhe: dizer o nome deste “corajoso”, dizer quem é “Paulo Doido”. Se tudo que ele escreveu era tão óbvio, por que vestiu máscara? Por que precisou de pseudônimo para dizer verdades? Pode até ser que suas ofensivas fossem verdadeiras, mas isso não o inocenta de sua covardia. Verdades são bem aceitas em todo e qualquer lugar, a sociedade agradece aos que têm coragem de dizê-la, desde que ditas às claras, sem a covardia do anonimato, que é artifício dos fracos, dos quem não têm coragem de dar cara pra bater, do contrário, certas verdades soam como simples artifícios para se atingir objetivos obscuros, então, essa mesma sociedade a rejeita.
    Não sei se “Paulo Doido” é quem dizem ser, embora os indícios sejam fortes, mas seja lá quem for, é um covarde e quem o defende se iguala ao lixo que o mesmo é!

  5. Vamos ver onde isso vai parar, torço que depois disso as coisas mudem um pouco.

  6. Elementar, meu caro…

    Sempre disse que quem só pensa em fazer o mal, em quem agredir, em como agredir, não pode ser feliz!

    Acredito que fazer o bem (Deus) tem um bom retorno, quem faz o mal (diabo) recebe o mal como retorno.

    Continuemos fazendo o bem!!!

    Um ótimo carnaval para você e seus leitores!!!

  7. Que tristeza meu amigo, ver jovens talentos da cidade, gente que poderia estar produzindo inteligência, se abraçando e se afogando todos juntos na vala da mediocridade. Não existe o lado bom e o lado mau, o lado certo e o lado errado. Todos têm, temos, pecados. Lamento pelos envolvidos, mereciamos mais. A partir de agora, não haverá vencedor. Todos sairão derrotados.

  8. Tio Coloral, a sujestão é que vc deixe esses assuntos sórdidos de lado, já tem muita gente que gosta e precisa tratando do assunto, volte a escrever amenidades! Gostaria de ver o blog como nos velhos tempos: geração cruch, a bela da tarde, curiosidades.
    Quanto ao carnaval, venha aqui para Governador, a turma estará toda reunida aqui em casa, e ainda tem Kairuska que é veterinária caso vc ainda esteja doente. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Valeu.

  9. Meus parabéns pelo blog, não entre nessa linha de baixaria que é tão comum hoje na imprensa mossoroense.. Isso fica para aqueles que não tem de argumentos e nem defesa. Continuo sendo seu leitor diário.

  10. Olá! pessoal! A grande questão que se põe por trás das atitudes insanas de inúmeros indivíduos, é a total ausência de humildade.
    E, não me refiro àquela humildade rasteira, que se equipara à submissão.
    Menciono àquele sentimento que leva o ser humano a julgar-se falível, frágil, de pequena importância frente à finiitude da vida.
    A ausência da humildade, quase sempre leva o indivíduo a traiçoeira armadilha, que o transfoma num arrogante.
    O cultor da arrogância, via de regra, é levado á pratica da ira.
    Esta, por sua vez, representa o nefasto desejo e/ou sentimento de vingança.
    Muitos imaginam que este terrível sentimento é capaz de impor a outrem, alguma punição ou castigo.
    Em verdade, ocorre quase sempre o que conhecemos como “efeito bumerangue”.
    O iracundo, age da mesma forma como o fazem os animais ferozes e os peçonhentos, ao decidirem atacar.
    Abandonam a sua mansidão falsa e aparente, pondo à mostra toda a sua ferocidade.
    Já foi dito que não há nenhum animal tão horrendo ou perigoso por natureza, que n’ele não surjam, quando a ira o invade, os sinais característicos da sua periculosidade.
    Também é sabido que: a coragem (a verdadeira) e a audácia, dentre outras, emitem sinais evidentes, e podem até ser pressentidas.
    A ira, entretanto, é mais que perceptível. Ela é evidente.
    Àqueles, manifestamente, pobres de espírito, escravos de sentimentos nada louváveis, faz-se imprescindível, que a cada raiar de um novo dia, se não forem afeitos à oração, ao menos encontrem na reflexão um “motivo” para transmutarem-se em seres, razoavelmente, melhores.
    Fechem seus olhos e imaginem-se: mortais… finitos…
    Como ensinou a grande poetisa, Cecília Meireles em:

    MOTIVO

    Eu canto, porque o instante existe
    e a minha vida está completa.
    Não sou alegre nem sou triste.
    Sou poeta.
    Irmão das coisas fugidias,
    não sinto gozo nem tormento.
    Atravesso noites e dias,
    no vento.
    Se desmorrono ou edifico.
    Se pertmaneço ou se desfaço,
    – Não sei, não sei…
    Não sei se fico, ou passo.
    Sei que canto.
    E a canção é tudo.
    Tem sangue eterno, a asa ritmada.
    E, um dia sei que estarei mudo:
    – Mais nada!

  11. ” caríssimo ERASMO: – Que DEUS LHE ABENÇÕE ! e que a sua saúde volte a revestir-se da fortaleza que lhes é costumas. Aproveito o espaço, a oportunidade, que me é de suma importância, para incentivar-te mais e mais. Siga em frente AMIGO. Você é iluminado e abençoado. Suas palavras que formam frases, e suas frases que formam texto(s), é de uma importância muito muito grande e elegante para nós Mossoroenses. Resumindo: Acho muito bonito e eclético o seu PALAVRIADO. Que JESUS FILHO DE DEUS, mantenha-o cada dia com a mente mais aberta e etc… e tal… Abraços de seu amigo GILSON GUILHERME.

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