Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

19 de dezembro de 2012
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Certa feita, o blogueiro e jornalista Carlos Santos narrou em seu espaço um episódio atentatório contra a cultura envolvendo uma dama da sociedade mossoroense. Disse ele que a mulher chegou numa livraria para comprar um metro de livro, medida exata para decorar sua estante. A intenção era só essa mesmo, decorativa.

O blogueiro então fez um belo comentário criticando aquele ato, que representa a louvação a futilidade e o desprezo pela real importância de um livro.

Dia destes soube de um episódio semelhante, mas o protagonista não foi uma “madama” fútil, mas o arquiteto Oscar Niemeyer.

Nos idos de 1959, o bibliófilo Edson Nery da Fonseca foi chamado pelo então presidente Juscelino Kubitschek para montar a biblioteca do Palácio do Alvorada. Nery foi responsável por comprar as obras, tombá-las e catalogá-las. A escolha do acervo foi feita com muito esmero.

Quando Nery foi visitar a estrutura física da biblioteca, achou estranho o fato de algumas estantes serem tão altas, inalcançáveis. Numa outra visita ele se encontrou com o arquiteto responsável pela obra, Oscar Niemeyer, e então perguntou como as pessoas teriam acesso as obras que ficariam nas prateleiras de cima. O arquiteto então sapecou: “Escadas são feias, e, além do mais, aqui não é para ninguém ler, é apenas decorativo”.

O desprezo pela literatura, quando se parte de uma “madama”, é até compreensível, mas vindo de um arquiteto famoso, é lamentável.

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Respostas de 2

  1. Carísismo Tio Colorau, datíssima vênia às suas colocações, das quais discordo de maneira veemente.

    Mesmo por que em memória do grande homem, arquiteto e sobretudo humanista Niemyer, não devemos usar e abusar de uma possível frase contextualizada em ambiente de sabida ostentação decorativa que é o Palácio do Planalto.

    Oscar Niemyer, todos sabem, inclusive Vossa Senhoria foi um grande leitor, arriscava de vez em quando suas poesias enotoriamente vivia no emio de intelectuais e de pessoas que embora simples , na maioria dos casos possuiam grande apego e afeto pelas letras, pela cultura e literatura de um modo geral.

    Portanto, querer passar a imagem de que Oscar Niemyer foi um homem avesso e antipático as letras e à cultura de um modo geral, é no mínimo forçar a barra, é também querer embarcar na canoa do PIG, PIG esse que em inúmeras oportunidades o tratou de forma indiferente, leviana, desonesta e no mais das vezes com explícita má vontade, sobretudo por força de suas claras atitudes e convicções político-religiosas.

    Carííssimo, qualquer brasileiro medianamente infromado sobre a nossa história e sobre as pessoas que de maneira direta e (ou0 indireta influenciaram em suas decisões, saidamente tem convicção de que OSCAR NIEMYER jamais tratou com désdem e (ou) desprezo e antipatia tudo que direta e indiretamente tenha ou tivesse a ver com a leitura e a cultura de um modo geral.

    O cometimento de erros e equívocos ou de atos, quando não há má fé o que parece ser o caso – são perfeitamente redimíveis, quando para tal basta se informar melhor e, mais ainda analisar suas obras e seu objeto principal.

    Um baraço

    FRANSUÊLDO VIEIRA D ERAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  2. Colorau, faltou você reproduzir a continuação da matéria da Piauí que, entre outras coisas, informa que “No rol de críticas de Nery aos políticos está a de que, tal qual previu Niemeyer, os livros ali são só decorativos”.

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