I – O médico Yvis Serra, um dos mais destacados plantonistas do Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), costuma usar sua conta no Twitter para informar aos seus seguidores a precária estrutura do hospital e do sistema público de Saúde como um todo. Um trabalho relevante, que dá a imagem real do dia a dia no maior hospital de urgência e emergência da região Oeste do estado. A ação, todavia, vem desagradando aos diretores. Ontem, um deles acusou o médico de ser informante de blogueiro. O endereço dele na rede social é Twiter.com/Yvis_serra.
*
II – Não é escondendo os problemas que eles desaparecerão. Ao contrário, quem reclama busca solução, quem cala ajuda a deixar o caos perene. O HRTM precisa urgentemente de investimentos. Centenas de pessoas dependem de sua estrutura. Buscar melhorias não é querer o mal, é querer o bem.
*
III – Ontem, durante o dia todo, uma equipe de eletricistas tentava decifrar o sistema de fiação do hospital, vez que setores ficaram sem energia após a chuva. Buscavam consertar, mas não sabiam nem por onde começar. “Esse interruptor é da onde?”, questionava um. “E esse fio aqui é pra quê?”, indagava o outro. O único jeito de saber era desligar e esperar, pelo rádio, a reclamação do setor atingido. Desligaram um interruptor e dali a pouco alguém no rádio disse: “Manutenção, faltou energia no Primeiros Socorros”. Então eles anotavam que o interruptor era daquele setor, e assim sucessivamente. Imaginem aí a agonia de desligarem a energia de uma UTI ou de um Centro Cirúrgico. Mas esse foi o único método encontrado pelos eletricistas, diante do ninho de rato que era a caixa de energia do hospital, com dezenas de interruptores e cabos sem identificação.
*
IV – Em outro ponto do hospital, o médico Ronaldo Fixina orientava uma acompanhante a buscar o Ministério Público, vez que o avô dela, um homem de idade bastante avançada, estava “internado” no corredor, além do mais numa cadeira de rodas. Depois o médico passou a tirar fotos dos pacientes em situação similar. Não sei se as postou em alguma rede social. Também na manhã de ontem foram registrados problemas de infiltração na pediatria e no setor de acolhimento.
*
V – Quem aponta estes problemas busca uma solução. É uma forma de alertar para a necessidade de se investir mais no Hospital Regional Tarcísio Maia. Milhares de pessoas dependem de sua estrutura para realizarem os mais diversos procedimentos. Não basta apenas o esforço dos profissionais que lá trabalham, é preciso estrutura e condições de trabalho.
*
Enquanto isso, circula nas redes sociais a foto de uma “mesa de sinuca” sendo socorrida por uma ambulância. Que mal poderá ter acontecido com ela? Foi violentada pelo companheiro Rui Chapéu? Ou foi atingida por uma bala perdida durante uma briga entre bebuns? É rir para não chorar.
*
No dia 31 de março de 1964 os militares tomavam o poder no Brasil. Era o início de um regime que durou 21 anos. O presidente deposto foi o gaúcho João Goulart, que foi incitado por generais amigos a resistir, mas preferiu “ir pescar no Rio Uruguai”, como disse Leonel Brizola, seu cunhado. Na realidade, disse Jango: “Se a minha presença no governo for à custa de derramamento de sangue, prefiro me retirar”.
*
Muitas ruas e avenidas de Mossoró ficaram intransitáveis após a chuva de sábado. A imagem acima mostra a Avenida Dr João Marcelino, proximidades do colégio Diocesano. Muitos carros ficaram no “prego” ao tentarem atravessar as ruas alagadas. Um deles no cruzamento das avenidas João da Escóssia com a Diocesana, um dos pontos de maior fluxo da cidade.