Um momento oportuno para falarmos de assédio sexual.

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Sempre houve uma ou outra voz feminina se levantando contra o assédio sexual, mas de 2017 para cá o movimento contra esse tipo de abuso ganhou mais corpo e se universalizou. Ainda bem.

Devemos essa universalização, em parte, ao jornalista Ronan Farrow, filho do cineasta Woody Allen, o qual foi acusado de manter relações sexuais com a própria filha.

Após o episódio, Farrow cortou relações com o pai e começou uma cruzada contra o assédio sexual, especialmente no mundo cinematográfico.

A partir de algumas denúncias, ele começou a investigar o produtor de cinema Harvey Weinstein (na foto, sendo preso), o poderosíssimo fundador da Miramax.

Ele encontrou muitas dificuldades para ouvir testemunhas, vítimas e colher documentos. Além de tudo, recebia ameaças rotineiras, o que o fez mudar de endereço e morar num apartamento cedido por uma amiga, num lugar distante.

Farrow também penou para conseguir que algum órgão de imprensa encampasse a sua luta, dando-lhe guarida e publicando seus textos.

No trabalho de apuração, o jornalista, após muita insistência, conseguiu falar com algumas atrizes que foram vítimas do produtor Weinstein, entre elas Mira Sorvino, Rosanna Arquette e Asia Argento.

As três relataram histórias bem parecidas. Disseram que o produtor as chamavam para uma reunião em algum hotel, e quando elas chegavam pedia que subissem até seu quarto. Lá, ele as recebia apenas de roupão e então partia para o assédio explícito, dizendo que se quisessem continuar fazendo filmes teriam que transar com ele, que muitas já tinham feito isso e hoje eram atrizes de sucesso. Por outro lado, dizia que a negativa delas representaria o fim de suas carreiras, pois era ele quem decidia tudo em Hollywood, o que de fato era verdade.

As atrizes Mira Sorvino e Rosanna Arquette não se renderam às investidas. Já Asia Argento disse que ficou algumas vezes com o produtor, mas por medo. Depois decidindo denunciá-lo.

Apesar de todas as ameaças e dificuldades, o jornalista Ronan Farrow conseguiu publicar uma extensa e rica matéria na revista New Yorker contando tudo. Outros órgãos de imprensa também começaram a tratar do assunto, isso no segundo semestre de 2017.

O produtor chegou a ser preso, mas foi solto mediante fiança.

A revelação da história deu coragem para que outras mulheres também denunciassem casos de assédio sexual. Surgiu o movimento #MeToo, que no Brasil ganhou o nome de “Não É Não”.

A história é contada com riqueza de detalhes no livro “Operação Abafa: Predadores Sexuais e a Indústria do Silêncio”, escrito por Ronan Farrow. A obra foi lançada no mês passado.

Fiz questão de relembrar esse episódio exatamente neste período, onde a incidência de assédio e de abusos é muito alta.

Mulheres, mesmo alteradas pela bebida, não são obrigadas a fazer nada que elas não queiram. Aceite o não e parta para uma nova investida, sempre com respeito e limite. Jogue seu desdobro sem ser ameaçador, agressivo e insistente. Há formas educadas e inteligentes de conquistar uma mulher, acredite.

Bom carnaval a todos… e “não é não”.

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