Racionalidades – 87ª edição.

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A PATERNIDADE DA UTI – A celeuma da semana envolveu a deputada estadual Isolda Dantas (PT). Ela usou suas redes sociais para informar acerca da instalação de 20 novos leitos de UTI no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), sugerindo que também se tratava de uma conquista sua, sem mostrar maiores detalhes de qual teria sido sua participação.

Logo seu post passou a receber comentários de opositores ao seu mandato, especialmente pessoas ligadas à prefeita Rosalba Ciarlini (PP), dizendo que ela nada tinha a ver com os novos leitos, que eles eram frutos do esforço da iniciativa privada etc.

Nem a deputada e nem os opositores.

Em nota publicada no blog do jornalista Bruno Barreto, a diretora do hospital, Herbênia Ferreira, esclareceu a situação. Disse que a instalação dos novos leitos foi um somatório de forças, remetendo, inclusive, ao ex-governador Robinson Faria (PSD).

Na nota, ela cita a classe empresarial, que teria doado R$ 36 mil para os móveis planejados; o governo do estado, pela doação de equipamentos, maquinários e da disponibilização de profissionais da área de saúde; além de pequenos doadores. A união dos citados foi a responsável pelos 20 novos leitos de UTI.

Assim, também mentem aqueles que atribuem unicamente aos empresários e à iniciativa privada no geral a instalação dos novos leitos.

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O BOM MESMO da história é que os pacientes de Mossoró e região passaram a contar com mais leitos para tratar os pacientes de Covid-19. Sabemos que a maior causa de mortalidade da doença tem a ver com a capacidade limitada de atendimento por parte do sistema de saúde, aqui e no mundo.

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TODOS NÓS VIMOS e ficamos chocados com o grande número de vítimas na Itália, um país onde há 3,2 leitos para cada mil habitantes. No Brasil, onde a pandemia ainda não alcançou seu pico, esse número é de 1,9. Na Coreia do Sul, onde o número de mortos foi bem aquém da média mundial, o número de leitos é de 12,3 por cada mil habitantes.

Ter uma boa estrutura de saúde faz toda a diferença, especialmente de saúde pública. Nos EUA, apesar do avançado sistema de saúde, ele é restrito a quem tem plano de saúde ou condições de pagar um tratamento particular, salvo algumas exceções. Assim, os milhares de habitantes que não têm condições de pagar o atendimento, não possuem planos e não se encaixam nas exceções, morrem à míngua, em casa, sufocados.

O brasileiro deve todo dia se ajoelhar e agradecer pelo Sistema Único de Saúde, de atendimento público e universal, criado no final dos anos 80.

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ANTES DO SUS, o atendimento na rede hospitalar era restrito a quem pagasse pelo atendimento ou então fosse contribuinte do extinto INPS. O atendimento gratuito era realizado apenas pelas santas casas e pelas poucas entidades filantrópicas, que não davam conta da demanda. Isso explica porque muitos de nós, bem como nossos pais e avós nasceram em casa, com ajuda de parteiras.

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NUMA CHARGE MUITO BEM BOLADA, se não me engano publicada num jornal inglês, o coronavírus comenta com outros vírus que ele não veio ao mundo necessariamente para matar, mas apenas para mostrar a precariedade dos sistemas de saúde no mundo. Simplesmente genial. É mais ou menos por aí.

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O PERIGO DE NÃO REABRIR – Ao falar esta semana com um dono de restaurante com atuação em Mossoró, e que diariamente interage com diversos outros comerciantes, ele externou grande preocupação com o futuro dos bares, restaurantes e estabelecimentos afins em nossa cidade.

Falou que as dificuldades são enormes e que alguns já dizem que não reabrirão seus comércios. Irão se salvar apenas aqueles que possuíam alguma reserva e os que conseguiram fazer um empréstimo. Fora isso, é muito difícil reabrir.

Ele disse ainda que conhece alguns comerciantes que atuam no Partage Shopping, os quais demonstram a mesma preocupação, agravada pelo fato de a administração do estabelecimento continuar cobrando todas as taxas de funcionamento. Ele também entende a situação da administração, mas fala que os condôminos realmente não têm condições de pagar, simplesmente porque não estão arrecadando. É o que ele escuta.

Ao final, não descarta a possibilidade de o próprio shopping não reabrir as portas. Situação preocupante.

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O QUE FAZER? – O isolamento social, recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e aplicado em praticamente todo o mundo, causa este terrível efeito colateral, mas, como aprendemos desde a tenra idade, a saúde em primeiro lugar. O que fazer então? Sinceramente não sei, mas soluções devem existir. O que outros países fizeram? O que a China fez? A Itália? Começa por aí, procurar bons exemplos e seguirmos.

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AINDA EM FASE DE TESTES – O presidente Jair Bolsonaro fez pronunciamento na última quarta-feira focando no uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. Ele vem explorando o assunto politicamente, como tudo neste país, sugerindo que ele é a favor do medicamento e a oposição é contra.

Não existe isso. O problema é que a eficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19 ainda não foi comprovada cientificamente. Inclusive, um estudo da renomada Fiocruz concluiu que a taxa de curados de Covid-19 entre os que se trataram com o medicamento e os que dele não fizeram uso foi exatamente a mesma.

Eu torço muito que novos testes sejam feitos e que a cloroquina tenha sua eficácia comprovada para combater a Covid-19, mas até agora a comprovação não existe, pelo contrário, como verificou o estudo da Fiocruz.

Entendo também que seu uso não deve ser proibido. No caso concreto o médico pode sugerir o uso do medicamento ao paciente e este, por sua conta e risco, aceitar.

Em suma, acho que se trata de um assunto que deveria ficar apenas na área da saúde, não entrar no Fla x Flu da política.

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BÍBLIA – No último domingo muitos se alicerçaram num verso bíblico para justificar o jejum defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. Já no pronunciamento de quarta-feira o presidente citou um verso bíblico sobre conhecer a verdade.

Pois bem, aproveitando a onda vou de Levítico (13:46): “Enquanto sofrer de uma doença contagiosa, a pessoa precisará morar sozinha, fora do acampamento”.

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SARS E EBOLA – O surto do Sars em 2003 infectou 08 mil pessoas e matou menos de 800. O de ebola (até 2016) matou mais de 11 mil, e com uma peculiaridade: ela acabou por si só, sem remédio e nem vacina, isso em razão da imunidade adquirida pela população.

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PESQUISAS – Não sei se você se lembra, mas no início dos anos 2000 as pesquisas eleitorais perguntavam em quem o entrevistado iria votar e também quem ele acharia que ganharia. A segunda pergunta, que representava a percepção do eleitorado, era bem interessante, talvez dissesse até mais do que a pergunta básica. Significava que a pessoa iria votar em Afonso, mas achava que Sérgio seria o ganhador. Desta forma era fácil concluir que Sérgio estava praticamente eleito.

Trazendo para os nossos dias, tenho certeza que, numa pesquisa para prefeito, aquele que não vota em Rosalba (PP) responde, na segunda pergunta, que ela ganha.

Não sei por qual razão, contudo, essa pergunta deixou de ser feita pelos institutos de pesquisa. Alguém aí sabe?

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INTEGRAL OU COMUM? – Dia desses um amigo me falou que só comia arroz integral, pois não engorda. Ele não foi o primeiro a me dizer coisas assim. Certa vez outro disse o mesmo, mas em relação aos pães.

Na verdade, as versões comum e integral possuem praticamente o mesmo valor calórico. A vantagem da versão integral é o fato de ela ser rica em fibras, o que regula o funcionamento do intestino e aumenta a saciedade, além de ter mais nutrientes. No caso do arroz, o integral tem bem mais magnésio e potássio do que a versão normal.

Em suma, o produto integral é mais nutritivo e garante maior saciedade, mas o valor calórico é o mesmo do produto tradicional.

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CURIOSIDADE – Muita gente se pergunta por que a embalagem padrão de óleo de cozinha tem 900 ml. Por que não um litro? O segredo está na máquina utilizada para encher os vasilhames.

No início, todas as máquinas eram compradas dos EUA, país que adota o sistema imperial, com as medidas em libras, jardas, onças, milhas, polegadas etc.

Lá, o óleo de cozinha é medido em galão, que equivale a 3,6 litros. Desta forma, as máquinas utilizadas para preencher os vasilhames vinham com esta medida, bem como suas frações. A solução adotada pelos brasileiros foi vender vasilhames de 900 ml, que representa ¼ de um galão, a quantidade mais próxima de um litro.

Claro que atualmente as máquinas colocam a quantidade que o fabricante quiser, até 473 ml, mas o costume ficou e até hoje a maioria dos vasilhames de óleo de cozinha são de 900 ml.

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NA NETFLIX E GLOBOPLAY – A série The Affair, que já acabou na quinta temporada, tem ritmo de novela. Você pode ir fazer xixi ou ir beber água sem precisar pausar. Como o próprio nome diz, trata-se de um relacionamento extraconjugal, de lado a lado, entre um professor da “cidade grande” e uma garçonete de uma pequena cidade turística, isso durante as férias de verão.

A série traz todas as situações comuns em casos assim: desconfiança em razão das mudanças de comportamento, os riscos, as dúvidas, incertezas.

Até agora estou achando interessante, mas não posso dizer se é boa ou ruim. Até a hora em que escrevo este post eu só assisti a 08 episódios de 10, da primeira temporada. Cada episódio com aproximadamente 55 minutos de duração. Ela evolui muito bem, a expectativa é a melhor possível.

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FRASE – “Políticos são como peixes em aquário, vivem permanentemente em exposição”. (Lúcia Hippolito, jornalista).

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).