MAIS REAL, MENOS VIRTUAL

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De uns anos para cá a minha vida – e a de vocês também – mudou completamente. Vivemos constantemente sem tempo. Falta tempo para passear mais com a família, para fazer visitas de calçada, para conversar com o vizinho, com a empregada, para ouvir música etc.

 

O cidadão atual vive atolado no Orkut, e-mails, Twitter, blog, MSN, sites…

 

Tem que diariamente ver e responder os recados no Orkut, atualizar blog, movimentar o Twitter, checar e-mails (no mínimo três), ler jornais, sites, blogs, revistas. Tudo para se manter informado, pois a sociedade exige que o cidadão atual saiba tudo que está acontecendo, seja no seu bairro ou no Iraque.

 

Além do uso para se inteirar do que está acontecendo, a net também é usada para se relacionar com pessoas, e é esta faceta a que mais me causa inquietação. Esses contatos apenas virtuais me incomodam. Passamos nossa vida em frente à tela do computador. Quem está fora, como nossas avós, não entende como um objeto (o computador) pode consumir tanto uma pessoa.

 

Minha cunhada, Ana Paula Pinheiro, disse certa vez algo que ficou gravado em mim até hoje. “O computador nos deixa muito individualistas”. A professora Ana Paula, que tem computador com Internet em casa, usa a máquina apenas para seus trabalhos escolares, seja para digitar ou pesquisar. Muito raramente fica navegando a esmo, como a maioria faz. Suspeito que ela esteja certa.

 

Nesta semana fui fazer uma diligência na zona rural e ao chegar à residência encontrei duas crianças brincando no terreiro, o pai descansando numa rede e a esposa preparando o jantar, com o auxílio da filha adolescente. Quando já estava de saída, ouvi quando a mãe chamou as crianças para dar-lhes banho e depois sentarem todos à calçada esperando a hora do jantar.  

 

Saí de lá com uma frase na cabeça: “Isso que é vida”.

 

Daqui em diante procurarei ser mais real e menos virtual. Sou um esposo e pai presente, mas procurarei sê-lo ainda mais. Vou me planejar melhor, me policiar quanto a horários na net. Nessa crise do tempo, irei “sacrificar” algumas horas na net para poder montar mais quebra-cabeça com minha pequena Dépane Maria, para poder sentar à calçada com minha esposa e vizinhos, para visitar amigos, para ir ao culto ou a missa etc. Coisas que me façam sentir real, de carne e osso.

 

Hoje teremos reunião do COPÃO, que também é uma oportunidade de conversar a moda antiga, com pessoas em carne e osso. Isso é bom.

 

Então, desde já peço desculpas a alguns jornalistas, blogueiros etc, pois terei que sacrificar alguns deles em nome da necessidade de ser humano, de ser real.

 

8 Comentários

  1. Eis o grande problema do mundo atual: o ser humano ser “mais
    humano”, só! Estamos sendo consumido pelas máquinas. Vou copiar a sua idéia, desligarei a máquina agora e só a ligarei segunda-feira. Bom final de semana a todos, divirtam-se, de forma bem REAL!

  2. Amigo, a esta hora estás aboletado na reunião hebdomadária, o COPÃO; longe de mim querer admoestá-lo, mas sentar-se na calçada com vizinhos o põe vulnerável a assaltos. Se for mesmo fazer, será de bom alvitre que todos os ângulos da rua fiquem sob domínio de ao menos uma pessoa – apesar de que uma dupla de moto se aproxima numa velocidade impressionante, e se for para fazer o mal aí é que é ligeiro. Meu falecido pai tinha esse costume, mas cuidava de envolver um machado num saco de papel, o qual mantinha sempre à mão; disfarçava bem, parecia um saco velho trazido pelo vento, mas na verdade escondia uma arma que poderia vir a ser usada, se necessário, e tão somente para defesa. Obviamente, se o amigo dispuser de – por exemplo – uma espingarda calibre .12, será bom mantê-la a seu alcance; cautela nunca é demais. Vai que aparece um cachorro doido, ou um boi brabo, você tem como evitar uma tragédia. Uma vez lá em Areia Branca eu tava jogando uma partida de xadrez com um amigo na área da casa dele e eis que entra uma vaca lá! Ainda bem que era um animal manso, nem zoada fazia, mas incomodou. Assim, é bom deixar todos os sentidos em alerta, sem baixar a guarda, como costuma-se dizer.

  3. Violência gera violência, caro Juarez Belém. Você não pode censurar os assaltantes se recomenda fazer uso de uma escopeta 12. Estamos no Século XXI, meu caro, e nunca na idade da pedra lascada.

  4. Tio mais um belo Poster, isso é a mais pura verdade, pena que na maioria das vezes so podemos usufruir de certas coisas na zona rural mesmo…

  5. A proppósito Erasmo, recordo dos bons tempos quando a Joaquim Nabuco não era nem pavimentada e sentávamos à calçada para conversar miolo de pote. Imagine só, sou da época da “bodega” do Luiz Jorge, da “bodega” do Titonho…
    Registro que em época mais recente tive o prazer de ter sua família como vizinha naquela rua, gozando do privilégio da amizade da sua irmã Dilene, a qual sempre me falava com orgulho do Erasmo Carlos.
    Hoje aqui em Teresina, no querido e acolhedor Estado do Piauí, dividendo meu tempo entre pesquisa na NET a uma Promotoria da Fazenda Pública, queixo-me também do tempo que parece restar encolhido, compreendendo as justas reclamações da minha esposa e dos três maravilhosos filhos.
    PS. Em breve estarei nesta querida cidade, pois a Dona Alcdeci (minha mãe)ainda mora naquela mesma rua. Um abraço.
    Hugo Cardoso

  6. Prezado Hugo Cardoso, que satisfação ler esta sua mensagem. Bons tempos aqueles em que saboreávamos as cocadas de seu Luiz Jorge e conversávamos pelas calçadas das casas da rua Joaquim Nabuco. Muitas histórias. Bom saber que daquela turma saíram pessoas que hoje estão bem profissionalmente. Quando aterrissar aqui por Mossorá mantenha contato.

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