A Hora da Estrela – Clarice Lispector – (103p – eBook).
Lançado em 1977, meses antes da morte da autora, “A Hora da Estrela” está na tradicional lista de livros mais vendidos da semana da revista Veja. Na obra, Clarice optou por incorporar um narrador que conversa com o leitor, dizendo o que vai fazer, tipo: “Vou dizer para vocês como foi a vida de Macabéa, mas não sei se direi tudo, depende do meu espírito. Ela nasceu no interior de Alagoas…”. Essa frase não está no livro, mas é mais ou menos assim. O narrador, de nome Rodrigo S. M., passa o livro inteiro conversando com o leitor.
Bem, Macabéa, nordestina que foi morar na zona portuária do Rio de Janeiro, não viveu muito, pelos meus cálculos uns 20 anos, se muito. Era uma pobre-coitada, nunca venceu na vida, uma “nordestina amarelada”, vazia de conteúdo, sem experiência em nada, inocente, tinha uma vida horrível, de muito sofrimento e desprezo.
Aos 10 anos já não tinha pai nem mãe, foi criada por uma tia, que mais parecia uma madrasta má. No Rio de Janeiro arranjou um emprego de datilógrafa, que mantinha em razão da compaixão do chefe, pois não possuía sabedoria para tal ofício. Chegou a engrenar um namoro com Olímpico, mas ele a deixou dizendo que ela era como sopa com cabelo, não dava vontade de comer.
Após indicação de uma colega de trabalho, atual namorada de Olímpico, foi consultar uma cartomante, da qual ouviu: “Que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!”.
Durante a sessão, contudo, a cartomante prevê um futuro feliz para Macabéa, que ela vai encontrar um estrangeiro bonito e com ele viverá para sempre, um conto de fadas. Na saída, ao atravessar a rua, é atropelada por um carro e morre.
A única felicidade que Macabéa teve em toda a vida foi ter visto um arco-íris no cais do porto.
O livro está disponível gratuitamente no Kindle para assinantes.