Os quadros “um dia de princesa” e “um dia de príncipe” são comuns em programas televisivos, até mesmo o canal local da TCM já os exibiu. Geralmente o participante é escolhido num sorteio ou é o ganhador de alguma promoção. O roteiro é sempre o mesmo: a princesa é levada para uma boutique chique, de onde sai com um sem número de sacolas, todas “gritando” o nome da marca e em seguida é levada para um centro de estética, um cabeleireiro, um maquiador, um restaurante chique e depois volta para casa, onde encontra móveis e aparelhos eletrônicos novos. Em todas as fases o nome do patrocinador é mostrado com grande destaque. Os contemplados se mostram felizes e agradecem ao maravilhoso dia que tiveram.
Tais situações, segundo a psicologia, podem causar estrago irreparável na vida da “princesa”, sobretudo se ela for pobre e tiver tido acesso aos bens e serviços pela primeira vez. Os filósofos antigos já pregavam que o segredo da felicidade é se contentar com pouco, assim, é alegre aquele que se sente realizado ao ver um pôr-do-sol, ao saborear uma boa fruta, ao brincar com o filho, as ler um livro, ao ouvir uma música etc. De forma contrária, jamais será feliz aquele que aufere um salário-mínimo/mês e sonha em passar uma semana em Paris ou adquirir uma camionete de luxo. Como muito provavelmente ele não conseguirá realizar seus sonhos, a frustração passa a nortear sua vida, tornando-lhe uma pessoa azeda, amargurada e mal-humorada.
É justamente isso que acontece nos quadros acima mencionados, onde uma moça pobre é levada a conhecer um mundo do qual ela nunca mais terá acesso, causando-lhe uma frustração eterna, até porque a maioria dos participantes são jovens que ainda não possuem amadurecimento suficiente para discernir o provável do impossível.
Uma resposta
Verdade! Pena que na modernidade as pessoas sejam instruídas a valorizarem somente o material. E a medida do ter nunca enche.