Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

24 de janeiro de 2010
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INÍCIO DO CAMPEONATO ESTADUAL DO RN, A POLÊMICA QUE SÓ EXISTE EM MOSSORÓ – Na semana passada mostramos que os campeonatos estaduais no Brasil começaram em 1902 quando o “Paulistão” teve a sua primeira peleja. Naquele ano eram (por décadas foi assim) cinco equipes da capital. Também falamos da estréia do Campeonato Carioca, em 1906, que na sua primeira etapa só contava com times da cidade maravilhosa. Foi assim até a unificação do Estado da Guanabara e o Estado do Rio de Janeiro (a cidade do Rio de Janeiro era somente o Distrito Federal como é Brasília nos dias atuais e permaneceu cidade isolada mesmo após a mudança de capital em 1961), em 1975. Mesmo assim ninguém reduz o número de títulos estaduais de Vasco, Flamengo, Fluminense, Botafogo, América e Bangu.

A maior parte dos estaduais do Brasil foi com história semelhante. A competição começou com clubes da capital e aos poucos foi sendo aberta para times do interior.

No entanto, por puro bairrismo, setores da imprensa de Mossoró praticam a desinformação ao público dizendo que o Campeonato Estadual só começou em 1974 quando o Potiguar teve a primeira participação no certame. É como se tudo que houve nos outros 55 anos não valesse. É bom frisar, que um time do interior do Estado só conquistou o campeonato em 2001 (méritos para o Corítians –sem “H” mesmo- de Caicó). O Potiguar de Mossoró só levantou a taça três anos depois.

A primeira competição de caráter nacional realizada no país foi a Taça Brasil, que dava vaga para a Libertadores da América. O critério de classificação era parecido com o da Copa do Brasil levando em conta os campeonatos estaduais. O ABC campeão estadual de 1958 representou o Rio Grande do Norte na Taça Brasil de 1959 sendo eliminado na primeira fase pelo Ceará. A competição foi vencida pelo Bahia que derrotou o Santos de Pelé na final e foi o primeiro representante brasileiro na Libertadores da América do ano seguinte.

O Campeonato Estadual do Rio Grande do Norte é organizado pela mesma entidade desde 1919, a Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF). Entidade teve o nome alterado várias vezes por conta das seguidas mudanças de regime jurídico das leis que regem o esporte no país. Sua ata de fundação é datada em 14 de julho de 1918, com o nome de Liga de Desportos Terrestres do Rio Grande do Norte. A Federação também já foi chamada de Associação Rio-grandense de Atletismo (é bom frisar que atletismo pode ser considerada qualquer atividade esportiva e não só salto, corrida, etc…) e também de Federação Norteriograndense de Desportos (FND) – é bom frisar que a CBF só foi criada em 1979, antes tudo era regido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD).

CONTROVÉRSIAS – É claro que desde 1919 há campeonatos questionados, assim como em vários estados brasileiros (Por exemplo: o Carioca de 1907 até hoje é alvo de polêmica entre Fluminense e Botafogo- O título é considerado dividido desde 1990). O de 1924 tem o título atribuído ao Alecrim, mas os americanos até os dias atuais reivindicam o caneco. O América também reivindica o título estadual de 1943 atribuído ao Santa Cruz (não é o atual participante do estadual). No entanto o Santa Cruz é declarado campeão por ter vencido os dois turnos disputados. Os campeonatos de 1928/29 vencidos pelo ABC são contestados porque foram encerrados antes do término e o alvinegro foi declarado campeão por ter a melhor campanha (as interrupções foram para prepara a seleção potiguar no Campeonato Brasileiro de Seleções). O decacampeonato do ABC (1932/41) tem vários títulos contestados pelo América (sim, o Alvirrubro natalense participou de todas as edições ao contrário da lenda), no entanto sem qualquer argumento forte o suficiente.

Obs.: O assunto é polêmica e ótimo para uma boa conversa desapaixonada (ou com paixão mesmo) entre amigos. Quem discorda pode deixar comentários ou se preferir dar o pitaco no barreto269@hotmail.com

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Uma resposta

  1. Uma mentira, contada inúmeras vezes, pode vir a ser confundida com a verdade. Hoje mesmo (domingo, 24) a Globo mostrou pela décima milionésima vez o gol de Petkovick contra o VASCO DA GAMA – RJ, na final do campeonato estadual do Rio de Janeiro de 2001, como se ainda não o houvéssemos visto – o que não diz é que a falta que o originou não foi real, e sim uma mera invencionice da arbitragem. Sempre que vejo isso me lembro de um fato acontrecido em São Paulo no distante ano de 1959, que já apresentei aqui. A matéria tentava incutir da mente das pessoas que Vágner Love vai fazer história no Flamengo (assim como iriam também “Bujica”, Sávio, Mancuso, Edmundo, Cincunégui, Zico, e outros pernas-de-pau que só saíram do anonimato porque o aparato da imprensa favoreceu), repetindo a brincadeira sempre que há uma nova contratação. De minha parte, fiquei imensamente satisfeito por tal acontecimento, eu que agora sou vascaíno. Aliás, acho que todo vascaíno que se preze não quer ver Vágner Love nem no banco de reservas do VASCO DA GAMA – RJ, mas como foi contratado pelo Flamengo, a imprensa faz questão de dizer que foi um excelente negócio, esquecendo-se que foi seu maior jogador quem botou o Brasil para fora de uma Copa do Mundo. A mesma matéria já diz que a dupla com Adriano é a melhor do Brasil, e assim estão diminuindo, porque em 1995 eram Romário, Sávio e Edmundo, O MELHOR ATAQUE DO MUNDO, que, como se sabe, decepcionou mais uma vez a torcida e, no ano do centenário, ficou sem título algum, mesmo contando com a “ASSISTÊNCIA REMOTA”. Finalmente, como não poderia deixar de ser, respondendo a perguntas capciosas, o atacante desdenhou o VASCO DA GAMA – RJ, onde foi rejeitado, segundo ele mesmo.

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