Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

4 de junho de 2010
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Olá, como vão vocês? Hoje é sexta-feira, dia do hamster sair do círculo, do cavalo sair da pista do jóquei, é folga depois do expediente. Chame o menino!! Hoje tem reunião do COPÃO, a confraria mais coisada das bandas do Oeste. A reunião de hoje será no PICANHA GRIL.

O COPÃO junta tuiteiros, blogueiros, jornalistas, ativistas, advogados, líderes religiosos, mulheres em trabalho de parto, atores de Hollywood, pessoas assombradas, cuspidores de fogo, motoristas de carreta, maquiadores e outros profissionais.

O acesso é livre. Basta ir e pronto. Juntar-se a turma e falar de tudo, de Lady Laura a Lady Gaga, passando por Lady Di.   

Espero vocês por lá…

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Receita para se fazer uma coluna social: comprometer-se a escrever nove ou dez notinhas. Três destas devem ser para felicitar os aniversariantes do dia (há pessoas que aniversariam umas quatro ou cinco vezes ao ano); três para dizer quem estava em algumas destas festas de beijinhos falsos; outras três para fomentar algum evento idealizado por um outro colunista amigo; não esquecer de escrever uma nota com alguma mensagem indecifrável, tipo: “hoje acordei mais triste, infelizmente o pássaro de asas verdejantes pairou no bosque das pessoas que dizem sim”.

Claro que há exceções, tem um colunista social que só escreve sobre três assuntos: carnavais fora de época, modelos e desfiles, além de enaltecer exageradamente um colateral de segundo grau. Um outro dedica sua coluna dominical a informar o que comer em alguns restaurantes da cidade (coluna social ou cardápio?). Uma outra é nossa Hebe Camargo: todo mundo é uma gracinha.

Claro que há os fomentadores. Pessoas que não conseguem viver sem aparecer na coluna social. Há uma senhora que tem de sair diariamente em alguma das quase cem colunas. Meu tio Colorau acha que é promessa. Há um outro, de uma escola, que promove festa até para comemorar o dia do feijão carioquinha, tudo isso para aparecer nas colunas.

O fato é que recebo inúmeros e-mails de pessoas se mostrando indignadas com o conteúdo de nossas colunas sociais, sobretudo pelo fato de elas trazerem sempre as mesmas as mesmas as mesmas as mesmas as mesmas as mesmas pessoas. Entendem que as colunas deveriam divulgar fatos interessantes e não se limitar às peripécias dos amiguinhos.

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E vamos às semelhanças:

 max rodrigues x homem aranha

Semelhança 2

Semelhança 3

felipao_gene_hackman

careca_paulo_betti

tuca x cartunista miguel paiva

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Panléxico dos colunistas sociais – Lendo nossas colunas sociais pude constatar que os colunistas sempre utilizam as mesmas palavras (e que palavras!). Acredito até que se esses vocábulos tivessem o uso proibido, muitos colunistas não saberiam mais o que fazer. Eis alguns exemplos irados (como diz o Macaco Simão) de tais palavras: Anotamos a presença (não sabia que nas festas se faziam chamadas); galerinha teen; in (já está caindo em desuso, mas ainda utilizam); looking; promete muitas novidades (querendo enaltecer uma loja); vai ser demais (querendo enaltecer um evento); dividindo o tempo entre; fique ligado; Prometeaur (cada dia tem um novo); cuidar de todo o material da festa; cheinha de planos; toda-linda ou todo-lindo (dizem isso mesmo que a pessoa seja um Frankenstein); todos os vivas; vai ser um barato; níver (essa é incomparável); muito bacana; euzinha (auto-mimo); modelitos exclusivos (exemplo típico de enganação); finesse (risível); glamour e elegância (igualmente risível); ela vai arrasar; enlace (eles adoram esses enlaces); confirmou presença; chique; gatíssimo (lembra do Frankenstein?); dica; ela merece (nós é que não merecemos); a turminha alinhada; oficializar a união; cerimônia; recepção (eles também adoram recepções); fim-de-semana; recém-chegada dos States (e daí?); cuidando de seu look (e daí? 2); hair e make-up; vipérrimo (exagerando); holofotes (tipo Hollywood?); galerinha (essa eu concordo, a palavra é galerinha mesmo); geeeente; bárbara (você ainda não esqueceu do Frankenstein, né?); celebrando idade nova (difícil é celebrar idade velha); muita animação; convidados vip; queridinho; chiquê (que é diferente de chique).

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E aquela moça tem tanta celulite que se dermos um tapinha na bunda dela no Natal só vai parar de tremer no Ano Novo…

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E já está à venda o Álbum de Figurinhas do COPÃO. Vejam alguns exemplos:

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Acima, o resultado da faxina mensal feita por um dos integrantes do COPÃO. Dê um chute. Uma dica: tem no sobrenome o nome de um país europeu.

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O golpe da festa surpresa – Há muitas festas surpresas para os colunistas sociais. O detalhe intrigante destas festas é que elas são planejadas pelo próprio colunista aniversariante. Funciona assim: faltando 26 dias para o colunista completar mais um ano de vida, este manda que um amigo (se é que existe amizade neste meio) ou um adestrado bata à porta de algum colunável. O enviado informa que os amigos privê do colunista estão preparando uma festa surpresa para este, pedindo ao final uma contribuição, pois o colunável – segundo argumentam na ocasião da súplica – é uma pessoa muito importante para a sociedade e especialmente para o colunista aniversariante. Como dizem que a festa vai ser o maior desbunde, pedem uma contribuição generosa.

Óbvio que o visitado sabe que tudo ali é enrolação, não existe nada de surpresa, mas ele finge acreditar e lança sua proposta: darei minha contribuição, mas quero que minha foto ou nome (dependendo da contribuição) seja publicada quando for feita a cobertura da festa.

Como as contribuições são muitas e o espaço na coluna é pouco, a festa “surpresa” repercute na coluna do aniversariante por uns 4 ou 5 dias. Isso para que possa ser publicada a foto ou nome de todos os colaboradores.

É difícil entrar um novato neste esquema, fica complicado explicar que as festas surpresas não são surpresas e que as contribuições valem uma foto na cobertura da festa. Daí as colunas serem habitadas sempre pelas mesmas pessoas.

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Ui…

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E vamos que vamos, mais tarde a gente conversa e sorri lá no PICANHA GRILL, ali ao lado da praça do Rotary.

OBS. Contribuíram com este post: Túlio Ratto e Hélito Honorato.

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Respostas de 7

  1. Caro Erasmo Sued, outras frases usadas por colunistas sociais: “comandando mesa animada”, “in front new geração”, “arrasou”, “maravilhosa(o)”, “o bacana ou a bacana”, “hoje tem reunião do COPÃO”, “a confrafia mais isso, mais aquilo”, “alinhado”, “bárbaro”, entre outras pérolas…

  2. Tio colorau , qual é a sensação de sair uma foto sua nas colunas sociais ? deve massagear o ego ?
    a tal ponto das pessoa pagarem pra ter fotos divulgadas nas ditas colunas ? o que o COPÃO faz nas sextas feiras não é puro colunismo social ? será que o COPÃO é a banda B do colunismo social de Mossoró ?

  3. E aí, Erasmo, estou me programando para ver o pessoal. Forte abraço.

  4. Erasmo, sou seu fã!!! Você sabe uma de um oportunista, “ops” colunista social que solicitou um mimo (1 cx de whisky J. Black), a um mega-empresário da ind. salineira p/ uma festinha sua, e que o empresário negou-se a presteza????? Depois saiu notinhas em sua “prestigiada” coluna que o mesmo estava quebrado. Bom demais essas histórias!!!rsrsrsrrsrsrsrs

  5. Outros adjetivos usados pelos colunistas sociais, só que estes bem particulares: “a embaxatriz da elegância”, “o conde”, “a toda boa”, “o ortolindo” e “anjo bom”. Ui.

  6. faça a semelhança de j belmot com a avó de alfinete do panico na tv

  7. OK! OK! OK! Vou destilar agora a Bába da Mordida do Cachorro Doido.

    Tinha um colunista neste país que quando queria elogiar alguém terminava tudo com ÉRRIMO. Alguém lembra quem era o colunista?
    Aluizio Alves demitiu ele do jornal porque um certo dia, o colunista fez um “rasgado” elogio a uma dondoca. Enquanto ligava para a “Lady” acertando a “pontinha” que iria receber, esqueceu de soltar a tecla do referido “elogio” patenteado por ele mesmo. O jornal saiu no outro dia pesando vinte quilos. A letra É saiu em quase cento e oitenta páginas. O Bacurau Rei falou prá ele: ” Seu Viadééééééééééérrimo, com esse prejuizééééééééééééééééérrimo você tá demitééééééééééééérrimo da minha Tribunééééééééééérrima.

    Eu tanto aumento como invento.

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