Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

19 de maio de 2009
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No último domingo o jornalista Cid Augusto abrilhantou o jornal O Mossoroense com um hilariante texto sobre a buraqueira em Mossoró. Deleitem-se:

 

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NO BURACO — UMA OBRA DE FICÇÃO NADA CIENTÍFICA

 

Ministério Público – Vamos instaurar procedimento para investigar se os buracos foram licitados de acordo com a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993.

 

Antônio Francisco – A Petrobras sinalizou apoio ao meu livro “O buraco em que a fome mora”.

 

Anchieta Costa Lima, interpretado por Zé Luiz – Veja, meu caro, estamos aqui, tête-à-tête, face a face, debruçados sobre a letra fria da norma estampada na tez pálida da celulose, o papel, para terçar lanças sobre a ilicitude das cavidades rotundas cunhadas na pavimentação asfáltica de nossa metrópole.

 

O Homem do Cachimbo – Eu defendo a legalização do buraco.

 

Marcos Ferreira – Falta agora cada buraco receber o nome de um Rosendo.

 

Túlio Ratto – Nem usando aquela canoa atômica, impulsionada pelo remo da pachorra, a papanguzada atravessa o rio de crateras.

 

Leonardo Nogueira – Eu sou terrível, e é bom parar / De desse jeito, me provocar.

 

Jório Nogueira – É incompetência do Capitão Gomes. Cadê que ele manda guinchar os buracos estacionados em lugar proibido?

 

Capitão Gomes – O nobre vereador deveria saber que o trânsito está municipalizado e, sendo assim, o Estado não pode guinchar buraco na circunscrição da prefeitura.

 

Na Usina de Asfalto – Comprei um quilo de asfalto / pra fazer farofa / pra fazer farofafá!

 

Caio Muniz – A poesia está em toda parte, inclusive no seu buraco.

 

Capitão Caverna – Simples: a palavra Mos-so-ró traz um buraco em cada sílaba.

 

Carlos Santos – E assim caminha a humanidade mossoroense, em meio à buraqueira.

 

Karol Poltergeist – Aleluia, It’s raining man… e nossos buracos ficarão abertos até o fim deste ma-ra-vi-lho-so inverno!

 

Luís Alves – Velho, a porra do buraco já está enchendo a porra do meu saco!

 

Claudionor dos Santos – A Câmara, independente sob minha presidência, pode tombar a buraqueira e até tombar na buraqueira, basta o Executivo oficializar o pedido.

 

Kydelmir Dantas – Se a buraqueira existisse em 1927, Mossoró teria economizado na construção de trincheiras para se defender do bando de Lampião.

 

Felipe Caetano – E nós poderíamos criar uma homenagem aos combatentes que lutaram em buraco desconhecido.

 

João Marcelino – Minha parte é montar o “Chuva de Buracos no País de Mossoró”.

 

Rosalba Ciarlini – Meus irmãos buraquenses!

 

Erasmo Firmino – Tio Colorau me disse assim: “Você é doido, mexer no buraco dos políticos”.

 

Gerente de Turismo – Ampliando alguns buracos, chegaremos à China na classe econômica, mas com rapidez.

 

Laércio Eugênio – Apesar da AIDS, da CNBB e dos buracos, os jovens continuam a transar e gozar sem camisinha.

 

Nilo Santos – Depois do jornalismo desejoso, nasce em Mossoró o buraco desejoso.

 

Propaganda da PMM – Tá na cara/ Tá Diferente/ Mossoró, o buraco da gente.

 

Caby da Costa Lima – Perdi três pares de tamanco, garotinho.

 

Sandra Rosado – Agora, sim, vocês estão conhecendo o verdadeiro estilo “arrasa-quarteirão”.

 

Betinho Rosado – E a Justiça ainda quer que eu fique no buraco Democrata.

 

Dança do buraco – Cada um/ No seu buraco…/ Cada um no seu buraco.

 

Larissa Rosado – Somente o TSE para cassar os tais buracos.

 

Francisco Carlos – Não existem buracos. É tudo mentira da oposição.

 

Guerrinha – Buraco? Neeeero!

 

Ravengar – Desafio qualquer pessoa a encontrar minha assinatura num buraco sequer.

 

Otavinho – Fafá, eu gosto de você, Fafá. Você é minha amiga, Fafá, mas eu preciso dizer, Fafá, que meu bairro está magoado porque sua administração, Fafá, rebaixou a Lagoa do Mato para Buraco do Mato.

 

Prefeita Fafá Rosado – Meu filho, isso não é só em Mossoró não. Mas tem nada não, eu sei que meu filho recebeu dinheiro pra vir dizer isso. Eu conheço de longe.

 

Acórdão do TRE – A inauguração de buracos não demonstra potencialidade para influir no pleito municipal.

 

João Buracão – E agora, quem poderá me defender?

 

Freud – Por favor, não me peça explicações. Eu não sou o Chapolin Colorado.

 

Nota do blog: Faltou apenas São Pedro: Deixe-me fora desse chafurdo.

 

 

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Respostas de 4

  1. Drummond:
    “Tinha um buraco no meio do caminho/No meio do caminho tinha um buraco…”

  2. cara ri muito com esse texto de cid augusto.. muito bom.. semelhante ao meu que fiz sobre o que a imprensa mossoroense falaria da gripe suina

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