Down With the System – Serj Tankian – 332p.
O livro de memórias de Serj Tankian, vocalista da banda de nu metal System of a Down, é uma leitura boa até mesmo para quem nunca ouviu uma só música da banda, formada no Sul da Califórnia em 1994.
Serj nasceu no Líbano, país escolhido pelos seus ascendentes para fugir do Genocídio Armênio em 1915. Os avós paternos e maternos de Serj eram armênios e foram perseguidos pelo governo turco (otomano), mas sobreviveram ao genocídio, que matou entre 800 mil e 1,8 milhão de pessoas, dependendo da fonte.
Ao tratar do massacre, em 1943, o jurista Raphael Lemkin cunhou pela primeira vez o termo genocídio.
Aos 7 anos, Serj foi morar nos EUA, para onde seus pais se mudaram em busca de melhores condições de vida, vez que também havia conflitos sangrentos no Líbano.
Nos EUA, estudou numa escola voltada para filhos e netos de armênios, onde conheceu os demais integrantes da banda: Daron Malakian (guitarra), Shavo Odadjian (baixo) e John Dolmayan (bateria).
Tankian se mostra um fervoroso ativista político, sobretudo na luta para que a Turquia reconheça o genocídio, o que nunca aconteceu. Os EUA só reconheceram no governo de Joe Biden, em 2021.
Nestas memórias ele relata vários momentos em que lutou por este reconhecimento junto a presidentes e autoridades de diversos países, além dos vários movimentos que organizou.
Claro que ele também esmiúça a origem da banda; a difícil relação com os demais integrantes, sobretudo o guitarrista Daron, com quem tem uma relação de amor e ódio; o processo criativo; os discos; shows; dia-a-dia nas turnês mundiais; etc.
Além da carreira no SOAD, como a banda é chamada pelos fãs, Serj também lançou discos solo, fez trilhas sonoras para diversos filmes e se dedica à pintura, inclusive com obras em importantes exposições. Tudo isso é detalhado no livro.
A seguir transcrevo uma reflexão bem interessante que ele fez sobre a paternidade:
“Há tantas partes de ser pai sobre as quais as pessoas falam ou escrevem, porém a maioria disso tudo não significa nada até você se ver nesse papel. O amor, o medo e a responsabilidade são tão profundos que é quase impossível explicar a sensação para alguém que não tenha filhos, e desnecessário explicar para as pessoas que têm, então nem vou tentar”.
É um livro muito bom, recomendo, especialmente para quem gosta de música e história.