Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

21 de abril de 2012
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I – Uma lei sancionada no último dia 16 pela presidente Dilma Rousseff declarou o educador Paulo Freire, morto em 1997, patrono da educação brasileira. A publicação foi feita no Diário Oficial da União. O educador e filósofo é considerado um dos principais pensadores da história da pedagogia mundial e influenciou o movimento chamado pedagogia crítica, seus métodos, contudo, são questionados por educadores modernos. Em artigo escrito para o City Journal (Clique aqui), o conceituado escritor Sol Stern faz severas críticas ao idealismo de Freire, tendo como foco um dos principais livros do festejado educador brasileiro, Pedagogia dos Oprimidos.

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II – “O livro não menciona nenhum dos assuntos que ocuparam a cabeça dos reformistas da educação durante o século XX: provas, padrões de ensino, currículo escolar, o papel dos pais na educação, como organizar as escolas, que matérias devem ser estudadas em cada série, qual a melhor maneira de treinar professores, o modo mais efetivo de educar crianças desfavorecidas em todos os níveis. Esse best-seller sobre educação é, ao contrário, um tratado político utópico que clama pelo fim da hegemonia do capitalismo e a criação de uma sociedade sem classes”, escreveu Stern.

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III – O professor Sol Stern alega que Freire nunca teve a mais leve intenção de que pedagogia seja algo que se refira ao dia-a-dia na sala de aula, como análise e pesquisa ou qualquer coisa que se leve a uma melhor produção acadêmica dos alunos. Na realidade, a obra de Freire trata de opressão, luta de classes, a destruição do capitalismo e a necessidade de uma revolução.

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Respostas de 3

  1. Paulo Freira, um grande educador. O sol brilha pra todos, portanto deixe esse Sol aparecer. O Sol, com sua lucidez, deveria brilhar também nas Malvinas. Chispa daqui, colonizadores anglófonos!!!!!!

    City Journal? New York Times? Big shit, just that.

  2. Realmente meu Caro Gilmar Henrique, para os coolonizadores anglófonos, Paulo Freire não foi e nem será, (mesmo porque a obra de Paiulo Freire permanece e permanecerá) nenhum educador, mormente pelo fato de que o projeto político-educacional que permeia o método freire, não apenas era e é libertador, e, sobretudo contrário ao monopólio cultural, político e educacional a que sempre se proprõem os colonizadores disfarçados de educadores tal e qual os da laia e da indicação pretensamente reformadora do Sr. Sol Stern.

    A par disso, transcrevo um pouco, do que realmente versa a Pedagogia Pulo Freire, que durante décdas foi tão covardemente colocada no fundo do báu da vrdaeira infromação crítica, quando não dolosamente desinformada e mal vista pela nossa venal imprensa junto à grande maioria dos brasileiros, sobre os seus verdadeiros críterios e fins, se não vejamos:

    Paulo Freire, um pensador comprometido com a vida, não pensa idéias, e sim a existência. Em Pedagogia do Oprimido relata-nos sua experiência em cinco anos de exílio, mostrando o papel da conscientização, numa educação realmente libertadora, o “medo da liberdade”.

    A luta pelo direito do ser humano, pelo trabalho livre, pela afirmação dos homens como pessoas, só é possível porque a desumanização não é um destino dado, mas resultado de uma “ordem” injusta que gera a violência dos opressores.

    Pode-se ver algumas contradições em relação aos oprimidos e opressores, onde a violência dos opressores torna-os desumanizados, levando os oprimidos, a qualquer momento lutar contra quem os fez menos. Esta luta só tem sentido quando o ser menos, ao buscar sua humanidade, não se sinta também um opressor, mas sim um reconquistador da humanidade em ambos (ser mais e ser menos); sendo aqui a grande tarefa humanista e histórica dos oprimidos, se libertar a si e aos opressores.

    A Pedagogia do Oprimido é uma pedagogia problematizadora, que se apresenta como pedagogia do homem; onde só ela que se pode fazer de generosidade verdadeira, humanista e não “humanitarista” que pode alcançar este objetivo. Ao contrário à Pedagogia que parte dos interesses individuais, egoístas dos opressores camuflados na falsa generosidade, que constrói a desumanização, a Pedagogia libertária.

    Esta pedagogia humanizadora só é possível através da união entre teoria e prática, onde a liderança revolucionária ao invés de sobrepor aos oprimidos e continuar mantendo-os como quase “coisas”, com eles estabelecem uma relação dialógica. Ao alcançarem, na práxis este saber da realidade, se descobrem como seus refazedores permanentes.

    Portanto, a presença dos oprimidos na busca de sua libertação, mais que pseudoparticipação, é o que dever ser: engajamento.

    A educação bancária pode ser vista como uma educação em que o educador é o dono do saber, enquanto o educando é um mero ouvinte, que nada sabe. Enquanto numa educação libertadora ocorre o contrário, onde há interação entre ambos, onde educador e educando acaba aprendendo e ensinando simultaneamente.

    Em uma educação problematizadora, não se transfere, mas sim se compartilha experiências, constrói seres críticos conseguido através do diálogo com o educador, crítico também. O mundo agora é visto com uma nova margem, já não é algo que se fala com falsas palavras, mas o mediatizador dos sujeitos da educação, de que resulte a sua humanização.

    A teoria antidialógica é característica das elites dominadoras. Já a teoria da ação dialógica, ‘diálogo’, faz parte da classe revolucionário-libertadora, onde os sujeitos se encontram para a transformação do mundo.

    A divisão da massa popular é preciso, para a classe opressora, porque sem ela, esta corre o risco de despertar na classe oprimida o sentido de união, que é elemento indispensável à ação libertadora.

    Em se tratando da teoria da ação dialógica vemos que na antidialógica existe um sujeito que domina um objeto e na teoria dialógica existem sujeitos que se encontram para a pronúncia do mundo.

    Daí que, enquanto na ação antidialógica a elite dominadora falseia o mundo para melhor dominá-lo, na dialógica exige o desvelamento do mundo. O desvelamento do mundo e de si mesmas, na práxis verdadeira, possibilita às massas populares a sua adesão. Esta adesão coincide com a confiança que as massas populares começam a ter em si e na liderança revolucionária, pois começam a perceber a dedicação, a veracidade na defesa da libertação dos homens.

    Na teoria dialógica, contrária a antidialógica, a liderança se obriga ainda que insistentemente, em manter união dos oprimidos entre si para a libertação, sendo a práxis o ponto fundamental.

    Na teoria dialógica a liderança se obriga, como num esforço infatigável, manter a união dos oprimidos entre si, e deles com ela, para a libertação. Esta união é importante para que as massas consigam libertar-se da opressão, mas esta, sem a práxis torna-se impossível.

    Ao contrário do que ocorre com a elite opressora, onde sua unidade interna que lhe reforça e organiza o poder, importa a divisão das massas, já para a liderança revolucionária, sua unidade somente existe na unidade das massas entre si e com ela.

    O ato de unir para a libertação é contrário à vontade da classe dominante, por isso torna-se tão difícil, para a liderança revolucionária mantê-la. O primeiro passo para a unificação é desmitificar a realidade, sendo também imprescindível uma forma de ação cultural através da qual conheçam o porquê e o como de sua “aderência” à realidade que lhes dá um conhecimento falso de si mesmos e dela; sendo necessário desideologizar, ou seja, conhecer a verdadeira face do mundo em que vive, exercendo assim, um ato de adesão à práxis verdadeira de transformação da realidade injusta.

    Na teoria dialógica a organização faz-se presente na tentativa da liderança manter um testemunho de que a busca da libertação é uma tarefa comum entre o povo. Este testemunho, por sua vez, humilde e corajoso do exercício de uma tarefa comum evita o risco dos dirigismos antidialógicos. O testemunho, aqui, é uma das conotações principais do caráter cultural e pedagógico da revolução.

    A ação cultural está a serviço da opressão, consciente ou inconscientemente por parte de seus agentes ou está a serviço da libertação dos homens. No objetivo dominador da ação cultural antidialógica não se encontra a possibilidade de superação de seu caráter de ação induzida, bem como no objetivo libertador da ação cultural dialógica, se acha a condição para superar a indução.

    Portanto, se descobrirem através de uma modalidade de ação cultural, problematizadora de si mesmos em seu confronto com o mundo, significa, primeiramente, que se descubra como tal, reconheçam sua identidade com toda significação profunda que tem esta descoberta.

    Uma das falhas, dentre outras que a liderança comete é de não levar em conta a visão do mundo que o povo tem. Já à a liderança revolucionária, o conhecimento desta lhe é indispensável para sua ação, como síntese cultural.

    O que pretende a ação cultural dialógica, não pode ser o desaparecimento da dialeticidade permanência-mudança, mas superar as contradições antagônicas de que resulte a libertação dos homens.

    Assim, como o opressor precisa de uma teoria da ação opressora, os oprimidos, para se libertarem, necessitam de uma teoria de sua ação. Somente na união dele com a liderança revolucionária, na práxis de ambos, é que esta teoria se faz e se re-faz.

    Por fim, chega de anglófonos e americanófilos meter o bedelho em nossa cultura e educação, precisamos, isso sim, de nos aprofundarmos acerca da nossa história, lingua e histórico educacional ,prá que daí possamos ter juntamento com o método Paulo Freire um projeto educaional autêntico, libertador e que leve em conta os valores, que históricamente foram negados a sociedade e a nação brasileiras.

    Um abraço senhores Web-leitores.

    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  3. Como cada um é livre para opinar…sejamos livres também…
    Acho o trabalho de Freire, sua obra, seu pensamento sobre a pedagogia, a educação, etc, muito importantes para levantar debates, sobretudo, reflexões….a crítica que ele faz sobre a educação bancária, (Pedagogia do Oprimido), por exemplo, onde o professor é o detentor do saber e o aluno apenas um depósito para esse saber, é a cara da nossa educação…não se costuma fazer, (nem nos bancos das universidades, que me perdoe quem discordar), com que os alunos reflitam, desconstruam e (re)-construam esses saberes. Não se ensinam aos alunos a pensarem o pq desse saber…a refletir sobre o que está sendo ensinado…e assim, os alunos estão acomodados apenas a receberem uma informação…sem reflexão…por isso ha tantos com preguiça intelectual*….
    Em Pedagogia da Autonomia, Freire defende também essa questão da construção do conhecimento…que o educador não seja apenas um transmissor do saber, mas que ele seja um sujeito onde ele educa e é educado também, ou seja, que ambos (aluno e professor) passem por esse processo de aprendizagem…o aluno aprende, mas o professor também…o professor, segundo Freire, é além de um mero transmissor, ele é um instigador, é um estimulador de seu educando a uma prática crítico-reflexiva, sobretudo, de sua própria realidade…são esses educadores, e esses alunos que necessitamos…
    Um grande abraço Tio.

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