Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

21 de agosto de 2025
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Raul-Seixas

O ano era 1979. Raul Seixas vivia o pior momento de sua vida. Estava consumindo cocaína em demasia, o que era atípico, pois seu vício maior sempre foi em álcool. Nessa época ele juntou os dois. Sua segunda mulher, Glória Vaquer, o deixou, pelos mesmos motivos que a primeira, Edith Wisner, já tinha lhe deixado: excesso de farras e abuso do álcool.

Nessa época barra-pesada ele andava com um argentino chamado Oscar Rasmussen, que conhecia o submundo das drogas no Baixo Leblon. Inclusive ele morava com Raul Seixas na época em que um crime de homicídio ocorreu no apartamento do cantor, quando Cláudio Dias, um “aviãozinho”, matou Hugo Angel, outro argentino, amigo de Rasmussen. Tudo porque Angel reclamou da droga que estava sendo recebida, dizendo que não era pura.

Raul nada teve a ver com a história. Tempos depois o traficante Wilson Matos, patrão do “aviãozinho” citado, foi assassinado, episódio que ficou conhecido como Massacre de Piabetá. A imprensa sensacionalista à época quis fazer um link entre os dois fatos, sem êxito.

Foi nesse momento conturbado de sua vida que Raul Seixas gravou “Por Quem os Sinos Dobram”, seu nono disco. Ele estava sem mulher e sem parceiros musicais. As nove canções do álbum são assinadas por Raul Seixas e Oscar Rasmussen, o argentino porra-louca, com exceção de “Movido à Álcool”, assinada por ambos e Tânia Menna.

Rasmussen nunca foi compositor, nem mesmo envolvido com música, o seu “dom” era transitar no submundo das drogas. Intriga até hoje o fato de Raul ter colocado o nome dele nos créditos de todas as músicas do disco. Na realidade, dá até para imaginar a razão.

O disco foi um fracasso de vendas, apesar de ser um dos preferidos dos fãs mais fervorosos. Há muitas histórias interessantes por trás de suas músicas.

“Diamante de Mendigo”, por exemplo, é uma de suas letras mais fortes da discografia de Raul, totalmente autobiográfica, onde ele lamenta ter perdido a família e demonstra sua mágoa por Paulo Coelho, a quem chama de “Jornaleiro da Esquina”. A canção começa com os versos: “Eu tive que perder minha família/Para perceber o benefício/Que ela me proporcionava”.

A música título foi a única que chegou a tocar algumas vezes nas rádios, mas muito pouco. O disco todo é um “lado B”, digamos assim.

Algo curioso neste disco é a participação de Dori Caymmi, violão em todas as músicas; e Danilo Caymmi, flauta em algumas canções.

Caso o leitor queira se aprofundar mais na obra de Raul Seixas, indo além dos clássicos, sugiro começar por este disco: “Por Quem os Sinos Dobram”.

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