* I – Pesquisa realizada pela Universidade de Brasília, em 2016, estimou que são realizados 500 mil abortos no Brasil por ano. Desses, apenas uns dois mil são legais. Ou seja, de cada 270 abortos realizados no país, apenas um é feito com autorização judicial.
* II – A mesma pesquisa também estimou que, no Brasil, uma a cada cinco mulheres acima de 40 anos já abortou. Dos 500 mil abortos, 250 mil resultam em hospitalização. Os números mostram que o aborto é algo bem mais comum do que se imagina.
* III – O fato é que uma mulher que quer abortar o faz, com ou sem lei a resguardando. Não conheço nenhuma que manteve uma gravidez indesejada apenas por respeito à legislação vigente. Além disso, muitas adolescentes abortam por imposição dos pais, que até ontem eram antiabortistas.
* IV – A Bíblia Sagrada só menciona o aborto uma única vez, e de forma indireta; é em Êxodo 21:22. O curioso é que a leitura do versículo leva à conclusão de que a vida da mulher é mais importante do que a vida do feto.
* V – A cruzada da Igreja Católica contra o aborto só começou em 1869, após um acordo entre o Papa Pio IX e o imperador Napoleão III, que estava preocupado com os baixos índices de natalidade após a Revolução Francesa.
VI – Dos 44 países do continente europeu, incluindo os que estão fora da União Europeia, a mulher é livre para decidir se aborta ou não em 41. As únicas exceções são Polônia, Reino Unido e Finlândia. Mais, o aborto é livre em 81% dos países que integram a OCDE.
VII – Historicamente, o número de abortos cai quando o procedimento é descriminalizado, isso porque o assunto passa a ser debatido mais abertamente, inclusive nas escolas. Em Portugal caiu 21%; mesmo percentual verificado na França; na Romênia, incríveis 83%.
* VIII – O Cytotec, conhecido medicamento abortivo, era vendido sem restrições no Brasil entre 1984 e 1991, com o fim de tratar úlceras. Após a descoberta de sua ação abortiva, passou a ser vendido apenas com receita médica; e desde 1998 só é vendido para hospitais e clínicas.