Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

8 de junho de 2011
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Mais uma vez, o elevado número de homicídios em Mossoró voltou a ser tema de discussão na Câmara Municipal de Mossoró na sessão desta terça-feira, 07. Utilizando a Tribuna Popular, espaço destinado à população mossoroense se expressar dentro das sessões ordinárias, o senhor Rubem Alves, irmão de uma das vítimas de homicídio ocorrido recentemente no município, expressou a dor sofrida pela família com a perda de um ente querido e com a impunidade do crime, e entregou um abaixo-assinado solicitando a realização de uma audiência pública sobre o assunto, o mais breve possível.

A solicitação foi aceita pelos vereadores, que concordaram em suspender algumas das audiências públicas já agendadas para debater o problema e tentar encontrar uma solução para acabar com a violência instalada na cidade. Após o término da sessão ordinária, uma comissão de vereadores esteve reunida com o secretário de segurança do governo do Estado do Rio Grande do Norte, Aldair Rocha. O vereador Jório Nogueira entregou o abaixo-assinado recebido durante a sessão ordinária e solicitou a presença do representante do governo do Estado na sessão ordinária, que foi agendada para o dia 17 de junho, às 9h. “Estivemos com o secretário e acertamos com ele uma data que fosse possível sua presença nesta Casa. Ele não colocou nenhum obstáculo. Esperamos que outras autoridades no assunto também se façam presentes nesse importante evento que irá discutir a violência em Mossoró, tema que está amedrontando todos nós, mossoroenses”, afirmou Jório Nogueira.

Na última quarta-feira, o vereador Daniel Gomes havia apresentado um requerimento solicitando à presidência da Casa, a realização da audiência pública para debater a violência em Mossoró. Na sessão desta terça-feira, o vereador voltou a ocupar a Tribuna para chamar mais uma vez atenção para o problema, destacando que já ultrapassa o número de cem homicídios registrados em Mossoró apenas em 2011. Após a reunião com o secretário, Daniel Gomes afirmou que o primeiro passo foi dado pela Câmara Municipal e convocou a população e todos os familiares das vítimas a participarem da discussão. “Nós agradecemos a sensibilidade do secretário em se comprometer em participar dessa discussão. Sem a sua presença, dificilmente poderíamos chegar a uma solução para esse problema. Esperamos que as demais pessoas envolvidas possam se fazer presentes, assim como também os familiares das mais de cem vítimas de homicídios em Mossoró. Não adianta fazermos ações isoladas. É preciso unir forças para acabar com essa violência”, afirmou Daniel Gomes.

Durante a sessão ordinária desta terça-feira, o vereador Claudionor dos Santos, aparteando Daniel Gomes, que usava a tribuna, conclamou a comunidade para apoiar as ações policiais. “Isso pode ser feito através de denúncias. Sabendo quem é o responsável pelo crime, denuncie para que a polícia possa agir. Esse combate é uma missão de todos nós”, concluiu Claudionor.

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Uma resposta

  1. O secretário de Segurança do Governo Rosalba Ciarlini veio ontem a Mossoró dar uma demonstração de anacronismo e incompetência explícitos. Como na famigerada piada do sofá, em que o marido traído, em vez de separar-se da mulher adúltera manda queimar o sofá onde flagrou a cena da traição, vem o senhor secretário de segurança do Estado à terra da governadora, dizer que não se podem divulgar as mortes.

    Pelo menos o ITEP, cujo diretor quase caía, porque deixou a cidade saber que cem mossoroenses já perderam as vidas na boca do trabuco neste ano da (des)graça de 2011, desde que a filha da terra assumiu o comando do poder estadual. Só faltou dizer com a boca da insensatez: “pode matar, o que não pode é divulgar”. Querer que cem mortes violentas em 157 dias, ou seja, um assassinato a cada 37 horas, fiquem sem divulgação, é, santa estupidez, “querer tapar o sol com uma peneira”… Já não basta esta outra piada da tal “Operação Sertão Seguro” que o governo Rosalba anuncia?

    Há dias vieram 40 policiais a Mossoró, uma “Tropa de Elite” que enquanto aqui esteve, se é que já foi, viu amiudarem os crimes. Quando chegaram à terra de Santa Luzia, a média era de um assassinato a cada 44 horas, hoje é a cada 37. Fala-se em “estado de guerra” em Mossoró. Não é bem isso. É mais grave. Também não tem nada de guerrilha, como alguns incautos estão dizendo na imprensa. As duas formas de confronto armado têm suas regras e suas lógicas. Tem lados, tem espaços definidos, onde os combates se dão, mesmo que a guerrilha seja mais surpreendente no explodir de enfrentamentos.

    O que Mossoró vive é a barbárie. A baderna armada, o bangue-bangue sem as regras dos duelos do Velho Oeste americano, onde havia um código de honra entre mocinhos e pistoleiros. Mossoró é, hoje, uma terra sem lei. Território de ninguém, onde a autoridade desertou, onde o poder virou vácuo e ao cidadão só resta esconder-se atrás das grades e dos cadeados do próprio lar/xadrez.

    Qualquer um encontra uma arma em qualquer lugar, por qualquer quantia, conseguida de qualquer jeito e mata qualquer um, a qualquer hora. É o caos… E o governo estadual nem… “cumo coisa”. Olimpicamente age como se não tivesse nada a ver com a tragédia.

    É tudo muito grave. Dói ouvir na rádio: “Chuva de Balas no País de Mossoró começa a ser apresentado”, findos os comerciais entram as notícias. “Mataram um cabeleireiro com três tiro… é o nonagésimo nono assassinato”; Poucas horas depois: “Chuva de Balas no País de Mossoró começa a ser apresentado”: entra o noticiário: “Mataram um flanelinha. É o centésimo assassinato registrado no Itep de Mossoró”.

    Já não se sabe onde se estabelece a fronteira entre a arte e a vida, entre o real e a fantasia… E a reação do secretário de segurança é mandar parar de divulgar. Como Castro Alves, só nos resta clamar: Deus, Ó Deus, onde estás que não me escutas?

    Dolorosamente ontem lembrei Dom Hélder Câmara, quando o Papa Paulo VI lhe perguntou como ele estava vendo a Igreja Católica?
    – Com preocupação, respondeu o arcebispo brasileiro.
    – Por quê? Perguntou o Papa.
    – Porque nunca mais mataram um Papa… Respondeu Dom Hélder.

    Fiquei a fazer a pergunta que já ouvi de várias pessoas em Mossoró. Será que só vão começar a se preocupar quando matarem um Rosado?

    Fonte: Jornal de Fato – Coluna Prosa & Verso

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