
Do “grupo da morte” ao título – Toda Copa do Mundo é assim: dentre os vários grupos existe sempre um que é apontado como o da “morte” por reunir equipes fortes. Esse tipo de grupo é capaz de fazer estragos como as eliminações da Espanha (em 1998) e Argentina (em 2002) na primeira fase.
O Brasil tem boas experiências quando fica no “grupo da morte”. Dos cinco títulos mundiais, apenas em 2002 o Brasil ficou no grupo das babas. Mesmo assim, a adversária da estréia, a Turquia, surpreendeu chegando as semifinais.
Em 1958, o Brasil pegou a Inglaterra, a favorita União Soviética e a Áustria, semifinalista no mundial anterior. Com duas vitórias e um empate com os ingleses o Brasil foi o primeiro colocado da chave e venceu o mundial.
Em 1962, o Brasil enfrentou o México, a Tchecoslováquia (que voltaria a ser o adversário na final) e a Espanha do húngaro naturalizado Ferenc Puskás. O Brasil de Garrincha e sem Pelé (que se contundiu na segunda partida) foi primeiro colocado e rumou com força para bicampeonato mundial.
Em 1970, tivemos o maior grupo da morte de todos os tempos: Tchecoslováquia (vice-campeã oito anos antes), a Romênia do craque Florea Dumitrache e a Inglaterra campeã mundial quatro anos antes. O Brasil venceu todos os jogos na conquista do tri.
Na campanha do tetra, o Brasil caiu no grupo da Suécia de Martin Dahlin e Tomas Brolin (que terminou o mundial em terceiro lugar), Camarões que surpreendera quatro anos antes e a Rússia do artilheiro Oleg Salenko. Com duas vitórias e um empate o Brasil embalou rumo ao tetra.
Já pentacampeão, a seleção canarinho está no “grupo da morte” (apesar de Coréia do Norte e do grupo A ser muito equilibrado). Enfrentaremos Portugal de Cristiano Ronaldo, Nani e brasileiros naturalizados, além do melhor selecionado africano, a Costa do Marfim de Didier Drogba e Kalou.
Seleção dos injustiçados: – Toda Copa do Mundo é assim: sempre existe uma comoção nacional em torno dos jogadores que ficaram de fora. Foi assim com Romário em 2002, Falcão e Junior em 1978 e vários outros exemplos. Em 2010, foi a vez de Ronadinho Gaúcho, Ganso e Neymar serem os objetos de atrito entre mídia e o técnico da ocasião.
Montei uma seleção de injustiçados. Vamos a ela e com as devidas explicações:
Goleiro: Leão ficou fora da seleção de 1982 para dar lugar ao fraquíssimo Waldir Peres e a Paulo Sérgio (mais conhecido por jogar futebol de areia). Dos três goleiros levados por Telê para a Espanha, apenas Carlos tinha qualidade reconhecida, mas era a terceira opção.
Lateral direito: Carlos Alberto Torres já era o melhor lateral direito em 1966, mas acabou fora do mundial da Inglaterra.
Zagueiro: A defesa era o maior problema da seleção de 1998. O melhor zagueiro do país era o veterano Mauro Galvão (foto) então com 36 anos. Zagalo reconhecia a qualidade do defensor vascaíno, mas o considerava velho demais. O resultado todos nós conhecemos: o “Velho Lobo” apostou em Junior Baiano que fez várias lambanças nos gramados franceses.
Zagueiro: Antonio Carlos (atual técnico do Palmeiras) vivia grande fase em 1994, mas numa sucessão de cortes por conta de contusões, Carlos Alberto Parreira optou pelo folclórico “Ronaldão” no mundial dos Estados Unidos.
Lateral Esquerdo: Em 1978, Junior já era um craque, mas de forma inexplicável Cláudio Coutinho o deixou fora do mundial da Argentina. O zagueiro Edinho foi improvisado na função.
Volante: Falcão era o melhor jogador em atividade no Brasil em 1978, mas Cláudio Coutinho preferiu levar o tosco Chicão do São Paulo.
Meia: O Palmeiras ao longo dos anos 1960 era o único time que fazia frente ao Santos de Pelé no Campeonato Paulista. O craque do time era Ademir da Guia, que nem teve chance na seleção de João Saldanha/Zagalo. Nomes como o folclórico Dadá Maravilha e Roberto Miranda foram alguns dos reservas no tri.
Meia: Alex foi um dos maiores meias nas décadas de 1990 e 2000, mas Carlos Alberto Parreira cometeu a injustiça histórica de deixar o craque fora da Copa de 2006. Preferiu o regular Ricardinho. Alex também foi injustiçado em 2002. Quando mais uma vez Ricardinho levou a melhor.
Atacante: Apesar dos problemas com contusões, o atleticano Reinaldo estava em forma em 1982 (vi uma entrevista dele a poucos dias garantindo isso), mas Telê Santana apostou no grosso Serginho atendendo a pressão da imprensa paulista.
Atacante: O país pedia Romário em 2002, mas “Felipão” não perdoou o “Baixinho” pelo pedido de dispensa na Copa América de 2001.
Atacante: Por conta de divergências entre dirigentes, os jogadores paulistas não jogaram a Copa de 1930. Assim, Arthur Friedenreich (que a FIFA reconhece como detentor de mais de 1.300 gols) não jogou a Copa de 1930.
Obs.: Ainda verifiquei outros injustiçados como Neto (1990), Evair (1994) e Zico (1974). Fiquem à vontade para fazer as substituições se lembrarem de outros injustiçados.
Respostas de 8
GRUPO DA MORTE – Bruno, também acho que o grupo da morte, na Copa 2010, é o “A”, pois é o mais imprevisível para apontar classificados e eliminados, e qualquer um dos quatro pode ocupar qualquer uma das posições na classificação final. Quanto ao Brasil, nunca acho que fica nesse grupo, dada sua reconhecida força. Se ficasse em um que talvez nunca vai se formar, como por exemplo junto com Alemanha, Itália e Argentina, aí, sim, se teria o tal grupo mortal, mas esses times provavelmente continuarão a ser cabeças-de-chave por um grande lapso de tempo ainda, de forma que o primeiro encontro será a partir das oitavas (quando passa a se chamar “final antecipada”). Pelo que se teve em 1970, efetivamente foi uma disposição muito parecida com o grupo em questão. Em 82, está fora de questão: o Brasil ficou no grupo da morte, mas por causa da montagem da tabela em si, que não tinha a fase de oitavas: da primeira fase pulava para as quartas, e aí o destino nos fez encontrar Itália e Argentina no mesmo grupo – e um juiz cretino para dirigir jogo de suma importância. O técnico da Itália disse aos jogadores, para estimular, que iriam jogar com o campeão da Copa anterior e o da Copa presente.
INJUSTIÇADOS – Ser vidente do passado é bem fácil, mas acho que Roberto Dinamite era o nome para substituir a Careca em 1982, porém o Chulapa já tava no escrete e isso, comprovadamente, tem importância de peso. Se ganha, teriam dito: “ainda bem que ele não botou o Roberto Dinamite”.
Marquei minhas férias para começar em 14 de junho, pretendo ver muito jogo, exceto os do Brasil, que só planejo ver a partir da fase de quartas (se for o casao, obviamente) – promessa feita na Copa da Lambança (2006).
Vi todos os jogos do Brasil em 1982, em VT claro, e Serginho e Waldir Peres não estavam a altura do time. Roberto foi injustiçado por ter ficado no banco, mas foi convocado.
Grande Bruno
Roberto Dinamite não fazia parte da primeira escalação de Telê Santana na copa de 1982, ele foi convocado de última hora para substituir Careca que ficou contundido e como você falou ele ficou restrito apenas ao banco de reservas. A copa de 1982 foi a primeira copa que acompanhei e tive que ver Serginho chulapa fazer besteira e ficar rindo dentro do campo.
Abraços.
Clovis, (só para acrescentar) se Careca não tivesse se machucado ele seria o primeiro jogador de um time de Série B a jogar uma Copa do Mundo. Em 1982, Careca ainda era do Guarani (acredite!), que era da segundona. Valeu!
Bruno barreto acabe essa frescura de chamar os grupos da copa do mundo de grupos da morte,ninguém vai morrer por perder uma copa inclusive o Brasil que já ganhou muitas, e pare de dizer que a derrota para o uruguai em 50 foi uma tragédia , sabemos que tragédias é bem diferente de perder uma partida de futebol.
Waldir Peres não era fraquíssimo coisa nenhuma, era um ótimo goleiro e jogou 32 partidas sempre jogando bem.Analisar o jogador por um só lance em 20 anos de carreira é prova cabal de imbecilidade do autor do texto.
O Renato Gaucho foi injustiçado em 1986 que acabou provocando o pedido de dispensa de Leandro para a Copa e entao entrou Josimar. Em tempo, Valdir Peres e Serginho ( ambos BAMBIS ) afundaram o Brasil em 1982.
Vale até mentir pra defender uma posiçao,né,Bruno Barreto?Se vc viu todos os jogos, viu o jogo contra a Argentina em que Waldir Peres foi um dos destaques, fez grandes defesas. Mas ser desonesto pra vc é bem mais importante,né?Idiota…