Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

1 de novembro de 2009
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zlatan_ibrahimovic

 

INJUSTIÇADOS – O sueco Ibrahimovic (foto) do Barcelona e o togolês Adebayor do Manchester City são as maiores ausências da próxima Copa do Mundo. No entanto, eles não podem reclamar porque poderão dizer aos filhos que já foram a um mundial. Os dois são vítimas do fato de o futebol ser um esporte coletivo e por conta disso faz algumas injustiças com atletas geniais. Pior aconteceu com jogadores históricos que não tiveram a chance de participar de copas do mundo pelo mais diversos motivos.

 

Um deles foi o primeiro ídolo do futebol brasileiro “El Tigre” Arthur Friedenreich. Ele é apontado pela FIFA como recordista mundial de gols por balançar as redes 1.329 vezes. Ele poderia ter jogado as copas de 1930 e 1934, mas problemas políticos entre paulistas e cariocas que disputavam o comando da seleção brasileira atrapalharam a carreira do craque.

 

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O Argentino Alfredo Di Stefano (foto) é o principal craque da história do futebol mundial que nunca jogou uma Copa do Mundo. Ele viveu o auge da carreira nos anos 1940/50. No entanto a Segunda Guerra Mundial impediu que ele jogasse os mundiais previstos para 1942 e 1946. Na década seguinte ele foi prejudicado porque a Argentina não participou das copas de 1950 e 1954. Ele se naturalizou espanhol (numa outra oportunidade explico o sistema de naturalizações no futebol que ao longo dos anos sofreu algumas mudanças) e tentou jogar a copa de 1958, mas a geração espanhola não era boa e ele ficou de fora. Di Stefano ainda se naturalizou colombiano no final da carreira.

 

O Manchester United tem em sua galeria três dos grandes craques que não jogaram copas do mundo. São eles: o norte-irlandês George Best (anos 1960), o francês Eric Cantona (anos 1990) e o galês Ryan Giggs (ainda em atividade aos 37 anos). Best e Giggs são vítimas da má qualidade técnica de suas seleções. Já Cantona fez parte de fracassos de sua, sempre recheada de craques, seleção nas eliminatórias de 1990 e 1994. Em 1998, após cumprir suspensão por conta de uma voadora em um torcedor, o polêmico craque acabou sendo preterido da convocação da equipe do técnico Aimé Jacquet que acabou vencendo aquele mundial.

 

Desde que o prêmio de melhor do mundo da FIFA foi instituído em 1991 o liberiano Geogre Weah se tornou o único africano a conquistar a honra de ser o melhor entre todos os craques. Isso foi em 1995 quando atuava pelo Milan. Ele também é o único vencedor do prêmio a não ter tido a chance de jogar o mundial.

 

Evaristo de Macedo (lembra daquele técnico?) é o único jogador a marcar cinco gols numa única partida da seleção brasileira. Ele também tem a honra de ter sido o primeiro jogador a ser ídolo de Barcelona e Real Madri. Por ironia do destino foram justamente as condições para atingir esse feito (naquele tempo quem ia para Europa caia no esquecimento na seleção) que o impediu de disputar a copa de 1958, época em que estava no auge.

 

Para encerrar, é importante lembrar que dois craques brasileiros da meia cancha caminham para ter uma carreira igual a de todos esses citados no texto. São eles: Diego (Juventus) e Alex que foi ídolo de Coritiba, Palmeiras e Cruzeiro. Situação pior é a de Alex, que caminha para o final da carreira. Atualmente ele defende as cores do Fenerbahce da Turquia.

 

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Uma resposta

  1. É, Bruno, são as injustiças do futebol, mas do ponto de vista financeiro – provavelmente o que mais interessa – eles já têm compensação assaz suficiente. Zico, questionado uma vez se guardava alguma mágoa de não ter sido campeão do mundo, minimizou o fato e disse que as conquistas com o Flamengo o deixavam imensamente feliz. E daqui por diante, em minha opinião humilde, esse fator vai ser cada vez mais relegado a segundo plano, pois a Copa do Mundo vem perdendo a antiga afeição não é de hoje. O aspecto financeiro já se impõe e deverá manter-se assim no porvir.

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