Hoje, enquanto esperava o sono chegar, numa daquelas divagações típicas destes momentos, recordei-me de um livro que li quando ainda era criança, cujo nome não me recordo.
Tal livro contava a história de um reino muito grande e rico, cujo rei passava a maior parte do tempo enclausurado em seu castelo, e deixava a administração do reino nas mãos dos auxiliares. Ocorre que, estes eram totalmente corruptos e despreparados, e, em razão disto, o reino era completamente arruinado, e os seus súditos viviam na mais profunda miséria. O rei, no entanto, era totalmente alheio à realidade, pois nas poucas vezes em que ousava sair do seu castelo, seus auxiliares providenciavam lindos e gigantes painéis, que retratavam um reino lindo, rico e feliz, e os colocavam em todo trajeto a ser percorrido pelo rei. Mais ou menos como os prefeitos fazem hoje quando vão receber grandes autoridades políticas, mandam limpar ruas, restaurar asfaltos, pintar meios fios e prédios públicos, mas só no trajeto a ser percorrido pela autoridade.
Mas voltando ao livro, muito tempo se passou com o rei inteiramente desinformado sobre a real situação de seu reino, até que, eu uma de suas raras saídas, um grande vendaval derrubou todos os painéis, e a dura realidade se mostrou. O rei ficou muito desapontado e triste por perceber que seu reinado era um fracasso, e que tudo aquilo que ele acreditava ser a realidade não passava de imagens artificialmente criadas por seus auxiliares.
No processo eleitoral brasileiro, especialmente nos últimos pleitos, dar-se algo bem parecido. É nesse período em que nós, o povo, detentores que somos da soberania, somos convidados (no caso do Brasil somos obrigados, pois o voto aqui não é facultativo) a deixar nossos “castelos” de interesses e objetivos pessoais e privados, e a exercer de fato nosso reinado, nosso poder supremo de influenciar na direção política da nação. Entretanto, a realidade (leia-se: os candidatos) não nos é mostrada com ela realmente é. O que nos é apresentado não passa de uma criação artificial. Obra dos auxiliares especialmente contratados, a preço de ouro, para esse fim, os famigerados “marqueteiros”.
Nunca isto esteve tão escancarado como agora, especialmente nesse segundo turno, pois, “nunca antes na história desse país”, se apresentaram dois candidatos tão artificiais, tão sem autenticidade e sem naturalidade, tão capachos das regras dos marketing, como a Sra. Dilma e o Sr. José Serra, os quais nada mais são do que as duas faces de uma mesma moeda.
Não se enganem, nesse segundo turno a campanha será ainda mais desenxabida que no primeiro, onde ainda conseguíamos identificar traços de humanidade na naturalidade e inocência de Marina, e na sagacidade e ironia de Plínio de Arruda.
Infelizmente, no nosso reino não haverá nenhum vendaval capaz de derrubar as máscaras e mostrar as verdadeiras faces dos senhores candidatos. Os painéis plantados pelos marqueteiros resistiriam até ao Katrina, creio que até a um tsunami.
Na história do livro inicialmente mencionado, o rei, ao descobrir a realidade, entrou em profunda depressão e acabou fugindo.
Quanto a mim, também decidi fugir desse jogo de faz de conta, não perderei mais um segundo do meu tempo lendo, assistindo, ouvindo e muito menos escrevendo qualquer coisa sobre a sucessão presidencial do corrente ano. Fará parte dessa fuga também votar BRANCO no próximo dia 31. Até!!!
Aristóteles Soares Fontes, João Pessoa, 07 de outubro de 2010.
NOTA DO TIO – Brilhante texto, amigo Tota. A falsidade do sorriso de Dilma é gritante; e o Serra da tevê parece uma criancinha inocente. Os marqueteiros perderam a sutileza, tudo passou a ser visivelmente artificial.
Continue enviando textos para este espaço. Todos serão publicados, incontinenti.
Respostas de 9
Caro Tio colorau, afinal nosso amigo TOTA, pegou uma deprê…pró demoniocratras ou estou lendo o texto erraticamente…!!!???
Pois bem … após lembrarem das histórias literalmente infantis…. me parece que os senhores estão fugindo as suas responsabildiades…através do voto em branco e preto… é verdade ou estou diante do mArketing/factódie do JOSE SERRA CARA DE PEDÁGIO, NÃO ESQUEÇAM APOIADO POR CÉSAR MAIA MALUCO E JOSE´PEPINO CULATRA MAIA ENXOVALZINHO…!!!???
LEMBRAM…!!!???
Tota…rapaz inteligente, porém políticamente inexperiente…ainda não conhece devidamente os contornos, caminhos e descaminhos que a história e a cultura da política nacionais, através dos qauis, muitas vezes levam pessoas (inclusive as que possuem um certo grau de escolaridade) a tomar decisões sob o crivo da inexperiêncai histórico política, e, obviamnete desencadeado pelo emocional das informações em seu significado e significante, que infelizmente são diariamente disponibilizadas por nossa mui isenta IMPRENSA.
MESMO A DESPEITO DE TODO ESSE “ARSENAL” QUE , REPISE , DISPONIBILIZAM DIARIAMENTE PRA´QIUE VOSSAS SENHORIAS, MANTENHAM-SE INERTES (JÁ QUE NÃO QUEREM FICAR ENVERGONHADOS DO VOTO EM JOSÉ SERRA CARA DE PEDÁGIO E COVEIRO DOS SONHOS E DAS CONQUISTAS DA MAIORIA DOS BRASILEIROS) QUANTO AO DIREITO E DEVER DEMOCRÁTICO DO VOTO., AI VAI UM ARTIGO DO NOSSO EMIR ADER, SOBRE AQUELA , QUE, QAUNDO AINDA NAS HOSTES DO PT, ERA – PELA GRANDE MAIORIA PRINCIPALENTE A TURMA DO PIG – TIDA COMO XIITA , SÓ QUE APÓS SAIR DO PARTIDO DOS TRABALHADORES PASSOU A SER OBJETO DE CANONIZAÇÃO POLÍTICA POR PARTE DA DIREITONA, EXATMENTE PARA SER USADA E ABUSADA PARA COM OS INEXPERIENTES E INOCENTES UTÉIS, LEIAM SENHORES POR FAVOR…FAZ ESSE SACRÍFICIO…!!!
03/09/2010
Marina no colo da direita
No Forum Social Mundial de Belém, em janeiro de 2009, Marina propagava que ela seria o Obama da Dilma. Já dava a impressão que as ilusões midiáticas tinham lhe subido à cabeça e que passava a estar sujeita a inúmeros riscos.
De militante ecologista seguidora de Chico Mendes, fez carreira parlamentar, até chegar a Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, onde aparecia como contraponto de formas de desenvolvimentismo que não respeitariam o meio ambiente. Nunca apresentou alternativas, assumiu posições perdedoras, porque passou ao preservacionismo, forma conservadora da ecologia, de naturalismo regressivo. Só poderia isolar-se e perder.
Saiu e incutiram na sua cabeça que teria condições de fazer carreira sozinha, com a bandeira supostamente transversal da ecologia. Saiu supostamente com criticas de esquerda ao governo, mas não se deu conta – pela visão despolitizada da realidade que tem – da forte e incontornável polarização entre o bloco dirigido por Lula e pelo PT e o bloco de centro direita, dirigido pelos tucanos. Caiu na mesma esparrela oportunista de Heloisa Helena de querer aparecer como “terceira via”, eqüidistante entre os dois blocos, ao invés de variante no bloco de esquerda.
Foi se aproximando do bloco de direita, seguindo as trilhas do Gabeira – que tinha aderido ao neoliberalismo tucano, ao se embasbacar com as privatizações, para ele símbolo da modernidade – e foi sendo recebido de braços abertos pela mídia, conforme a Dilma crescia e o fantasma da sua vitória no primeiro turno aumentava.
As alianças da Marina foram consolidando essa trajetória na direção do centro e da direita, não apenas com empresários supostamente ecologistas – parece que o critério do bom empresário é esse e não o tratamento dos seus trabalhadores, a exploração da força de trabalho – e autores de auto-ajuda do tipo Gianetti da Fonseca, ao mesmo tempo que recebia o apoio envergonhado de ecologistas históricos.
O episódio da tentativa golpista da mídia e do Serra é definidor. Qualquer um com um mínimo de discernimento político se dá conta do caráter golpista da tentativa de impugnação da candidatura da Dilma – diante da derrota iminente no primeiro turno – com acusações de responsabilidade da direção da campanha, sem nenhum fundamento. Ficava claro o objetivo, típico do golpismo histórico – que vinha da UDN, de Carlos Lacerda, da imprensa de direita e que hoje está encarnado no bloco tucano-demista, dirigido ideológica e política pela velha mídia.
Marina, ao invés de denunciar o golpismo, se somou a ele, tentando, de maneira oportunista, tirar vantagens eleitorais, dizendo coisas como “se a Dilma (sic) faz isso agora, vai saber o que faria no governo”. Afirmações que definitivamente a fazem cair no colo da direita e cancelam qualquer traço progressista que sua candidatura poderia ter até agora. Quem estiver ainda com ela, está fazendo o jogo da direita golpista, não há mais mal entendidos possíveis.
Termina assim a carreira política da Marina, que causa danos gravíssimos à causa ecológica, de que se vale para tentar carreira oportunista. Quando não se distingue onde está a direita, se termina fazendo o jogo dela contra a esquerda.
Alguém já viu a Falsidade de forma concreta?Pois assista ao programa eleitoral gratutito e veja o sorrisso sarcástico de DILMA. Aquela q num tinha religião, mas como precisa se esconder atrás de um papel de boa moça, tem ideais religiosos e até é contra o aborto agora, procura igrejas evangélicas para enganar o POVO . Me poupem,votar em terrorista e ASSALTANTE DE BANCO, disfarçada de militante é querer brincar com a inteligência do pobre povo brasileiro.
Não me lembro quem falou que eleição no Brasil é a escolha do menos ruim. Caiu como uma luva sobre Serra e Dilma. Alguém sabe dizer qual é o mais arrogante desses dois candidatos?
pense numa mala, esse cara! Fran, aff. rsrsrs
Para você, que não votou na Dilma
por Leonardo de Souza *
FONTE: http://www.amalgama.blog.br/10/2010/para-voce-que-nao-votou-na-dilma/
Você não votou na Dilma no primeiro turno. Também não pretende votar nela no segundo turno. Não apenas você não vai votar nela, como você tem alertado sobre os perigos de se votar na candidata petista. Você tem suas razões para achar que o voto em Dilma não é o melhor para o Brasil.
Eu não penso como você. Entendo que o melhor voto para o Brasil é o voto em Dilma Roussef, e não em José Serra.
A principal razão que, no meu ponto de vista, justifica o voto em Dilma não é uma única razão. Na verdade, são 53 milhões de razões: entre 2003 e 2008, foram 21 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e outros 32 milhões que ascenderam à classe média. Os números dos que chegaram à classe média correspondem mais ou menos ao total de torcedores do Flamengo, e os que saíram da pobreza correspondem aproximadamente à torcida do Corinthians. É isso mesmo: o número de brasileiros que melhoraram de vida na Era Lula é um pouco menor que a soma das torcidas do Flamengo e do Corinthians. A pobreza extrema no país foi reduzida à metade nos anos Lula. Esse salto não se deveu apenas ao bom momento econômico. Isso é fruto de medidas específicas do Governo Federal, tais como o Bolsa Família e o Bolsa Escola.
Você chama esses programas de assistencialistas, de demagogia paternalista. Na sua concepção liberal de “Estado mínimo”, esses programas não têm justificativa. Mas os países socialmente mais justos foram aqueles em que o Estado assumiu um papel ativo na promoção do bem estar social. Você condena os programas brasileiros, mas, quando vem à Europa, se embasbaca dizendo que a Suécia ou a Dinamarca é que são países “de verdade”, pois se importam com seus cidadãos. Os programas sociais brasileiros são irrisórios se comparados aos de países da Europa ocidental. Por que você etiqueta os programas assistencialistas suecos de “justos” e os brasileiros de “demagógicos”? O número de programas de suporte social de um país como a França é muito superior ao do Brasil. Para você ter uma ideia, aqui eu recebo uma ajuda de moradia, fornecida pelo governo francês a todo estudante que paga aluguel, seja ele francês ou não. Isso custa uma grana preta aos cofres franceses. Certa vez, comentei com um colega no trabalho que recebia essa ajuda. Nunca vou me esquecer do que ele falou: “Puxa, nem sabia que isso existia aqui na França. Sou classe média, não preciso desse auxílio, mas fico feliz de saber que os impostos que eu pago servem para ajudar estudantes como você”. Isso é civismo. É impensável ouvir isso da classe média brasileira, notória pelo seu acivismo. O que se ouve deles é que “a classe média é explorada”.
Você deveria é ficar feliz de saber que parte de seus impostos são destinados a ajudar os brasileiros que podem menos. Votar em Dilma é votar na continuidade desses programas. É a garantia de que mais compatriotas irão melhorar de vida. Ou você acha que vai manter esses programas um cara cujo vice propôs punir quem dá esmolas e que chamou o Pronasci de “bolsa-bandido”? Um cara cuja esposa chamou o Bolsa Família de “bolsa vagabundagem”? Você acha que esse senhor tem capacidade de diálogo com os mais desprovidos? Um cara que diz não entender os sotaques de goianos, mineiros e pernambucanos? Um cara que, como bem observou Idelber Avelar, inventou a favela de plástico? Um cara que diz para uma eleitora na favela, “Não posso conversar agora. A senhora não poderia me mandar um fax?”? Esse senhor não demonstra ter canais de comunicação com os pobres. Serra diz que vai manter os programas sociais. Só que eu não confio no que Serra diz. Aliás, não confio sequer no compromisso que ele assume por escrito em cartório.
Foi sob o Governo Lula que a economia brasileira conheceu um período de crescimento expressivo, inclusive durante a crise mundial. Conheço seu argumento: “Lula continuou o que FHC fez”. Só que o próprio FHC reconheceu recentemente que a gestão econômica do PT tem méritos próprios. Insistir na tese de que tudo de bom da economia brasileira não tem sequer uma contribuição da equipe econômica de Lula, mas apenas de FHC e do Plano Real, tem tanto sentido quanto dizer que a pujança da indústria automobilística brasileira nos dias atuais é mérito de apenas um homem: JK.
Não foi apenas no plano econômico que a gestão Lula foi primorosa. Há que se destacar a revitalização do sistema universitário público. Comparar a gestão Lula com Paulo Renato é como comparar o Barcelona ao Madureira. Foi nos anos FHC que o ensino superior privado conheceu fulgurante expansão – na maior parte das vezes, sem a contrapartida da qualidade –, rifando vagas universitárias a megagrupos empresariais. Ao mesmo tempo, as universidades federais entraram em processo de sucateamento: Paulo Renato cortou verbas, restringiu concursos para professores e funcionários, priorizou a expansão do ensino privado, não promoveu uma política de assistência estudantil. Fiz o curso médico na UFMG durante os anos FHC. O descaso governamental provocava greves recorrentes (a de 1998 foi marcante) e provocou inclusive o fechamento do Hospital das Clínicas da UFMG, pelo simples motivo de que a verba federal não era repassada: centenas e centenas de alunos, além de milhares de pacientes carentes, sofreram com o fechamento do hospital. Hoje, o campus da UFMG tem outra cara: prédios novos e modernos foram inaugurados (Economia, Farmácia, Odontologia, Engenharia).
A Cynthia Semíramis concorda comigo. Lula investiu no ensino superior: criou 14 universidades federais e outras dezenas e dezenas de escolas técnicas, muitas delas em regiões menos desenvolvidas do país. Foi a política de Lula que permitiu a criação, por exemplo, do Instituto de Neurociências de Natal, que já está aí, repatriando pesquisadores e fazendo pesquisa em alto nível. Cargos docentes foram criados e a carreira universitária foi valorizada, em flagrante contraste com a ativa promoção da penúria que marcou a gestão Paulo Renato. Tudo isso propiciou que os mestres e doutores formados no Brasil ocupassem cargos na universidade brasileira, evitando o brain drain que por tantos anos sangrou a academia brasileira.
O salto na pesquisa brasileira desde a eleição de Lula é bastante expressivo. Em 2003, os investimentos em ciência e tecnologia foram de 21,4 bilhões de reais; em 2008, já atingiam R$ 43,1 bilhões. Paralelamente, houve notável aumento da produtividade científica brasileira: as publicações em peer-review journals saltaram de 14.237 em 2003 para 30.415 em 2008. Subimos da 17ª posição no ranking da SCImago, em 2000, para a 14ª, em 2008. Passamos países com maior tradição de pesquisa, como a Suíça e a Rússia. A política de pesquisa do Governo Lula foi elogiada inclusive pela Nature, uma das revistas científicas mais importantes do mundo (aí, Tio Rei, coloque mais essa na lista do jornalismo chapa-branca). Eu não voto em José Serra porque não quero que a universidade e a pesquisa brasileiras sejam sucateadas novamente. Não merecemos outro Paulo Renato.
Você diz que o governo do PT é anti-democrático, que ele coíbe a liberdade de expressão e que ele ameaça a liberdade de imprensa. Você acha que o PSDB representa uma proposta democrática. Discordo nos dois pontos. Houve declarações atrapalhadas do governo no que diz respeito à imprensa, e não aprovo a atitude de Lula no episódio Larry Rother. Mas daí a dizer que governo do PT é anti-democrático e que cerceia a liberdade de imprensa vai uma distância muito grande. Nem mesmo FHC sustenta que o Lula é stalinista – só aloprados como Olavão e o Tio Rei é que alimentam besteiras assim. Se, como você diz, o PT censura a imprensa a seu favor e coloca um monte de jornalista chapa-branca nas redações de todo o país, olha, então o PT tem que aprimorar seus métodos. Dê uma olhada nas últimas capas da revista semanal de maior circulação do país, ligue a TV no principal canal, ou visite um dos blogs políticos mais acessados e veja (ops!) se há algum indício de que o PT tolhe quem fala mal dele e quem aponta as lambanças do partido. Aí você diz que, no governo Lula, tentou-se criar o Conselho Nacional de Jornalismo e que isso era uma tentativa ditatorial de controlar a liberdade de imprensa. Se isso é ditadura, sua lista de governos anti-democráticos deve incluir também países em que o Conselho já existe, como a França e a Inglaterra, como bem lembra Jânio de Freitas. Você critica a TV Brasil, dizendo que o governo não tem que manter canal de TV. Diga isso a um francês. Ele vai lhe dizer que na França não existe um canal de TV nacional que seja público. Existem cinco.
Eu também li o editorial do Estadão, dizendo que Dilma é “o mal a evitar”, por representar uma ameaça à democracia e à liberdade de imprensa. Você achou bonita essa defesa do “Estado de Direito”, né? Por que o Estadão nunca fez um editorial como esse quando o Brasil efetivamente vivia sob uma ditadura, nos anos de chumbo? Por que, dias depois desse editorial, esse mesmo órgão que se põe como baluarte da democracia plural demitiu sumariamente uma colunista que apoiou o Bolsa Família?
E será que o PSDB é tão comprometido assim com a democracia constitucional e com a liberdade de expressão? E os arapongas da Abin na gestão FHC? De qual partido é Eduardo Azeredo, que propôs uma lei de controle da internet que é carinhosamente chamada de AI-5 digital? De qual partido é Yeda Crusius, que mobilizou a PM gaúcha para espionar uma deputada de oposição, inclusive suas crianças (via Idelber)? De qual partido é Beto Richa, que censurou sete pesquisas eleitorais, um blog e até um twitter? E o que dizer do Serra, que telefonou a Gilmar Mendes para que ele tomasse a decisão que o PSDB preferia, no que diz respeito aos documentos necessários à votação? Isso é respeito às instituições democráticas?
Você reprova a política externa do Lula, dizendo que ele desonra a democracia brasileira, privilegiando o diálogo com regimes fechados e ditatoriais. Então me responda: onde estava sua indignação quando FHC condecorou o ditador peruano Alberto Fujimori com a Ordem do Cruzeiro do Sul?
Você vê com maus olhos as alianças políticas do governo Lula e acha que isso é um argumento forte para não votar no PT. Eu também não gosto do Sarney, do Collor, do Calheiros, do Temer, do Hélio Costa. Preferiria que eles estivessem longe do poder. Mas já passamos da idade de acreditar em purismo ideológico, né? Isso é coisa de adolescente que descobre a política. Fazer política é fazer alianças, muitas das quais difíceis de serem engulidas. Vai me dizer que você gostava de ver o sociólogo da Sorbonne de mãos dadas com o PFL de ACM e cia.? Você gostava de ver o Renan Calheiros como Ministro da Justiça do FHC? Talvez você nem sequer goste do Índio da Costa… Bem vindo à real politik, mon ami.
E sim, você vai me falar da corrupção na gestão petista. É verdade. No que diz respeito ao combate à corrupção o governo Lula não foi virtuoso – longe disso. Houve mesmo bastante corrupção. O mensalão existiu, não foi invenção. Mas, será que a oposição é impoluta e pode mesmo posar de moralmente superiora? Lembra-se do Mensalão Mineiro e do Azeredo? Do Ricardo Sérgio de Oliveira, caixa do alto tucanato, que levou R$ 15 milhões na privatização da Vale? Dos R$ 400.000 a cada deputado que votou a favor da reeleição? E o esquema de corrupção e espionagem, revelado no escândalo dos grampos durante a privatização da Telebrás, envolvendo FHC, o presidente do BNDES (André Lara Resende) e Luiz Carlos Mendonça de Barros (ministro das Comunicações)? E a farra do Proer? E o favorecimento ilícito da Raytheon na instalação do SIVAM ? E a endinheirada relação entre Chico Lopes (ex-presidente do BC) e o banqueiro Salvatore Cacciola? E Eduardo Jorge, assessor pessoal de FHC envolvido em diversas negociatas, inclusive em “caixa dois” para a reeleição de FHC? Por favor, não me venha com essa conversa de que o PSDB não compactua com a corrupção.
Eu vou concordar com você que o Brasil precisa de investimento em infra-estrutura: portos, rodovias, aeroportos. Mas será que o governo que impôs à população brasileira o racionamento de energia é mesmo o mais preparado para conduzir esses avanços em infra-estrutura? Acho que não.
Mas talvez nenhuma dessas questões sobre economia, educação e gestão pública importem para você. Talvez o que mais lhe opõe à candidatura de Dilma Roussef sejam questões religiosas. Pode ser, por exemplo, que você se oponha à política petista em defesa dos direitos civis dos homossexuais. Você chama isso de “tentativa de implantação de uma ditadura gay no Brasil”. É engraçado ouvir que existe ditadura gay no Brasil das mulheres-fruta, das dançarinas de axé, da erotização infantil, das peladonas do carnaval, das bancas em que pululam revistas masculinas de orientação heterossexual. Fique tranqüilo, essas coisas vão continuar acontecendo e ninguém está propondo instituir o monopólio da G Magazine entre as revistas de entretenimento adulto (fugiremos juntos do Brasil quando isso acontecer, ok?). Estamos falando em estender a uma pequena parcela da população os direitos civis desfrutados pela maioria. Nenhum governo do mundo tem poder para forçar alguém a assumir determinada sexualidade, porque os determinismos neurobiológicos da sexualidade passam ao largo da legislação dos homens – do contrário, eu acharia que os labradores machos lá do sítio da minha família só montam um no outro porque o governo PT apóia a causa homossexual (e eu desconfio que meus labradores não entendem muito bem o que seja o PL 122). A questão aqui é apenas garantir que a expressão de determinado comportamento sexual não seja discriminada. Isso não é forçar a população a ser homossexual, nem calar heterossexuais. O prefeito de Paris é gay, assim como o de Berlim e a Primeira Ministra da Islândia. Eu, heterossexual, não sofro por morar em uma cidade governada por um gay.
Aproveitando o tema, permita-me uma pergunta: o que aconteceria se, ao invés de se mobilizarem maciçamente contra o “casamento gay”, os evangélicos se movessem por coisas que importam, como metrôs, ensino público, bons hospitais e punição a corruptos? Por essas e outras, é que indicadores como mortes violentas, saneamento básico e crianças nas escolas são bem melhores em Paris do que em São Gonçalo, cidade do Brasil com maior concentração de evangélicos. A luta contra a miséria e os embates por educação, transporte e hospitais de qualidade não parecem sensibilizar evangélicos – mas se dois marmajos querem juntar escovas de dentes no mesmo copo do banheiro, aí eles entram na briga, né? Essa miopia política acívica atrasa o país. O Brasil seria bem melhor para todos se os evangélicos batalhassem politicamente por coisas que realmente importam – e isso certamente não inclui ajustar o mundo aos estritos códigos comportamentais que defendem.
Há o aborto também. Você está certo: a Dilma é a favor do direito ao aborto (este vídeo é como batom na cueca, não tem o que discutir). Mas preste atenção: estamos tratando de uma eleição presidencial, não de um plebiscito sobre o aborto. E você sabe: o presidente não tem poder para assinar um papel e legalizar o aborto por conta própria, sem aprovação do Congresso, como se estivesse assinando uma ordem para comprar canetas Bic para escolas públicas. A discussão e a legislação sobre aborto são matéria do Congresso, não do presidente. Não misture as coisas. Não entre na onda dos que estão transformando essa eleição em um plebiscito.
O Brasil melhorou muito sob a égide de Lula. A imprensa mundial, dos veículos mais à esquerda aos mais à direita (tá aqui o Figaro que não me deixa mentir), saúda os avanços na Era Lula. Você dirá, com razão, que toda unanimidade é burra. Sim, é verdade. Mas isso não significa que toda forma de discordância é inteligente. Não é inteligente negar que, nos anos Lula, o Brasil se tornou um país socialmente mais justo e menos desigual. Isso é negar os fatos. E negar os fatos nunca é inteligente.
Você pode até não votar na Dilma, por razões várias. Eu, de minha parte, prefiro apoiar quem tem feito do Brasil um lugar melhor para o maior número possível dos filhos deste solo: os brasileiros.
* Leonardo de Souza é médico formado pela UFMG. Especialista em Neurologia, trabalha desde 2005 no Centro de Doenças Cognitivo-Comportamentais do Hospital da Pitié-Salpétriêre, em Paris. É doutorando em neurociências na Université Paris VI. Este texto foi publicado inicialmente em seu blog: aterceiramargemdosena.opsblog.org.
Dilma agora faz acordo até com dono de centro de macumba. Agora é contra casamento gay, contra o aborto, é uma freira. Falta ser batizada na igreja protestante. Falta também sair de sua base direitista, do RS preconceituoso e independente. Enfim, Dilma é ex-guerrilheira, assaltante de banco, sequestradora. Serra é um capacho de Aécio Neves e companhia. Como diria De Gaulle, o Brasil não é um país sério.
Caro WILLIAM PEREIRA, não podemos e não devemos dar trela ao estado de alienação, omissão e desvario social e político, que, infelizmente ainda vitima milhões de brasilerios, inclusive muitos que se dizem alfabetizados do ponto de vista político.
A estratégia furada e frustada de negar a realidade, negar os fatos, nunca foi e nem será a mais razoável das opções.
As minhas inserções neste e em outros blogs, quando das minhas observações críticas nada tem ou terá de pessoal, mesmo porque a importância de nossa reais ações políticas trancende a mera pessoalidade e, sobretudo trancende interesses e objetivos (muitas vezes escusos e inconfessáveis) de ordem pessoal.
EMBORA – PARA ALGUNS – SEJA DESLOCADO DO CONTEXTO, POR EXEMPLO…SOBRE A QUESTÃO DO VOTO…
INICIALMENTE CABE LEMBRAR AOS MUI DÍGNOS ELITORES QUE AFRIMA VOTAR EM BRANCO….MUITOS BRASILEIROS PERDERAM E (OU) NA IMINÊNCIA DE PERDER A VIDA, EXATAMENTE POR LUTAREM PELA POSSIBILIDADE, HOJE REAL, DE QUE TODOS POSSAM PARTICIPAR, PELO MENOS REPRESENTATIVAMENTE DO PROCESSO DECISÓRIO E DOS DESTINOS DOS NOSSO PÁÍS .
NÃO ESQUEÇAMOS, QUE, SEM ESSE OXIGÊNIO FUNDAMENTAL CHAMADAO VOTO, ESTARÍAMOS COM CERTEZA A ANOS LUZ, DO USUFRUTO, DO ESTADO DE ESPÍRITO LIBERTÁRIO E DO PROGRESO REAL QUE AS LIBERDADE DEMOCRÁTICAS DISPONIBILIZAM À TODOS OS BRASILEIROS.
Muito ao contrário da opinião de alguns analistas incluindo aí os de “boa cepa intelectual”, a obrigatoriedade do voto – por exemplo – não é de forma nenhuma nocivo à democracia, pois o que fato torna mediocre o processo democrático, é, exatamente a falta de partcipação política no exercício do voto, na hora em que grande parcela da nação está a contribui com sua opinião e o seu exercício politico, não apenas necessário, mas, fundamental para a continuidade da democracia, muitas vezes por eles (creio que eles sabem, quem são eles…) interrompida, vilempendiada, deturpada em razão e em face de golpes de toda natureza ao longo de nossa frágil e instável rota democrática, tantas vezes, repise-se golpeada por essas figuras a apoiarem O JOSÉ SERRA CARA DE PEDÁDIO, OPORTNISTA SEM NENHUM ESCRÚPULO ULTIMAMENTE TRAVESTIDO DE PAPEL NOEL.
INFELIZMENTE, NÃO É NENHUMA NOVIDADE ESSE MODUS OPERANDI DA EXTREMA DIREITA, TÃO DOCILMENTE SEGUIDO E OBEDECIDO PELO QUE HÁ DE MAIS OBSCURO, ROTUNDO E IGNARO EM NOSSA SOCIEDADE, QUE DE HÁ MUITO INSTRUMENTALIZA MUITOS NA DIREÇÃO E NO OBJETO DA SERVIDÃO VOLUNTÁRIA TÃO À VISTA.
POR ÚLTIMO, CAROS WEB-LEITORES, INDEPENDENTE DE QUAL SEJA O RESULTADO DA PRESENTE ELEIÇÃO, DIDPONIBILIZO À TODOS, FRASE DO NOSSO JUSCELINO KUBSTIHEK DE OLIVEIRA…. QUE SINTETIZ O COMENTÁRIO ÚLTIMO POSTADO PELO NOSSO WILLIAM PEREIRA, E, TÃO OPORTUNAMENTE BEM COLOCADO E BEM ESCRITO PELO SR. LEONARDO DE SOUZA.
É inútil fechar os olhos à realidade. Se o fizermos, a realidade abrirá nossas pálpebras e nos imporá a sua presença. Obs.: Memorial JK – http://www.memorialjk.com.br [ Juscelino Kubitschek de Oliveira ]
UM ABRAÇO SENHORES….E REFLITAM SOBRE OS SEUS POSICIONAMENTOS, NUNCA SERÁ TARDE PARA TENTARMOS COMPREENDER A PECULIARIDADE DA NOSSA CULTURA POLÍTICA TERRA BRASILIS.
FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
OAB/RN. 7318.
Por Pedro Bial: Votar numa Guerreira da Democracia ou num Fujão
O Hino Nacional diz em alto e bom tom (ou som, como preferir) que um filho seu não foge à luta. Tanto Serra como Dilma eram militantes estudantis, em 1964, quando os militares, teimosos e arrogantes, resolveram dar o mais besta dos golpes militares da desgraçada história brasileira. Com alguns tanques nas ruas, muitas lideranças, covardes, medrosas e incapazes de compreender o momento histórico brasileiro, colocaram o rabinho entre as pernas e foram para o Chile, França, Canadá, Holanda. Viveram o status de exilado político durante longos 16 anos, em plena mordomia, inclusive com polpudos salários. Foi nas belas praias do Chile, que José Serra conheceu a sua esposa, Mônica Allende Serra, chilena.
Outras lideranças não fugiram da luta e obedeceram ao que está escrito em nosso Hino Nacional. Verdadeiros heróis, que pagaram com suas próprias vidas, sofreram prisões e torturas infindáveis, realizaram lutas corajosas para que, hoje, possamos viver em democracia plena, votar livremente, ter liberdade de imprensa.
Nesse grupo está Dilma Rousseff. Uma lutadora, fiel guerreira da solidariedade e da democracia. Foi presa e torturada. Não matou ninguém, ao contrário do que informa vários e-mails clandestinos que circulam Brasil afora.
Não sou partidário nem filiado a partido político. Mas sou eleitor. Somente por estes fatos, José Serra fujão, e Dilma Rousseff guerreira, já me bastam para definir o voto na eleição presidencial de 2010. Detesto fujões, detesto covardes!
Pedro Bial, jornalista.
TE CUIDEM PTRALHAS. PESQUISAM APONTAM EMPATE ENTRE A GUERRILHEIRA E O HOMEM DE BEM.
FORA PTRALHAS – FORA MENSALÃO – FORA ZE DIRCEU – FORA DELUBIO – FORA SARNEY – FORA COLLOR – FORA LULA MENTIROSO – FORA CUEQUEIROS CAMBADA DE LADRÕES.