Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

27 de janeiro de 2023
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* Antes de tudo, entendo que nem todos que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições podem ser tachados de fanáticos, muitos nem bolsonaristas são, votaram também pelo antipetismo. As notas abaixo são sobre indivíduos fanatizados.

* O cientista político João Cezar de Castro (Uerj) defende que o Brasil se tornou um laboratório de realidade paralela. “Foram quatro anos de uma dieta brava de desinformação, a ponto de as pessoas passarem a acreditar só no que lhes era oferecido, deslocando-se da realidade”.

* O psicanalista Christian Dunker define a fúria destruidora do dia 8 como uma “crença delirante artificialmente produzida”. Uma pessoa delirante envolveu outra, que envolveu outra, e tudo cresceu a ponto de gerar uma realidade terceira que ninguém sabia bem o que era.

* Dunker ainda esclarece que todo delírio depende de uma crença para alimentá-lo, daí as repetidas postagens dando um prazo de até 72 horas para a coisa acontecer. No geral, essas pessoas perderam ou abdicaram a capacidade de raciocinar. Servidão voluntária.

* O professor Dimas de Souza (PUC-MG) diz que o movimento bolsonarista é como uma mitologia. Tem o vilão (Lula), o salvador da Pátria (Bolsonaro) e os campos de luta imaginários, como Foro de São Paulo, globalismo, ameaça comunista, banheiro unissex etc.

* A experiente psicanalista Maria Beatriz Vannuchi vê a realidade paralela bolsonarista como uma criação psíquica permeada pela fantasia. Ocorre que negar a realidade factual pode trazer muita dor, isso explica cenas de desespero vistas nos acampamentos golpistas.

* Vannuchi defende ainda que os acampamentos eram formados basicamente por pessoas que se sentiam excluídas da sociedade, que passaram a se unir a outras na mesma situação, valendo-se de múltiplas motivações, sempre no mundo da realidade paralela.

* O sociólogo Rudá Ricci diverge um pouco, ele entende que os golpistas de oito de janeiro são pessoas que estavam cansadas de suas vidas tediosas, que viram nas caravanas do golpe uma oportunidade de saírem da rotina, sem saberem ao certo o que aquilo representava.

* A professora Rose M. Santini (UFRJ) diz que o bolsonarismo não arrefeceu após o 8/1. “O que se vê é um discurso unificado e orquestrado, de que todos são pela democracia, menos a esquerda, e a destruição partiu de petistas infiltrados que agiram para incriminar os patriotas”.

* O cientista político João Pereira Coutinho divide os indivíduos fanatizados em dois grupos: os que cometem crimes e os que não. Os primeiros devem ser punidos de acordo com a lei; os segundos devem ser impedidos de chegar ao poder e impor suas loucuras.

OBS. A coluna acima é um resumo, em notas, de uma extensa matéria publicada hoje (27/1), no jornal Valor Econômico, com o título “A realidade Paralela”.

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