* I – I – Ontem, o Senado Federal, utilizando-se de prerrogativa garantida na Constituição, rejeitou o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele precisava de 41 votos, teve 34.
* II – O fato confirma o que costumo dizer há muitos anos, que o verdadeiro “sistema” não é o governante da vez, mas o chamado “centrão”. Sem se curvar aos interesses dos políticos deste espectro cinzento da política, o governante da vez terá muitos dissabores.
* III – A nomeação dos ministros do STF é uma prerrogativa do presidente da República. O indicado precisa preencher apenas três requisitos: ter mais de 35 anos, possuir notório saber jurídico e reputação ilibada. Messias preenche os três, mas foi rejeitado.
* IV – Resta saber os próximos passos da relação entre o Executivo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), arquiteto da rejeição de Messias. Há quem defenda uma ruptura e declaração de guerra, há quem defenda um realinhamento, para evitar um mal pior.
* I – Em artigo publicado na imprensa, o ex-senador Jeal Paul Prates lamenta que o Nordeste esteja perdendo a oportunidade de encabeçar a tão necessária implantação da energia limpa, o que criaria uma barreira contra os problemas causados pelas costumeiras crises do petróleo.
* II – O ex-senador reforça que nossa região é próspera em relação à produção de energia limpa e renovável, mas a produção, por várias razões, não consegue entrar no sistema. “A situação atual beira a auto-sabotagem (sic)”, escreve Prates.
* Matéria publicada hoje no Valor revela os ingredientes caros que estão sendo utilizados nos restaurantes de alto padrão de São Paulo. Foi-se o tempo do trio caviar-trufa-fois gres. Agora é wasabi fresco, carne Wagyu, atum bluefin, camarão-carabineiro, ova de ouriço (uni), limão-caviar e baunilha banana, todos caríssimos.
* I – Nesta data, em 1981, vários artistas brasileiros se apresentaram no Riocentro, Rio de Janeiro, em festa alusiva ao Dia do Trabalhador, nomes como Gal Costa, Gonzaguinha, Clara Nunes e Chico Buarque. Por pouco, centenas de pessoas não morreram.
* II – Setores mais radicais dos militares, incomodados com a transição para o regime democrático, planejaram soltar uma bomba no local, mas o plano falhou e a bomba acabou explodindo no carro em que os militares responsáveis pela ação estavam, um Puma.
* III – Na ocasião, quem estava no palco era Elba Ramalho, que cantava “Banquete de Signos”. Os presentes escutaram o barulho da explosão, que ocorreu no estacionamento, mas ninguém sabia o que era e o show continuou, assim como os seguintes não foram cancelados.
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Jantar Secreto – Raphael Montes – (362 páginas).
Escrito por Raphael Montes, coautor de “Bom Dia, Verônica”, o thriller de terror “Jantar Secreto” pode incomodar os mais sensíveis e também enraivecer os politicamente corretos, vez que o narrador, o personagem Dante, tem várias falas gordofóbicas, mas isso é o de menos chocante do livro, que tem passagens de embrulhar o estômago. Eu mesmo perdi o apetite para o jantar após ler um dos capítulos. Até brinquei no grupo do Clube da Leitura, escrevendo que a obra produzia o mesmo efeito das canetas emagrecedoras.
Na trama, quatro jovens do interior do Paraná se mudam para Copacabana, Rio de Janeiro (RJ), buscando uma vida melhor. Todos são amigos de infância.
As coisas não saem bem como esperado e os perrengues começam. Daí a ideia de promover jantares secretos com “carne de gaivota”, expressão utilizada para despistar, pois a carne servida não é de gaivota, mas humana.
O quarteto, que se torna quinteto quando um deles junta à equipe a sua namorada, se impressiona com a receptividade. Os jantares atraem cada vez mais pessoas, inclusive políticos renomados, empresários, socialites etc.
Um dos convivas, homem que se apresenta aquinhoado, se oferece para entrar como sócio na empreitada, a fim de aumentar o negócio.
Há muitas traições; crimes; passagens escatológicas, repugnantes até; descrições de esquartejamentos com detalhes sórdidos; mas a leitura flui, apesar do enjoo que às vezes provoca.
O livro está custando R$ 42,87 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc. Neste caso, apenas embrulha o estômago.
Agradeço a Mariana Castro, colega do Clube de Leitura CT 786, que gentilmente me cedeu sua edição.
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Noites Brancas – Fiodor Dostoievski – (80 p. e-book).
Este romance curto, publicado em 1848, é uma das primeiras obras do escritor Fiódor Dostoievski. A trama se desenrola em quatro noites no verão de São Petersburgo, na Rússia, quando os dias não escurecem, fenômeno conhecido como “Noites Brancas”, daí o título.
A história é narrada pelo protagonista, que não apresenta seu nome. O Sonhador conhece Nástienka, ambos sonhadores e solitários. Durante quatro noites eles se reúnem e trocam confidências, criando uma intimidade, levando o leitor a acreditar que daqueles encontros surgirá um romance:
“Por muito tempo procurei por um certo alguém e esse é um sinal de que procurava exatamente a senhorita e que estávamos predestinados a nos encontrar”.
“(…) nem mesmo nos sonhos eu imaginava que algum dia iria conversar com alguma mulher”.
As frases acima mostram o quão o Sonhador também era um sofredor. Ele se julgava incapaz de despertar atenção e desejo, mas começou a esperançar quando conheceu Nástienka.
O livro está disponível gratuitamente no Kindle para assinantes.
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* I – Nesta data, em 1500, as 13 embarcações comandadas pelo navegador Pedro Álvares Cabral chegavam ao nosso país, no que ficou conhecido como Descobrimento do Brasil. Uma corrente cada vez maior de historiadores defende que a chegada se deu em Touros (RN).
* II – São três as principais evidências. A primeira e mais convincente mostra que as correntes marítimas levariam os navegadores para Touros, e não para Porto Seguro (BA). Naquele tempo, as navegações seguiam tais correntes.
* III – Na carta de Pedro Vaz de Caminha, ele escreve que após a parada inicial, os navegadores percorreram mais tantas léguas até a segunda parada. A distância que ele informa é exatamente a de Touros para Cananéia (SP), onde se deu a segunda parada.
* IV – Por fim, o marco português fincado em Touros é bem semelhante ao fincado em Cananéia. O marco de Porto Seguro difere dos dois. Há outras evidências, mas as três aqui citadas são as mais fortes. Muitos historiadores já defendem que os livros de história devem ser alterados.
* I – Ontem, foi feriado nacional em razão da morte do alferes Tiradentes. A história dele ficou “engavetada” por quase cem anos. O primeiro a descrevê-lo, Pedro Américo, teve total liberdade para criar a sua imagem, já que essa era desconhecida.
* II – Ele optou por descrevê-lo bem parecido com Jesus Cristo, mas muito dificilmente Tiradentes usasse barba e cabelos grandes, pois era militar.
* A população acima de 60 anos aumentou 58,5% entre 2012 e 2025, de 22,2 milhões para 35,2 milhões; no mesmo período, a população de jovens até 30 anos caiu 10,4%, de 98,2 milhões para 88 milhões. Não tem previdência social que aguente.
* Na década de 80, alguns cientistas ficaram intrigados com o fato de o monstro-de-gila, um lagarto que tem 50 cm de cumprimento, comer tão pouco. Eles passaram então a estudar o animal. Dessas análises resultaram, muitos anos depois, as chamadas canetas emagrecedoras.
* I – O cearense Fagner sempre foi muito amigo da turma da bossa nova, que o acolheu quando ele chegou ao Rio de Janeiro. Apesar do círculo que frequentava, optou por outros caminhos musicais, mas sempre achou que deveria lançar um disco do estilo criado nos anos 50 por João Gilberto.
* II – O desejo foi concretizado. Já está nas plataformas de streaming o disco Bossa Nova, onde Fagner revisita clássicos como “Chega de Saudade”, “Wave” e “Samba de Verão”, com parcerias em quase todas as faixas. Não é um disco voz e violão, tem uma banda completa acompanhando o cearense, que bancou o projeto do próprio bolso.
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O Alienista – Machado de Assis – (82 p. e-book).
Este conto, publicado em 1882, é considerado um dos melhores de Machado de Assis, sobretudo pelo humor, sagacidade e crítica aos que acreditam cegamente na ciência.
O personagem principal é o Doutor Simão Bacamarte, um médico que passa a se dedicar à psiquiatria e logo abre um hospício em Itaguaí, que o denomina de Casa Verde.
No início, ele enviou para a internação aqueles que o julgo realmente considerava louco. Com o passar do tempo, entretanto, passou a internar pessoas aparentemente ajuizadas, mas que não se enquadravam no seu conceito de sanidade mental. Enviou, por exemplo, um morador que emprestou dinheiro a muita gente e tinha vergonha de cobrar os devedores. Para o alienista, um sinal de loucura.
Houve protestos contra os excessos de internações, mas o doutor sempre conseguia se sair bem. Do meio para o fim ele mudou de opinião e concluiu que o normal era ter algum distúrbio de conduta, então liberou os antigos internos e mandou para a Casa Verde aqueles de reputação ilibada, para usar um termo atual.
Por fim, julgou que ele era o único homem completamente são da cidade, destoando de todo mundo. Assim, por ser diferente de todos, era o único louco, e então liberou todos os internos e ficou sozinho na Casa Verde.
O livro está disponível gratuitamente no Kindle para assinantes.



