0

* I – Na semana, o senador Rogério Marinho (PL-RN) lançou sua candidatura à presidência do Senado Federal. Disse que lutará pela anistia aos golpistas do 8 de Janeiro, que será uma barreira à barbárie que será o governo Lula 4 e que pautará o impeachment de ministros do STF.

* II – Ou seja, o senador não aprendeu exatamente nada com o recado das urnas. Essas pautas aí agradam apenas a bolha bolsonarista, hoje limitada a 12% do eleitorado, segundo o Ipespe. Ao dizer que não podia apontar fraudes nas urnas, pensei que ele tivesse virado a chave. Ledo engano.

* I – O Estadão trouxe matéria sobre pessoas que perderam muito dinheiro apostando em Flávio Bolsonaro, cuja “vitória era certa”. A reportagem cita pessoas que apostaram todo o patrimônio e ainda fizeram empréstimos para apostar em Flávio.

* II – Muitas dessas pessoas foram incentivadas pelos institutos de pesquisas e também pelo tal do Polymarket, uma espécie de bets do mercado financeiro, que chegou a mostrar Flávio com 82% de chance de vencer as eleições.

* Logo após as eleições, zapeando por canais no YouTube, vi um ex-vereador de Mossoró, convertido ao bolsonarismo extremo, comentando que o Brasil “Não tem mais jeito pelas vias democráticas”. Ele não citou qual então seria a via adequada, mas todos sabemos, né?

* Caso não tivesse escanteado Kelps Lima (União Brasil), Allyson Bezerra (União Brasil) poderia ser hoje o governador eleito do Rio Grande do Norte. Ele perdeu para Cadu (PT) por 32 mil votos. Nas eleições de 2022, Kelps, então candidato a deputado federal, teve 79 mil votos.

* O ator Sylvester Stallone acaba de lançar a autobiografia “Os Degraus”, que vai até seus 30 anos, em 1977, quando filmou “Rocky, um Lutador”. Ele narra uma vida de sofrimento, que já começa no parto, quando adquiriu paralisia facial do lado esquerdo em razão de erro médico.

* I – O escritor gay Edmund White lançou o livro “Os Amores de Minha Vida”, onde discorre sobre os vários relacionamentos que teve ao longo de seus 70 anos. Lembrei-me de um professor mossoroense, também gay, que sempre falava em publicar um livro exatamente assim.

* II – O livro já tinha até título: “As Bocas que Beijei”. Ele morreu sem que o livro fosse publicado, e não sei se chegou a ser escrito ou se não passou do campo das intenções. O fato é que muitos “homens de família” ficaram aliviados com a não publicação do livro-bomba.

* Robertinho do Recife completou ontem, 5, 73 anos. Considerado um dos melhores guitarristas do Brasil, já tocou com quase todo mundo, de Xuxa a Agnaldo Timóteo, passando por Luiz Caldas, Nara Leão etc. Como cantor, lançou “Baby Doll de Nylon”, canção que compôs com Caetano Veloso.

Compartilhe

0

* O deputado estadual Nelter Queiroz (PP) mantém a sina de político mais pé-frio do estado. Desde 1994, nunca um candidato a governador apoiado por ele venceu as eleições. Já são nove derrotas no currículo, de Lavoisier Maia (1994) a Allyson Bezerra (2026).

* Os senadores do PL, atuais e eleitos, deverão se reunir na próxima quarta-feira para confirmar a candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado Federal. O anúncio será feito após a reunião. A intenção do partido é procurar uma nova razão para viver, após a fuga de Flávio Bolsonaro.

* Um levantamento feito pelo jornal O Globo mostrou que dos 155 políticos do PL escolhidos para o Congresso Nacional e governos estaduais, apenas 38 compartilharam ou defenderam a carta golpista de Flávio Bolsonaro, 117 a ignoraram, o que dá 75% a 25%.

* O Confaz, órgão que congrega todos os estados e o Distrito Federal, anunciou as novas alíquotas para os combustíveis para o ano de 2027, com vigência a partir de 1.º de fevereiro. O reajuste ocorre todos os anos, com fundamento na Lei Complementar n.º 192/2022.

* I – 3.754 denúncias de assédio eleitoral em empresas foram feitas ao Ministério Público do Trabalho (MPT) até quinta-feira, 29. Foram casos de ameaça de demissão, constrangimento e bullying. Número bem superior ao registrado em 2022, 3.373. A coisa piorou.

* II – A deputada estadual Índia Armelau (PL), a mais votada no Rio de Janeiro, pediu nas redes sociais que os patrões vasculhassem as redes sociais dos empregados e então demitissem quem votou em Lula. A justiça derrubou a postagem.

* Não apenas nas empresas. Há muitos relatos de agressões e xingamentos ocorridos em escolas Brasil a fora, especialmente nas frequentadas pelos filhos da classe alta. No caso, a culpa maior é dos pais, os filhos apenas ecoam o que escutam em casa.

* Um salão de beleza em São Paulo foi condenado a pagar R$ 15 mil em indenização por danos morais a uma cliente que recebeu cobrança extra por ter cabelo crespo. Além disso, no grupo de WhatsApp do salão, algumas funcionárias usavam expressões racistas ao se referir à cliente.

* I – A MTV, como canal de clipes, funcionou no Brasil de 1990 a 30 de setembro de 2013. Com o fim datado, os diretores se debruçaram para decidir qual seria o último clipe exibido no canal. Após muitos considerandos, foi escolhido “Maracatu Atômico”, de Chico Science & Nação Zumbi.

* II – A música citada é um dos símbolos do movimento manguebeat, que surgiu na região metropolitana de Recife/PE nos anos 90, em meio a uma grave crise social e econômica no estado, o que é reverberado em várias letras das bandas que integravam o movimento.

Compartilhe

0

A Dança da Serpente (2026) – Paulo Stucchi – 469 páginas.

Antes de falar do livro em si, quero frisar que dia desses eu conversava com a escritora Lúcia Rocha sobre livros de ficção. Eu confessei a ela que tinha certo preconceito, achava perda de tempo, que se fosse ler, que se dedicasse a biografias, obras sobre acontecimentos históricos etc., mas perdi totalmente tal preconceito há aproximadamente um ano, após uma amiga, do nada, me entregar para leitura o livro “A Professora”, de Freida Mcfadden. “Você vai gostar”, foi o que ela disse ao me passar o livro. Não apenas gostei, foi além. De lá para cá já li 25 obras de ficção, todas resenhadas aqui no blog. E nesta onda entrei até num clube do livro.

Passei a ver as qualidades desse estilo de literatura. As obras aguçam a mente, despertam emoções, ativam lembranças, alargam a imaginação e nos dão muitas lições. Afinal, mesmo sendo ficcionais, sempre há paralelos com a realidade.

Agora vamos ao livro A Dança da Serpente, de Paulo Stucchi, que ganhei das amigas da turma do CT 786 por ocasião de meu aniversário, no final de julho.

A obra é rica pela diversidade de assuntos abordados: ditadura militar no Brasil, jornalismo, inquisição da igreja católica, colonialismo, escravidão, relações familiares e, especialmente, rituais de cura com base em religiões africanas. A história se passa em dois momentos e lugares: Século XVIII, no Brasil e em Portugal; e no Brasil, em 1977.

Na fase mais antiga, a personagem principal é Luzia Pinta, perseguida pela igreja católica por promover rituais de cura, acusada de bruxaria; na fase mais atual, as personagens principais são as gêmeas Clarice e Cléo. A primeira, também detentora do dom da cura, é perseguida pela ditadura militar por charlatanismo e outros crimes; Já Cléo é jornalista.

O livro tem outros personagens interessantes e muitas histórias que prendem.

Vale destacar que não é 100% ficcional. Há muitas citações de pessoas reais, inclusive a potiguar Alzira Soriano é mencionada, a primeira mulher a exercer um cargo eletivo na América Latina, como prefeita de Lajes/RN, no final dos anos 30. Acontecimentos reais também são citados, sempre com esclarecedoras notas de rodapé.

Vale muito à pena.

O livro está custando R$ 51,00 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

Compartilhe

0

* I – Não foram poucas as ocasiões em que ouvi pessoas dizendo que votavam em Flávio por ele ser a única opção anti-PT. Diziam que não eram bolsonaristas, inclusive reconheciam a desqualificação moral do candidato. Chegou então a hora de mostrar que o discurso era verdadeiro.

* II – Após derrota, Flávio fugiu do Brasil, um plano que já estava arquitetado para ser executado em caso de insucesso eleitoral. A decisão de reter o passaporte não foi o motivo, pelo contrário, apenas mostrou que a inteligência da Polícia Federal já sabia de algo.

* III – Ora, até a ex-deputada federal Joice Hasselmann já sabia do plano. No sábado, dia antes das eleições, ela postou vídeo dizendo que já havia jato fretado para levar Flávio Bolsonaro para fora do Brasil em caso de derrota. Se ela já sabia, imaginem a inteligência da PF.

* IV- Dizer que saiu do país em razão de perseguição política só cola para seus defensores mais fanáticos. Ele saiu do país para não enfrentar as acusações que lhe pesam. Sabe que tem culpa no cartório. Seu objetivo como presidente era a autoproteção, nada além.

* V – Tecnicamente ele não é exilado, nem asilado e nem refugiado. É apenas um cidadão que fugiu de seu país para escapar de responder a processos pelos crimes que cometeu. Cabe ao governo brasileiro pedir sua extradição, mas, com Trump no comando, a chance de o pedido ser acatado é zero. Mas quando Trump sair…

* VI – Sobre a alegada “ditadura da toga”, ela não existe. Em ditaduras, o regime prende sem mandado, tortura, esquarteja e joga os pedaços do corpo ao mar. Moraes apenas solicitou o passaporte, uma medida prevista no art. 320 do Código de Processo Penal. Moraes pode até ser arbitrário, mas ditador, não.

* VII – Voltando à primeira nota, cabe aos que se diziam bolsonaristas de ocasião esquecer Flávio e suas narrativas, e então construir num nome não bolsonarista para 2030, quando teremos novas eleições presidenciais. Caso insistam em defendê-lo, são bolsonaristas sim.

* VIII – O presidente do TSE, Nunes Marques, reconheceu a lisura do pleito; assim como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Por sua vez, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; e o próprio coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, descartaram fraude.

IX – Do outro lado, o presidente Lula precisa dar uma chacoalhada no seu governo, oxigená-lo, e ele sabe disso. É necessário colocar gente com visões novas, sobretudo na área da economia, e não interferir. Sem isso, enfrentará dificuldades para eleger seu sucessor.

* Em 1971, os integrantes da banda The Doors já tinham gravado as bases do sétimo disco de estúdio. Faltava apenas Jim Morrison voltar de Paris para gravar os vocais. Ele nunca voltou. Morreu por lá na banheira de um hotel. Ainda assim o disco foi lançado com os vocais do guitarrista e tecladista, recebendo o sugestivo nome de “Other Voices”.

Compartilhe

0

Não É Ela – Mary Kubica – 314 páginas.

Quando o leitor chegar à página 282, aproximadamente 85% da leitura, ele entenderá por que o livro se chama “Não É Ela”. Para mim, o momento mais marcante da obra, que é baseada em fatos.

O fato que inspirou o livro ocorreu no início dos anos 80. Não é uma transcrição literal do que aconteceu, porque aí seria uma obra jornalística ou histórica, mas a autora pegou vários elementos do crime real.

Ela nos conta a história de dois casais, pertencentes a uma mesma família, que se hospedam num resort rústico à beira de um lago, em cabanas separadas. Num dado momento, um dos casais é brutamente assassinado, e a filha deles, de 17 anos, some. O filho adolescente, que estava no quarto ao lado quando tudo aconteceu, nem ao menos se acordou. Diz que não viu e não percebeu nada.

Daí a história é contada sob duas perspectivas, afastadas no tempo: o de Courtney, irmã do homem assassinado e tia de Reese, a adolescente que sumiu, a qual relata os fatos pós-massacre; e o da própria Reese, que traz relatos do que aconteceu nos dias anteriores. Cabe ao leitor ir juntando os dois relatos e tentar decifrar o que aconteceu.

No decorrer da obra surgem vários indícios de autoria, alargando assim o leque de suspeitos. Ora o leitor acha que foi fulano, ora acha que foi beltrano, até descobrir o que realmente aconteceu. O desfecho, que achei espetacular, serve até como alerta para evitarmos uma prática bem comum, a qual não revelarei para evitar spoiler.

Outro trecho do livro também gera reflexão, quando um adulto flagra uma adolescente fazendo o que não devia e diz que irá contar aos pais dela, quando então é ameaçado pela jovem, a qual diz que se ele contar, ela inventerá que foi abusada por ele. Isso é mais comum do que se imagina.

Foi a sexta obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786.

O livro está custando R$ 66,40 na Amazon (aqui), o preço de quatro cervejas, e não prejudica o fígado etc.

Compartilhe