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A Dança da Serpente (2026) – Paulo Stucchi – 469 páginas.

Antes de falar do livro em si, quero frisar que dia desses eu conversava com a escritora Lúcia Rocha sobre livros de ficção. Eu confessei a ela que tinha certo preconceito, achava perda de tempo, que se fosse ler, que se dedicasse a biografias, obras sobre acontecimentos históricos etc., mas perdi totalmente tal preconceito há aproximadamente um ano, após uma amiga, do nada, me entregar para leitura o livro “A Professora”, de Freida Mcfadden. “Você vai gostar”, foi o que ela disse ao me passar o livro. Não apenas gostei, foi além. De lá para cá já li 25 obras de ficção, todas resenhadas aqui no blog. E nesta onda entrei até num clube do livro.

Passei a ver as qualidades desse estilo de literatura. As obras aguçam a mente, despertam emoções, ativam lembranças, alargam a imaginação e nos dão muitas lições. Afinal, mesmo sendo ficcionais, sempre há paralelos com a realidade.

Agora vamos ao livro A Dança da Serpente, de Paulo Stucchi, que ganhei das amigas da turma do CT 786 por ocasião de meu aniversário, no final de julho.

A obra é rica pela diversidade de assuntos abordados: ditadura militar no Brasil, jornalismo, inquisição da igreja católica, colonialismo, escravidão, relações familiares e, especialmente, rituais de cura com base em religiões africanas. A história se passa em dois momentos e lugares: Século XVIII, no Brasil e em Portugal; e no Brasil, em 1977.

Na fase mais antiga, a personagem principal é Luzia Pinta, perseguida pela igreja católica por promover rituais de cura, acusada de bruxaria; na fase mais atual, as personagens principais são as gêmeas Clarice e Cléo. A primeira, também detentora do dom da cura, é perseguida pela ditadura militar por charlatanismo e outros crimes; Já Cléo é jornalista.

O livro tem outros personagens interessantes e muitas histórias que prendem.

Vale destacar que não é 100% ficcional. Há muitas citações de pessoas reais, inclusive a potiguar Alzira Soriano é mencionada, a primeira mulher a exercer um cargo eletivo na América Latina, como prefeita de Lajes/RN, no final dos anos 30. Acontecimentos reais também são citados, sempre com esclarecedoras notas de rodapé.

Vale muito à pena.

O livro está custando R$ 51,00 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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* I – Não foram poucas as ocasiões em que ouvi pessoas dizendo que votavam em Flávio por ele ser a única opção anti-PT. Diziam que não eram bolsonaristas, inclusive reconheciam a desqualificação moral do candidato. Chegou então a hora de mostrar que o discurso era verdadeiro.

* II – Após derrota, Flávio fugiu do Brasil, um plano que já estava arquitetado para ser executado em caso de insucesso eleitoral. A decisão de reter o passaporte não foi o motivo, pelo contrário, apenas mostrou que a inteligência da Polícia Federal já sabia de algo.

* III – Ora, até a ex-deputada federal Joice Hasselmann já sabia do plano. No sábado, dia antes das eleições, ela postou vídeo dizendo que já havia jato fretado para levar Flávio Bolsonaro para fora do Brasil em caso de derrota. Se ela já sabia, imaginem a inteligência da PF.

* IV- Dizer que saiu do país em razão de perseguição política só cola para seus defensores mais fanáticos. Ele saiu do país para não enfrentar as acusações que lhe pesam. Sabe que tem culpa no cartório. Seu objetivo como presidente era a autoproteção, nada além.

* V – Tecnicamente ele não é exilado, nem asilado e nem refugiado. É apenas um cidadão que fugiu de seu país para escapar de responder a processos pelos crimes que cometeu. Cabe ao governo brasileiro pedir sua extradição, mas, com Trump no comando, a chance de o pedido ser acatado é zero. Mas quando Trump sair…

* VI – Sobre a alegada “ditadura da toga”, ela não existe. Em ditaduras, o regime prende sem mandado, tortura, esquarteja e joga os pedaços do corpo ao mar. Moraes apenas solicitou o passaporte, uma medida prevista no art. 320 do Código de Processo Penal. Moraes pode até ser arbitrário, mas ditador, não.

* VII – Voltando à primeira nota, cabe aos que se diziam bolsonaristas de ocasião esquecer Flávio e suas narrativas, e então construir num nome não bolsonarista para 2030, quando teremos novas eleições presidenciais. Caso insistam em defendê-lo, são bolsonaristas sim.

* VIII – O presidente do TSE, Nunes Marques, reconheceu a lisura do pleito; assim como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Por sua vez, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; e o próprio coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, descartaram fraude.

IX – Do outro lado, o presidente Lula precisa dar uma chacoalhada no seu governo, oxigená-lo, e ele sabe disso. É necessário colocar gente com visões novas, sobretudo na área da economia, e não interferir. Sem isso, enfrentará dificuldades para eleger seu sucessor.

* Em 1971, os integrantes da banda The Doors já tinham gravado as bases do sétimo disco de estúdio. Faltava apenas Jim Morrison voltar de Paris para gravar os vocais. Ele nunca voltou. Morreu por lá na banheira de um hotel. Ainda assim o disco foi lançado com os vocais do guitarrista e tecladista, recebendo o sugestivo nome de “Other Voices”.

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Não É Ela – Mary Kubica – 314 páginas.

Quando o leitor chegar à página 282, aproximadamente 85% da leitura, ele entenderá por que o livro se chama “Não É Ela”. Para mim, o momento mais marcante da obra, que é baseada em fatos.

O fato que inspirou o livro ocorreu no início dos anos 80. Não é uma transcrição literal do que aconteceu, porque aí seria uma obra jornalística ou histórica, mas a autora pegou vários elementos do crime real.

Ela nos conta a história de dois casais, pertencentes a uma mesma família, que se hospedam num resort rústico à beira de um lago, em cabanas separadas. Num dado momento, um dos casais é brutamente assassinado, e a filha deles, de 17 anos, some. O filho adolescente, que estava no quarto ao lado quando tudo aconteceu, nem ao menos se acordou. Diz que não viu e não percebeu nada.

Daí a história é contada sob duas perspectivas, afastadas no tempo: o de Courtney, irmã do homem assassinado e tia de Reese, a adolescente que sumiu, a qual relata os fatos pós-massacre; e o da própria Reese, que traz relatos do que aconteceu nos dias anteriores. Cabe ao leitor ir juntando os dois relatos e tentar decifrar o que aconteceu.

No decorrer da obra surgem vários indícios de autoria, alargando assim o leque de suspeitos. Ora o leitor acha que foi fulano, ora acha que foi beltrano, até descobrir o que realmente aconteceu. O desfecho, que achei espetacular, serve até como alerta para evitarmos uma prática bem comum, a qual não revelarei para evitar spoiler.

Outro trecho do livro também gera reflexão, quando um adulto flagra uma adolescente fazendo o que não devia e diz que irá contar aos pais dela, quando então é ameaçado pela jovem, a qual diz que se ele contar, ela inventerá que foi abusada por ele. Isso é mais comum do que se imagina.

Foi a sexta obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786.

O livro está custando R$ 66,40 na Amazon (aqui), o preço de quatro cervejas, e não prejudica o fígado etc.

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* I – Quem será o presidente do Brasil a partir de 5 de janeiro de 2027? Só Deus sabe. Por ter vencido na primeira etapa, o caminho está mais fácil para Flávio Bolsonaro (PL), entretanto, “mais fácil” não é certeza. A diferença não foi larga.

* II – Os eleitores de Flávio Bolsonaro repetirão os votos. Assim, cabe a Lula achar os votos de que precisa nos 33,4 milhões de brasileiros que não foram votar no primeiro turno, e talvez alguma coisa entre os que votaram nulo: 3,6 milhões; e em branco: 2,3 milhões.

* III – A vitória de Flávio no primeiro turno despertou os democratas inertes, pessoas que estavam desinteressadas passaram a se movimentar, ante o risco real de retrocesso que uma vitória do candidato do bolsonarismo poderá trazer.

* No Rio Grande do Norte, o candidato Allyson Bezerra (União) precisa fazer uma campanha pisando em ovos (ou em votos?), calculando cada frase, vez que não assume posição em relação ao cenário nacional. Em um país altamente polarizado, tudo se torna bandeira de um lado ou de outro, e Allyson tem que sempre se esquivar de tudo. Tarefa difícil.

* I – A vida do ladrão de celular ficou bem pior de 30 de abril para cá, quando o presidente Lula sancionou a Lei n.º 15.397/2026, que estipulou a pena mínima de seis anos, e máxima de 10, para quem subtrai aparelho celular, tablets etc.

* II – A mesma lei alterou diversos outros artigos do Código Penal, sempre endurecendo a pena e retirando exigências que dificultavam a condenação dos criminosos. Não foi apenas a vida do ladrão de celular que piorou, mas do criminoso de forma geral.

* Os serviços de atendimento ao consumidor (SACs) deverão disponibilizar a possibilidade de o consumidor falar a qualquer momento da ligação com um atendente humano. A exigência, que deverá ser implantada em até 20 dias, está no Decreto n.º 13.135, publicado ontem.

* I – No capítulo X da parte 04 do livro Anna Kariênina, de Tolstói, homens da elite conversam sobre a possibilidade de as mulheres exercerem cargos e funções na sociedade, vez que, naquela época, elas estavam encurtadas às lides domésticas.

* II – Os comensais divergiam. “A questão consiste apenas em saber se elas estão aptas para tais obrigações”, disse um deles. “Elas estarão muito aptas, se instruídas”, outro retrucou. A obra foi lançada em 1878. Impressionante como setores da sociedade, inclusive mulheres, queiram rediscutir esse assunto. É de cair o queixo.

* A linda canção “Candle in the Wind”, de Elton John, sempre foi muito associada à Diana, a Princesa de Gales. A música, lançada em 1973, foi uma homenagem à atriz Marilyn Monroe, inclusive citada nominalmente num dos versos. A letra, todavia, cabe feito luva à vida da princesa, daí a associação.

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“Bom Dia, Inverno” – Tamara Klink – 255 páginas.

Há várias semanas encabeçando a lista de livros de não-ficção mais vendidos no Brasil, “Bom Dia, Inverno”, da navegadora Tamara Klink, faz muito por merecer o lugar que ocupa. A leitura é um deleite, repleta de reflexões sobre a vida, amizade, família, relacionamentos sociais e afetivos, desafios etc., tudo partindo da “cabeça” de uma jovem com 28 anos de idade.

O livro é uma espécie de diário de bordo, onde ela registra os oito meses em que passou no mar gelado, na Groelândia, a partir de outubro de 2023. Período em que interagiu muito pouco com pessoas em carne e osso. Foram longos períodos de solidão, daí a inspiração para as mais diversas reflexões.

“Ao perder algo, a gente é grato pelo que tem. Ao ganhar, dá atenção ao que falta”.

“O mundo todo é plateia de um homem, e fiscal de uma mulher”.

“O amor não está em prêmios, objetos, prestígio, números numa conta, listas de países viajados. Ele mora nas sensações”.

O único porém do livro são os termos técnicos da área da navegação utilizados pela autora a todo instante, mas basta ignorá-los. E quem quiser entendê-los, é só dar um Google.

O livro está de R$ 42,90 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.

Agradeço a amiga Mariana Castro, do Clube de Leitura CT 786, que gentilmente me cedeu seu exemplar.

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