Não É Ela – Mary Kubica – 314 páginas.
Quando o leitor chegar à página 282, aproximadamente 85% da leitura, ele entenderá por que o livro se chama “Não É Ela”. Para mim, o momento mais marcante da obra, que é baseada em fatos.
O fato que inspirou o livro ocorreu no início dos anos 80. Não é uma transcrição literal do que aconteceu, porque aí seria uma obra jornalística ou histórica, mas a autora pegou vários elementos do crime real.
Ela nos conta a história de dois casais, pertencentes a uma mesma família, que se hospedam num resort rústico à beira de um lago, em cabanas separadas. Num dado momento, um dos casais é brutamente assassinado, e a filha deles, de 17 anos, some. O filho adolescente, que estava no quarto ao lado quando tudo aconteceu, nem ao menos se acordou. Diz que não viu e não percebeu nada.
Daí a história é contada sob duas perspectivas, afastadas no tempo: o de Courtney, irmã do homem assassinado e tia de Reese, a adolescente que sumiu, a qual relata os fatos pós-massacre; e o da própria Reese, que traz relatos do que aconteceu nos dias anteriores. Cabe ao leitor ir juntando os dois relatos e tentar decifrar o que aconteceu.
No decorrer da obra surgem vários indícios de autoria, alargando assim o leque de suspeitos. Ora o leitor acha que foi fulano, ora acha que foi beltrano, até descobrir o que realmente aconteceu. O desfecho, que achei espetacular, serve até como alerta para evitarmos uma prática bem comum, a qual não revelarei para evitar spoiler.
Outro trecho do livro também gera reflexão, quando um adulto flagra uma adolescente fazendo o que não devia e diz que irá contar aos pais dela, quando então é ameaçado pela jovem, a qual diz que se ele contar, ela inventerá que foi abusada por ele. Isso é mais comum do que se imagina.
Foi a sexta obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786.
O livro está custando R$ 66,40 na Amazon (aqui), o preço de quatro cervejas, e não prejudica o fígado etc.
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* I – Quem será o presidente do Brasil a partir de 5 de janeiro de 2027? Só Deus sabe. Por ter vencido na primeira etapa, o caminho está mais fácil para Flávio Bolsonaro (PL), entretanto, “mais fácil” não é certeza. A diferença não foi larga.
* II – Os eleitores de Flávio Bolsonaro repetirão os votos. Assim, cabe a Lula achar os votos de que precisa nos 33,4 milhões de brasileiros que não foram votar no primeiro turno, e talvez alguma coisa entre os que votaram nulo: 3,6 milhões; e em branco: 2,3 milhões.
* III – A vitória de Flávio no primeiro turno despertou os democratas inertes, pessoas que estavam desinteressadas passaram a se movimentar, ante o risco real de retrocesso que uma vitória do candidato do bolsonarismo poderá trazer.
* No Rio Grande do Norte, o candidato Allyson Bezerra (União) precisa fazer uma campanha pisando em ovos (ou em votos?), calculando cada frase, vez que não assume posição em relação ao cenário nacional. Em um país altamente polarizado, tudo se torna bandeira de um lado ou de outro, e Allyson tem que sempre se esquivar de tudo. Tarefa difícil.
* I – A vida do ladrão de celular ficou bem pior de 30 de abril para cá, quando o presidente Lula sancionou a Lei n.º 15.397/2026, que estipulou a pena mínima de seis anos, e máxima de 10, para quem subtrai aparelho celular, tablets etc.
* II – A mesma lei alterou diversos outros artigos do Código Penal, sempre endurecendo a pena e retirando exigências que dificultavam a condenação dos criminosos. Não foi apenas a vida do ladrão de celular que piorou, mas do criminoso de forma geral.
* Os serviços de atendimento ao consumidor (SACs) deverão disponibilizar a possibilidade de o consumidor falar a qualquer momento da ligação com um atendente humano. A exigência, que deverá ser implantada em até 20 dias, está no Decreto n.º 13.135, publicado ontem.
* I – No capítulo X da parte 04 do livro Anna Kariênina, de Tolstói, homens da elite conversam sobre a possibilidade de as mulheres exercerem cargos e funções na sociedade, vez que, naquela época, elas estavam encurtadas às lides domésticas.
* II – Os comensais divergiam. “A questão consiste apenas em saber se elas estão aptas para tais obrigações”, disse um deles. “Elas estarão muito aptas, se instruídas”, outro retrucou. A obra foi lançada em 1878. Impressionante como setores da sociedade, inclusive mulheres, queiram rediscutir esse assunto. É de cair o queixo.
* A linda canção “Candle in the Wind”, de Elton John, sempre foi muito associada à Diana, a Princesa de Gales. A música, lançada em 1973, foi uma homenagem à atriz Marilyn Monroe, inclusive citada nominalmente num dos versos. A letra, todavia, cabe feito luva à vida da princesa, daí a associação.
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“Bom Dia, Inverno” – Tamara Klink – 255 páginas.
Há várias semanas encabeçando a lista de livros de não-ficção mais vendidos no Brasil, “Bom Dia, Inverno”, da navegadora Tamara Klink, faz muito por merecer o lugar que ocupa. A leitura é um deleite, repleta de reflexões sobre a vida, amizade, família, relacionamentos sociais e afetivos, desafios etc., tudo partindo da “cabeça” de uma jovem com 28 anos de idade.
O livro é uma espécie de diário de bordo, onde ela registra os oito meses em que passou no mar gelado, na Groelândia, a partir de outubro de 2023. Período em que interagiu muito pouco com pessoas em carne e osso. Foram longos períodos de solidão, daí a inspiração para as mais diversas reflexões.
“Ao perder algo, a gente é grato pelo que tem. Ao ganhar, dá atenção ao que falta”.
“O mundo todo é plateia de um homem, e fiscal de uma mulher”.
“O amor não está em prêmios, objetos, prestígio, números numa conta, listas de países viajados. Ele mora nas sensações”.
O único porém do livro são os termos técnicos da área da navegação utilizados pela autora a todo instante, mas basta ignorá-los. E quem quiser entendê-los, é só dar um Google.
O livro está de R$ 42,90 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.
Agradeço a amiga Mariana Castro, do Clube de Leitura CT 786, que gentilmente me cedeu seu exemplar.
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Pactos Mortais – Steve Cavanagh – 333p.
Começando pelo fim, gostei muito do agradecimento que o autor fez ao leitor na última página:
Um último e mais importante agradecimento: a você.
Sim, você, de novo.
Se leu este livro, então, quero agradecer por fazer isso. Espero de verdade que você tenha gostado. Mesmo que não tenha gostado muito, fico enormemente feliz por ter tirado um tempo para ler. E quero que saiba que penso muito em você. Quero que tenha ficado entretido enquanto lia e esquecido seus problemas. Pelo menos por um tempinho. Pois é disso que se trata a leitura.
Espero que todos os nossos sofrimentos passem, e desejo a todos nós paz e luz.
Legal, né? Deu até vontade de comprar os outros livros dele.
Quanto a este, “Pactos Mortais”, o escritor norte-irlandês Steve Cavanagh nos apresenta um suspense policial que se passa em Nova Iorque, envolvendo três mulheres atormentadas por traumas e com sede de vingança, querendo fazer justiça com as próprias mãos.
Amanda White e Naomi Cotton se conhecem num grupo de luto. Ambas perderam as filhas e convivem com a impunidade dos autores dos crimes. Certa noite, após uma sessão, elas se encontram casualmente num bar e estreitam os laços. Cada uma relata a raiva de ver os autores de ambos os crimes impunes.
Os laços entre elas vão ficando mais fortes e então Naomi faz um proposta, um “pacto mortal”. Ela mataria o assassino da filha de Amanda, Wallace Crone, e esta mataria o assassino da filha de Naomi, o professor Frank Quinn. Com o crime cruzado, nenhuma seria investigada, pela inexistência de laços entre elas e as vítimas. Poderiam até ser investigadas pelos crimes envolvendo seus desafetos diretos, mas aí bastaria garantir um álibi.
Noutro canto da cidade vive Ruth Gelman, que também procura obsessivamente o homem que invadiu sua casa e tentou matá-la. Ela não sabe sua identidade, mas garante que consegue reconhecê-lo caso o encontre em algum lugar, o que acontece. Daí ela pede ao marido, Scott, que vingue o crime que a abalou tanto, e que a tornou incapaz de ter um filho, seu maior sonho.
Outro personagem da trama é o policial Farrow, que investiga todos os casos, e começa a fazer alguns links entre os crimes pretéritos e os que ocorrem no decorrer da trama.
O livro não me pegou no começo, mas do meio para o fim fica eletrizante, uma leitura que prende, viciante. Vale à pena.
Foi a quinta obra escolhida pelo Clube do Livro CT 786. Reunião no Laço Café e Cacau.
O livro está custando R$ 46,10 na Amazon (aqui), o preço de três cervejas, e não prejudica o fígado etc.
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* Começou no domingo a campanha eleitoral 2026. O que percebo é uma queda da empolgação do eleitorado quando comparado com 2022. Reflexo de um povo desiludido, desesperançado, descrente. Como já cantou Renato Russo: “O futuro não é mais como era antigamente”.
* I – Jornalismo – Em 1969 o Brasil era governado por uma Junta Militar formada pelos ministros Augusto Rademarker, Lira Tavares e Márcio de Sousa Melo, após doença incapacitante do presidente Costa e Silva. Essa junta criou a obrigatoriedade de diploma para exercício do jornalismo.
* II – A regra vigorou até 2009, quando o STF a revogou alegando que a proibição de exercer a atividade violava a liberdade de expressão e de informação. O assunto voltou à tona nos últimos dias, com possibilidade de a exigência ser retomada.
* III – Não há como a obrigatoriedade voltar a valer, simplesmente pela impossibilidade prática de ser fiscalizada. Como proibir milhares de pessoas de se manifestarem em blogs pessoais, por exemplo? Seria um esforço muito grande para combater um “mal” pequeno. Não vale à pena.
* I – Um estudo do Itaú BBA revelou que entre maio de 2025 e maio deste ano, aproximadamente 3 milhões de caixas com ampolas contendo a substância tirzepatida, a mesma do Mounjaro, fabricadas no Paraguai, entraram no Brasil ilegalmente.
* II – Ainda segundo o estudo, o Brasil consome aproximadamente 90% da tirzepatida fabricada no país vizinho. A Receita Federal tem intensificado a fiscalização, mesmo assim estima que apenas 3% da tirzepatida que atravessa a fronteira são apreendidas.
* I – Quem gosta de séries curtas, com apenas uma temporada, ou minisséries, sugiro procurar a aba “Coleção Harlan Coben” na Netflix. São obras baseadas nos livros do autor. Há aproximadamente dez, entre elas “Eu Vou te Encontrar” e “Não Fale com Estranhos”.
* II – Da citada aba, além dessas duas mencionadas, também já vi “Custe o que Custar”, “A Grande Ilusão”, “Desaparecido para Sempre” e “Safe”. O estilo de todas é o mesmo: thriller policial; sempre com reviravoltas, personagens misteriosos, passados obscuros, segredos, desaparecimentos etc. Vale à pena.
* I – Uma resposta ríspida que se transformou num dos maiores clássicos da música brasileira. Dona Zica perguntou ao marido, Cartola, o que estava acontecendo com as roseiras do quintal. Ele sapecou: “Não sei, as rosas não falam”, uma resposta ignorante que a entristeceu.
* II – Ante a cara feia da mulher, Cartola quis se redimir e começou a transformar aquela grosseria em declaração de amor, e assim nasceu “As Rosas não Falam”, dos versos: “Que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti”.




