Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

9 de dezembro de 2009
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Já se disse, reiteradas vezes, que vai chegar o dia em que levarão a Catedral de Santa Luzia e ninguém neste país de Mossoró se oporá a isso. Pelos fatos que se seguem diariamente, nesta terra, não duvido que demore muito para que isso ocorra.

Resta comprovado que somos, sim, culpados por parcela das ruindades a que somos condenados diuturnamente. Culpados pela inércia, pelo comodismo. Tudo acontece e apenas contemplamos, passivamente. Parece que estamos apenas de “boca escancarada… esperando a morte chegar”.

A falta de decoração natalina, por incompetência, falta de zelo com a cidade, ou por pura maldade de quem (deveria) comandar os destinados desta cidade, é um exemplo de que temos aceitado tudo,   genuflexos, como se pagando por um pecado que por ventura tenhamos cometido.

Não podemos deixar escapar de vista de que muito do espírito natalino foi engolido pelo capitalismo. Não é de hoje que o sentimento evocado pelo Natal tem servido muito mais a interesses mercantis do que propriamente à reflexão que ele inspira.

Entretanto, esses aspectos não podem servir de pretexto para que – aqui e alhures – deixemos de embelezar nossas ruas, praças e avenidas.

O espírito natalino ainda emociona quem não se deixa levar pelos modismos e pela ditadura do consumo que impera nos dias atuais. Emociona sobretudo as crianças, seres impúberes que encontram no mundo da fantasia, o sentido para a busca por sentido das coisas futuras as quais terão acesso nos dias vindouros.

Esse espírito, aqui definido como distante de qualquer doutrina religiosa, desenvolve um importante papel no aspecto ludens do homem moderno.

Mas, parece-nos inútil querer convencer os administradores municipais de que há aspecto importante em termos uma cidade enfeitada, bonita. Por mais que isso eleve a autoestima dos mossoroenses.

Mais infrutuoso ainda é querer, como simples cidadão, fazer ver  a nossos governantes municipais que decoração natalina se presta a alguma coisa.

Decoração natalina para quê, se a administração que aí está não tem luz própria?

Márcio Alexandre (Professor, jornalista e cidadão)

PS: cidadão não é só quem está no gozo dos direitos políticos que a lei lhe confere, mas quem também se importa com os problemas de sua cidade, na salutar relação direito/dever).

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Uma resposta

  1. Márcio, com certeza você externou o pensamento de muitos mossoroenses com o seu texto. Realmente a cidade só tem a perder com a falta da decoração natalina. Sabemos que o Natal apesar de ser uma data cristã, é a salvação de vários comerciantes que lutam o ano inteiro para ter uma receita maior nesse período do ano, bem como ter uma condição melhor de pagar o 13º aos seu funcionários. Acontece que já é voz geral entre os mossoroenses que a ausência de decoração está prejudicando o comércio, pois tem os seus consumidores desmotivados a irem ao centro da cidade. Tenho ouvido comentários de comerciantes que aproveitavam a vinda de pessoas de outras cidades próximas a Mossoró para admirar a nossa decoração (que nos enchia de orgulho), principalmente a da Praça do Pax, para comprar em seus estabelecimentos. Realidade essa que não vai existir nesse ano de 2009. Isso levando em conta a questão capitalista da coisa, pois se formos levar em consideração também o quanto bom era nos anos anteriores levar as nossas crianças para a admirar a decoração e encher os seus olhos pequeninos com as luzes do natal. Infelizmente neste ano, para enchermos de alegria os olhos dos pequenos, teremos que levá-los para Natal ou outras cidades e ironicamente deixarmos o nosso suado dinheiro nas mesmas. Tenho certeza que esta foi uma das piores decisões do governo municipal.

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