Tio Colorau

Por Erasmo Firmino

26 de janeiro de 2010
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O trabalho de ressocialização de detentos realizado pela Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania e pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte na Penitenciária Agrícola Mário Negócio, em Mossoró, “Filosofarte – Educando Através da Filosofia e da Arte para a Promoção da Cidadania”, virou tema de livro.

Lançado no último final de semana em Mossoró, pela UERN, o livro é composto por capítulos escritos por professores e alunos e apresenta as atividades de ensino desenvolvidas com os apenados. Durante um ano, os apenados da Penitenciária Agrícola Mário Negócio foram assistidos pelo projeto. “Nosso objetivo não era só ensinar a música, por exemplo, mas direcionar a arte como meio de reflexão para os apenados. Para isso trabalhamos em cima de temas. Esse livro demonstra que a UERN pode trabalhar ensino, pesquisa e extensão”, disse a coordenadora do programa, professora Vera Porto.

O curso foi iniciado com 70 apenados do regime semi-aberto, número que foi diminuindo, devido à rotatividade das penas. Foram entregues diplomas para 23 participantes dos cursos de música (violão e flauta) e pintura. “Um trabalho como esse é uma ponte entre os apenados e a sociedade, e para os professores e monitores, à medida que se ensina, aprende-se. O projeto foi de fundamental importância para todos”, destacou o reitor Milton Marques.

CONSTATAÇÃO – O major Francisco Alvibá Gomes Ferreira, diretor da “Penitenciária Mário Negócio”, destacou a experiência como positiva. “Cada três meses de envolvimento no programa significa um dia de redução de pena. A partir do momento em que o programa foi iniciado, nós já vimos mudança no comportamento deles. Eles eram arredios e com isso puderam se socializar. Todas as sextas-feiras, ficavam ansiosos para a aula”, afirmou.

A atividade também possibilitou a melhora da auto-estima dos detentos e a ressocialização através da música. “A partir do momento em que eles saíam daqui para se apresentar em outros locais, esses reeducandos passaram a se interessar mais. Isso proporcionou, inclusive, a redução na evasão, de 20% para 2%, e sensível redução na agressividade”, afirmou o major.

Os apenados vêem o projeto como uma nova esperança. Josicleber Pereira recebe daqui a 16 dias a sua liberdade condicional e é um dos formandos da primeira turma. “Eu consegui aprender a tocar violão e isso foi um grande incentivo de vida, a prática ajuda até no psicológico, na paciência de estar aqui. Hoje me considero uma pessoa melhor até pela convivência com pessoas boas”, disse.

EXEMPLO – O secretário de Justiça e Cidadania, Leonardo Arruda, destacou o benefício para os apenados. “Essa socialização é sempre buscando o futuro, a quebra da aridez do ambiente de presídio e abre as portas para outros projetos, por exemplo, a mão de obra apenada para a construção dos estádios da copa, que é um projeto em avaliação. Aqui em Mossoró para a construção da cadeia pública. O grupo Votorantim está construindo uma fábrica de cimento em Baraúna e 50 apenados estão sendo treinados para trabalhar lá, com garantia de emprego na construção civil”, informou.

O livro está sendo distribuído entre os apenados e bibliotecas do Rio Grande do Norte.

OBS. Com informações da assessoria.

NOTA DO TIO – A ressocialização dos presos deveria ser a regra, mas, infelizmente, é exceção, merecendo grande destaque.

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Uma resposta

  1. Nesse sentido é o “Programa Começar de Novo”, lançado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que compreende um conjunto de ações voltadas à sensibilização de órgãos públicos e da sociedade civil com o propósito de coordenar, em âmbito nacional, as propostas de trabalho e de cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário, de modo a concretizar ações de cidadania e promover redução da reincidência.

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