Racionalidades – 43ª edição.

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O AUMENTO SALARIAL – A Câmara Municipal de Mossoró pegou fogo na última terça-feira, quando foi votado o Projeto de Lei Complementar do Executivo (PLCE) nº 138/2019, que previa reajuste salarial de 3,75% para o funcionalismo público.

Sindicalistas e servidores públicos lotaram as galerias da Casa cobrando um aumento maior, vez que os 3,75% não cobrem nem a soma da inflação dos últimos dois anos, data do último aumento, algo em torno de 7%.

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NÃO TEVE JEITO – Apesar de todo o barulho e de todo o protesto, a Câmara Municipal, por 13 x 7, aprovou o projeto encaminhado pelo Executivo.

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EMPURRADO PARA A OPOSIÇÃO – O vereador João Gentil (sem partido) cumpriu sua promessa de ter uma atuação independente na Câmara Municipal. Na sessão que deliberou sobre o reajuste ele se solidarizou com o pleito dos servidores e votou CONTRA a proposição.

Diante da decisão do edil, o Palácio da Resistência usou a imprensa amiga para taxá-lo de opositor. Todas as matérias e afins feitas pela imprensa ligada ao rosalbismo explicitaram que o vereador era oposição.

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NÃO NECESSARIAMENTE – Ora, o vereador vem se apresentando como independente. Assim, nada impede que numa votação futura ele vote em consonância com os interesses do Executivo. Ou melhor, nada impediria. Depois de ser rotulado como opositor e, consequentemente, alvo da imprensa ligada ao rosalbismo, é difícil prever os próximos passos do vereador. Reconciliação ou divórcio?

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100% VOCÊ – O fato trazido na nota acima, apesar de ter acontecido com um vereador que se apresenta como independente, mostra a total incapacidade da prefeitura de aceitar posições contrárias. Fica cristalino como as águas de Maragogi que os vereadores aliados só têm uma frase a dizer diante das ordens da prefeita: “Sim, senhora”.

Até quando?

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A MALHA, MARIA. – Alô, Maria das Malhas (PSD), vereadora da situação, olhe para o povo do seu bairro, o Planalto 13 de Maio. Peça a senhora prefeita que na próxima licitação para recapeamento de ruas e avenidas inclua os logradouros do bairro. Bora focar nessa malha também.

Trafegar pelo Planalto 13 de Maio é terrível. As ruas – todas a paralelepípedo – são esburacadas e desniveladas nos cruzamentos, estilo tobogã. As frentes dos veículos sofrem com esses desnivelamentos, como mostra a foto acima.

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MAS SE NÃO PEDIR – Dona Maria das Malhas pleiteando ou não, era bom que a prefeitura olhasse com carinho para a malha viária daquela importante e populosa região da cidade, cheia de escolas, condomínios e pontos comerciais.

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SÓ IMAGINO – Ficando pensando como deve ser o papo quando um vereador aliado vai à prefeita solicitar algo.

– Prefeita, eu queria isso.

– Mas Fulano, você num já tem aqueles…

– É, mas… a senhora sabe, né?

– Tchau, Fulano. Próximo, secretária.

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MARIELLE FRANCO – A morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes voltou a ser destaque na mídia nacional e internacional, isso porque a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu os dois executores do crime, o policial militar aposentando Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Queiroz.

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COMPARAÇÃO – Nas redes sociais vi alguns meninos e meninas incomodados com o tamanho da cobertura dada ao caso. Advogaram que Marielle era um ser humano como qualquer outro, e que não viam a mesma repercussão no caso da menina de Caicó e noutros.

Quem escreve algo nesse sentido se mostra totalmente desconectado dos valores democráticos e do que está acontecendo no Brasil.

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A PERDA DE UM SER HUMANO – Todas as mortes são lamentáveis, especialmente as trágicas. Perder um ente querido é a pior sensação de nossas vidas. Quem já passou por isso sabe como é difícil lidar com a partida de quem nos é próximo.

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SUA LUTA – A morte de Marielle Franco, contudo, vai além disso. Seu assassinato mostra que nossa democracia é imperfeita. A intenção não foi apenas matar uma pessoa, mas calar o que ela representa. Marielle, exercendo sua cidadania, lutava pelos direitos humanos, pelos direitos das negras, dos LGBTQ+, denunciava abusos cometidos pela Polícia Militar e pelos milicianos.

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DEMOCRACIA EM RISCO – Ela tinha todo o direito de lutar pelo que achasse justo. Algo totalmente normal numa democracia, sobretudo porque ela atuava dentro da legalidade, usando os meios garantidos constitucionalmente. Quem a assassinou o fez para conter essa luta, que não é só de Marielle, mas de centenas de milhares, inclusive de quem, por falta de conhecimento, desdenha o fato.

Trata-se de um crime de ódio, de quem não suporta a atuação do outro, mesmo sendo dentro do jogo democrático.

A morte dela tem sim que ter ampla cobertura, especialmente para evitar outros casos. A democracia não deve correr riscos.

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FRASE “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. […] Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”. (Marielle Franco, no Twitter, um dia antes de ser assassinada, aos 38 anos).

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CURIOSIDADE – Durante as investigações do caso Marielle foram vistoriados todos os automóveis Cobalt prata registrados na capital fluminense. Nada menos do que 7.375 veículos. O automóvel usado no crime, todavia, nunca foi encontrado.

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FEDEU PROS ANUNCIANTES – O produto acima, chamado FreeCô, promete bloquear o odor do cocô. O fabricante recomenda que o usuário borrife o produto cinco vezes na água do vaso sanitário antes de usá-lo para o “número 2”. A promessa é que, ao seguir essa orientação, inexistirá mau cheiro após a descarga.

Até aí tudo bem, a ideia é até interessante. O constrangedor é anunciá-lo.

Diariamente, entre 14h50 e 15h, há publicidade deste produto no programa “02 da Tarde”, da 89 FM de São Paulo, a Rádio Rock. A dupla de apresentadores cita exemplos de situações constrangedoras causadas pelo mau cheiro do “número 2”, para então concluírem que o FreeCô é a solução.

Começam dizendo que, mesmo comendo flores e bebendo perfumes, o cocô sempre irá feder, e que é constrangedor, por exemplo, usar o banheiro na casa da namorada e deixar aquele mau cheiro contaminar o ambiente. “Para evitar isso, use FreeCô”, dizem.

Particularmente acho essa publicidade meio tosca. Né não?

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TOCA RAUL – Os fãs do Maluco Beleza terão três oportunidades no fim de semana para curtir um dos seus mais requisitados covers, Ricardo Seixas. Ele se apresentará hoje à noite no Buscapé, amanhã à tarde (15h) no Boulevard e amanhã à noite no Republic Beer.

Fãs de Raulzito, como eu, não podem perder essa oportunidade. Escolha uma das opções e viaje na obra desse ícone do rock brasileiro.

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NOVO HB 20 – Não é boato. A Hyundai deverá lançar ainda este ano uma nova versão do seu carro mais vendido, o HB 20. Uma equipe do Portal G1 flagrou o novo modelo sendo testado no interior de São Paulo. Como estava camuflado, não deu para ver muitos detalhes, no entanto, confirma a informação de que o veículo está na fase final de testes para ser lançado.

Em 2018 a fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP) produziu 193 mil veículos, extrapolando sua capacidade, que era de 180 mil unidades. Para este ano houve um investimento de R$ 125 milhões no setor de produção, o que garante a fabricação de 210 mil unidades.

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BOIMATE – Na edição de 27 de abril de 1983 a revista Veja publicou uma matéria que revolucionaria o mundo da ciência. Dois cientistas alemães tinham conseguido fundir genes de bois com os de tomates, produzindo um fruto que continha 50% de proteína animal e 50% de proteína vegetal, o boimate.

Ocorre que tal feito nunca ocorreu. Tratou-se de uma pegadinha de 01º de abril da revista inglesa New Scientist, fonte da matéria da Veja.

Na edição seguinte a publicação, em editorial, se desculpou pela falha, mas até hoje ela é lembrada no meio acadêmico e entre os profissionais da imprensa. O autor da matéria foi Eurípedes Alcântara, que continua na Veja até hoje.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).

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