O AMOR: INÍCIO, MEIO E FIM.

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“O coração tem razões que a própria razão desconhece” (Pascal)

“Como a ciência poderia explicar um fenômeno tão importante como o amor?” (Albert Einstein).

Por mais que cientistas e filósofos se esforcem para entender o amor, jamais conseguirão. Todos são impotentes frente aos mistérios da paixão.

Matemáticos da Universidade de Genebra chegaram a buscar soluções matemáticas para um relacionamento perfeito. Segundo eles, para ser um casal perfeito é necessário que a mulher seja cinco anos mais jovem e 27% mais inteligente que o homem. Ela deve ter curso superior e ele não. Além de tudo, é preciso experiência. Para estes matemáticos, as pessoas devem ter ao menos 37 relacionamentos antes de encontrarem o par ideal.

Os dados acima são meramente estatísticos, eu e você sabemos, mas a ciência pode sim explicar algumas situações com base na evolução humana, nos costumes, na antropologia, nas ações dos hormônios e na atividade cerebral.

Certa vez, um comediante disse que não cabia ao homem se preocupar com a beleza, mas com o bolso. Apesar do humor, ele acertou na mosca. Estudo realizado (Universidade do Texas) em 37 países mostrou que, num contato inicial, o homem se interessa pela beleza da mulher, ao passo que esta se preocupa com o nível socioeconômico do parceiro. É científico. A explicação é detalhada no livro A Evolução do Desejo, de David Buss.

Estudos também comprovam que as mulheres preferem os machões para relações passageiras e homens com traços delicados para relacionamentos duradouros. É instintivo. Quanto ao homem, ele tende a ser mais fiel e companheiro quando a parceira é muito bonita, vez que a beleza é, para ele, o principal atrativo das mulheres.

Três mecanismos cerebrais controlam o amor nos seres humanos, cada um deles ligado a um hormônio específico: O desejo sexual (testosterona), impulso da paixão (dopamina) e o companheirismo (ocitocina ou vasopressina). Esses três mecanismos são independentes. Uma mulher pode querer conviver com o marido (provedor), ser apaixonada pelo vizinho e sentir atração sexual por Brad Pitt.

  

Quanto às características de uma pessoa apaixonada, são semelhantes à de um viciado em drogas. A pessoa fica aérea, come e dorme menos, pensa a todo instante na pessoa amada, fica feliz e relaxa quando recebe telefonemas e e-mails, e fica agoniada quando a outra some.

Quando enfim o relacionamento começa, os dois querem fazer tudo juntos, até culminar com o “morar junto”. A convivência, contudo, diminui os níveis de testosterona, fazendo com o que o desejo sexual diminua consideravelmente. E sem o desejo sexual nas alturas, o parceiro fica menos tolerante e começa a ver o outro como ele realmente é.

Quanto à figura do “eterno apaixonado”, estudiosos dizem que existe sim, mas em raríssimos casos. No geral, a paixão acaba, até mesmo para que a mulher possa criar os filhos e o marido (provedor) possa trabalhar sem que o sentimento não os atordoe. É evolutivo.

Sem paixão, como fazer para uma relação durar? Cientistas apontam as seguintes soluções: ter bom humor, não brigar por bobagens, não criar expectativas e ficar um pouco longe do parceiro, pois “A expectativa da recompensa é quase mais prazerosa que a recompensa em si” (Semir Zeki).

 

Para antropólogos, a família tem sua razão na necessidade de procriação da espécie. Assim, o casal gera o filho e o homem trabalha para provê-lo. Quando ele já está crescidinho, a natureza se encarrega de fazer o homem se “livrar” do sentimento de paixão e procurar outra companheira, daí a razão de tantos casamentos acabarem após o sétimo ano de convivência. É antropológico.

 Quanto à traição, a ciência explica que os homens não suportam que a parceira faça sexo com outro homem, sobretudo porque, instintivamente, é dificílimo para um homem criar o filho de outro. Para as mulheres, elas até toleram que o parceiro faça sexo casual, mas não aceitam envolvimento emocional, pois põe em risco o cuidado que o homem dá a ela e aos filhos.

 

Por fim, a separação, de regra, gera o ódio, uma invenção da natureza para que a pessoa siga em frente.

E para esquecer o parceiro, a solução da ciência e da antropologia é aquela que todos nós conhecemos: um novo amor.

OBS. Texto feito com base em matéria publicada na última edição da revista Superinteressante (maio/2010).

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