Racionalidades – 100ª edição.

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ANTES DE TUDO, bem-vindos à 100ª edição da coluna Racionalidades. De cara, aviso que não haverá nada de especial na presente edição, mas…

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VICE-LÍDER EM GASTOS – Dos 513 deputados federais, o potiguar João Maia (PL) é o segundo colocado em gastos parlamentares. Do início do ano até agora já gastou R$ 273,3 mil, perde apenas para Silas Câmara (Republicanos-AM), que gastou R$ 275,8 mil. 

A maior parcela dos gastos de João Maia foi para “divulgação de atividade parlamentar”, R$ 168,1 mil. Sinceramente, foi um dinheiro muito mal gasto. Ninguém ouve nem falar o que ele tem feito em Brasília.

O deputado mais econômico foi o Cap. Fábio Abreu (PL-PI), que gastou apenas R$ 379,15, quantia empregada em serviços postais.

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PEC DA PREVIDÊNCIA ESTADUAL – Na terça-feira, por 13 x 11, a bancada governista na Assembleia Legislativa conseguiu derrubar o requerimento do deputado estadual Kelps Lima (Solidariedade), que pedia o adiamento da análise da reforma da previdência apenas quando voltassem as sessões presenciais.

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SEGUE A BATALHA – Apesar da vitória do governo na votação do requerimento, a questão segue indefinida quanto ao mérito, vez que para a aprovação de uma PEC são necessários 15 votos. Assim, o governismo, que conta com 13 votos certos, precisa arrebanhar 02 votos, no mínimo, dos 11 que mostraram inclinação para votar contra a reforma.

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OS DADOS – Atualmente, a previdência estadual tem um déficit mensal de R$ 145 milhões. Em razão disso, há consenso da necessidade de uma reforma. As divergências residem em alíquotas, percentagens, faixas salariais etc. Cada deputado querendo defender a categoria mais alinhada a ele.

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A ATUAL – Caso aprovada, a proposta em andamento, apresentada pelo governo, representará uma diminuição mensal de R$ 25 milhões no déficit, ou seja, não chega nem perto de resolver o problema.

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PARA O FUTURO – Com poucas perspectivas de concursos públicos, e por isso menor inserção de novos contribuintes no sistema, a tendência é que a situação piore. Por outro lado, há quem argumente que o falecimento de pensionistas e aposentados diminuirá o déficit nas contas, isso a longo prazo. O problema é que essa questão merece uma solução “pra ontem”.

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EM TROCA DE FACILIDADES – No início da semana, o juiz Bruno Montenegro, da 3ª Vara da Fazenda Pública de Natal, tornou indisponíveis, até o valor de R$ 372 mil, os bens do ex-deputado estadual Ricardo Motta.

Consta na denúncia que entre janeiro de 2014 e novembro de 2015, período em que ele era presidente da Assembleia Legislativa, a servidora Bruna Torres recebia R$ 10,5 mil por mês sem trabalhar.

Ela é filha de Oswaldo Pereira, à época gerente do banco Santander que funciona na sede do legislativo. O emprego-fantasma era em troca de facilidades bancárias.

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SEM “COLOQUE O DEDO DE NOVO” – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, decidiu que nas eleições desse ano não será utilizada a leitura biométrica. A decisão foi tomada após ouvir especialistas.

Entre os argumentos, o de que o eleitor dedica, em média, 70% do tempo na seção de votação para usar a máquina de biometria, que muitas vezes não reconhece a digital na primeira tentativa, sendo necessário “colocar o dedo” de novo e de novo…

A dispensa da biometria tende a acelerar o processo, diminuindo assim o tamanho das filas.

A Justiça Eleitoral também deverá fazer uma campanha pedindo a cada eleitor que leve sua caneta, se possível.

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MIGRAÇÃO DE RETORNO – O podcast O Assunto, da Globo, dedicou a edição de segunda-feira (13) à chamada migração de retorno, ou seja, a volta dos nordestinos para suas terras de origem após o início da pandemia.

Muitos nordestinos que migraram para São Paulo ou Rio de Janeiro trabalham no setor de bares, restaurantes e pizzarias, fortemente atingidos pela pandemia.

Diante das sérias dificuldades, muitos deles fizeram o caminho de volta, isso quem teve recursos para tal, pois muitos, sem dinheiro, ficaram lá passando as maiores privações.

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NÚMEROS – A equipe da Globo focou em dois municípios: Ingazeira (PE) e Afogados da Ingazeira (PE), que juntos possuem em torno de 40 mil habitantes. Apenas eles dois receberam de volta aproximadamente 850 moradores.

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ANALFABETISMO – Segundo a mais nova edição da PNAD – Educação, do IBGE, divulgado na quarta, o Rio Grande do Norte tem 13,4% de analfabetos na faixa acima de 15 anos, o que coloca o estado na 7ª posição na lista de estados com mais analfabetos nesta faixa etária.

Vale trazer que os nove primeiros estados são justamente os nove estados do Nordeste, o que mostra a necessidade urgente de se investir em educação de base na região. A média nacional de analfabetos acima de 15 anos é de 6,6%.

Tai um foco de atuação interessante para o Consórcio Nordeste.

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INVIÁVEL – Impressão minha ou a aviação comercial é um negócio economicamente inviável?

Desde que me entendo por gente vejo empresas aéreas indo à falência, como a Pan AM, Vasp, Varig, BRA Transportes Aéreos, TRIP Linhas Aéreas e NOAR Linhas Aéreas.

Algumas dessas empresas encerraram suas atividades em época de crescimento econômico. O que justifica a inviabilidade desse tipo de negócio, até porque passagem aérea não é algo barato, muito pelo contrário? 

Admira-me a tecnologia ainda não ter avançado a ponto de tornar o transporte aéreo economicamente viável, o que é uma pena, pois se trata do meio de transporte mais seguro e rápido que existe.

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COMBUSTÍVEL MAIS SEGURO – Por determinação da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a partir de agosto a gasolina comercializada no Brasil deverá ter densidade mínima de 715 kg/m³, ou seja, um litro do combustível deverá pesar, no mínimo, 715 g.

A medida representa um avanço significativo no combate aos adulteradores de combustíveis, que costumam usar solventes no processo, líquido este que baixa a densidade da gasolina. Com a nova exigência, as adulterações serão mais facilmente detectáveis e puníveis.

A medição da densidade da gasolina é verificada através de um equipamento de nome densímetro, que passará a fazer parte do kit utilizado pelos agentes de fiscalização.

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NOVA IDADE LIMITE – Comumente, os atletas que formam as equipes de futebol nas olimpíadas precisam ter idade máxima de 23 anos. Como a Olimpíada de Tóquio foi adiada para o ano que vem, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu que excepcionalmente nesta edição a idade máxima poderá ser de 24 anos.

Caso a medida não fosse tomada, 12 atletas brasileiros que estavam aptos a disputar as olímpiadas em 2020 não poderiam fazê-lo em 2021, a não ser que entrassem na lista de três atletas que podem exceder a idade-limite.

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MERECE UMA HOMENAGEM – Acho uma baita de uma injustiça não ter em Mossoró nenhum logradouro público denominado Câmara Cascudo, um dos potiguares mais relevantes de nossa história. Nem preciso discorrer aqui sobre seu magnífico trabalho em prol de nossa história e cultura.

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ATÉ SUGIRO – Já manifestei aqui nesse espaço meu incômodo em relação aos logradouros batizados com os nomes de presidentes do regime ditatorial. Poderia assim haver uma substituição.

Inicialmente pensei no bairro Costa e Silva, mas haveria resistência, diante dos problemas burocráticos causados pela alteração de endereços.

Desta forma, caberia renomear a ponte Castelo Branco para ponte Câmara Cascudo. Até porque ninguém mora na ponte, pelo menos não deveria; e ponte, a palavra, geralmente é associada a conhecimento. Nada mais propício.

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MAS… – Ainda assim muitos poderiam se queixar, até porque surgiu recentemente no Brasil um grupo de pessoas que defende o período de exceção. Deste modo, pode-se guardar o nome Câmara Cascudo para nomear o próximo logradouro público relevante que for criado na cidade, o que não podemos é manter essa injustiça com esse vulto tão importante de nossa história. 

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DE MARK DAVIS À XUXA – Recentemente lançada, a série documental História Secreta do Pop Brasileiro, em oito capítulos, com aproximadamente 25 minutos cada, mostra as artimanhas que a indústria fonográfica brasileira utilizou para vender discos e ganhar muito dinheiro. São muito interessantes e curiosas as histórias contadas, e na maioria das vezes entrevistando os protagonistas.

Você vai entender por que muitas bandas e artistas cantavam em inglês nos anos 70; vai saber que Gilliard é mais imitador do que cantor, que gravou discos se passando por outros artistas, e ninguém percebeu; vai descobrir quem estava por trás de Gretchen; o surgimento do mercado de música infantil; como Paulo Massadas conseguiu transformar Xuxa numa cantora; entre várias outras histórias interessantes. Para quem gosta de música é um documentário imperdível.

Disponível no Prime Vídeo.   

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MÚSICA DE QUALIDADE – Para quem gosta da banda Pink Floyd – quase todo mundo – hoje tem live na TCM da banda Time, cover dos britânicos. Cléber Dimarzzio, Amilton Fonseca e Cia se garantem. Vale muito à pena. A partir das 20h na TCM e no canal da banda no YouTube (link).  

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TOMA-LÁ-DÁ-CÁ – Nos anos 70 e 80, um cantor ou banda que passasse pelo palco do Cassino do Chacrinha garantia venda de discos, agenda com muitos shows e músicas tocadas em todas as rádios do Brasil. Era o caminho certo para a fama.

Paralelamente aos acordos entre a TV Globo, que exibia o programa, e os cantores, atuava Leleco Barbosa, empresário e filho de Chacrinha. Promotor de eventos, ele “convidada” os cantores de sucesso para tocar em suas festas, geralmente em clubes nas periferias das grandes cidades. Os cantores não gostavam nada aquilo, mas sempre davam um sim, pois do contrário não se apresentariam mais no Cassino do Chacrinha.

Um dos poucos artistas que não se rendeu a este toma-lá-dá-cá foi Ritchie, isso justifica as pouquíssimas aparições do artista no programa, apesar do grande sucesso que fazia à época.

Curiosamente, a minissérie da GloboPlay sobre Chacrinha omite este fato, cediço no meio.

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PEI E BUFO

* Com que idade você descobriu que a palavra danceteria é uma junção de dancing + cafeteria? 

* O Campeonato Potiguar voltará no dia 12 de agosto. E aí, contando as horas?

* O Flamengo, mesmo não sendo mais aquele, foi campeão do Carioca 2020.

* Sabe aquele enjoo que algumas pessoas sentem em carros, embarcações, aviões etc.? Tem nome: cinetose.

* Uva, limão, laranja e morango são exemplos de frutas não climatéricas, ou seja, não amadurecem após colhidas.

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SUGESTÕES/CRÍTICAS – Esta coluna é atualizada às sextas-feiras, sempre às 04h59. Sugestões e críticas podem ser enviadas para o número 99648-2588 (WhatsApp).